Bolsonaro torna-se o primeiro Presidente a visitar Muro das Lamentações com PM israelita

O presidente Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante visita ao Muro das Lamentações na Cidade Velha de Jerusalém. Foto Alan Santos

Da Redação
Com Lusa

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, visitou neste dia 01 o Muro das Lamentações, em Jerusalém, na companhia de Benjamin Netanyahu, tornando-se no primeiro chefe de Estado a fazer a visita ao lado de um primeiro-ministro israelita.

Rompendo com uma longa prática diplomática, Bolsonaro viajou com Netanyahu para este local sagrado do judaísmo na Cidade Velha de Jerusalém, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel.

Bolsonaro fez uma primeira paragem na Basílica do Santo Sepulcro, o local mais importante para o cristianismo e, em seguida, seguiu para o Muro das Lamentações, a uma curta distância do templo cristão.

O governante brasileiro colocou uma ‘quipá’, uma boina usada pelos judeus, símbolo daquela religião, tendo-se inclinado sobre as pedras do Muro das Lamentações por vários segundos.

Durante décadas, os líderes estrangeiros abstiveram-se de aparecer ao lado de um líder israelita em frente ao Muro das Lamentações, para evitar que parecessem estar a posicionar-se em questões altamente sensíveis de soberania. O estatuto de Jerusalém é uma das questões complexas do conflito israelo-palestiniano.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, reuniu-se em frente ao Muro em maio de 2017, mas estava acompanhado por Rabino do Muro, Shmuel Rabinovitz, e não por um dirigente israelita.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, também viajou recentemente para a região e tornou-se o representante de mais alto escalão do seu país para visitar oficialmente, e acompanhado pelo primeiro-ministro israelita, o do Muro das Lamentações.

A visita de Bolsonaro coincide com a campanha eleitoral de Israel para as eleições gerais de 09 de abril, nas quais Netanyahu tenta a reeleição.

Protestos

Durante sua visita, ativistas da organização de defesa do ambiente Greenpeace pediram ao Presidente Bolsonaro que “pare a destruição da Amazônia”, colocando uma grande faixa pendurada nas paredes da Cidade Velha de Jerusalém.

Para fazer o protesto, vários membros do Greenpeace subiram com cordas às antigas muralhas de Jerusalém, onde penduraram o cartaz escrito em inglês na frente do hotel em que está hospedado o Presidente brasileiro.

“Vamos lembrar ao Presidente a importância da Amazônia incansavelmente durante todo o seu mandato”, frisou um comunicado do Greenpeace Brasil.

A organização quis alertar para o perigo do desmatamento na Amazônia, lembrando que uma área da floresta correspondente a dois campos de futebol é derrubada a cada minuto no Brasil.

O Greenpeace acrescentou, no comunicado, que a Amazônia “é patrimônio de todos os brasileiros que está sendo destruído” e que isto “é inaceitável e deve ser detido”.

O protesto precedeu a visita de Bolsonaro à Basílica do Santo Sepulcro, o mais sagrado templo cristão, e também ao Muro das Lamentações.

A incursão de Bolsonaro no território oriental de Jerusalém ocupada suscitou críticas da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que reivindica a área como a capital do seu futuro Estado.

Bolsonaro, que chegou este domingo a Israel para uma visita oficial de quatro dias, anunciou a abertura de um escritório comercial em Jerusalém, mas sem anúncio ainda da promessa de campanha de mover a embaixada brasileira de Telavive para Jerusalém.

Após o anúncio, o Estado da Palestina chamou de volta seu embaixador no Brasil, Ibrahim Alzeben, para consultas e para estudar uma reação à medida do governo brasileiro. “É direito deles reclamar”, disse Bolsonaro.

“O que eu quero é que seja respeitada a autonomia de Israel. Se fosse hoje abrir negociações com Israel, colocaria a embaixada em Jerusalém. Agora, não quero ofender ninguém, mas queremos que respeitem nossa autonomia”, disse.

A cidade de Jerusalém está no centro de confrontos e disputas entre palestinos e israelenses, pois ambos reivindicam o local como sagrado. Para evitar o agravamento da situação, os países consideram Tel Aviv a capital administrativa de Israel, onde ficam as representações diplomáticas internacionais.

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