No Pará, livro de receitas da Família Real será lançado com parcerias do Grêmio Português

A assinatura contou com a presença do presidente da IOE, Cláudio Rocha, do Grêmio Literário Português, Alírio Gonçalves, do vice-cônsul de Portugal, Francisco Brandão, e diretores das duas instituições.

Mundo Lusíada

A Imprensa Oficial do Pará, em parceria com o Grêmio Literário Português, assinou na última semana o termo de doação da edição fac-símile do livro “Arte de Cosinha”, de João da Matta, cuja primeira edição é datada de 1876.

O livro é uma das obras raras que fazem parte do acervo da Biblioteca “Fran Paxeco”, na sede do Grêmio Literário e Recreativo Português de Belém do Pará, uma das mais importantes bibliotecas do país.

Em quase trezentas páginas, a obra rara detalhada receitas curiosas de jantares preferidos da Família Real de Portugal e Imperial Brasileira.

Nele, o cozinheiro real traz todos os detalhes de dez jantares feitos para a realeza portuguesa, com as receitas completas de todos os quitutes e pratos servidos, com riqueza de detalhes, desde a massa do bolinho de bacalhau ao recheio do pastel de Santa Clara.

A assinatura contou com a presença do presidente da Imprensa Oficial, Cláudio Rocha, do presidente do Grêmio Literário Português, Alírio Gonçalves, do vice-consul de Portugal, Francisco Brandão, e diretores das duas instituições.

“A parceria com o governo do Estado, por meio da Imprensa Oficial, veio para engrandecer o Grêmio Literário Português, além de fortalecer e dar visibilidade aos laços entre Pará e Portugal, pois o livro irá circular em todo o mundo”, ressaltou o presidente do Grêmio, Alírio Gonçalves.

Com lançamento previsto para acontecer na Embaixada em Brasília e depois em Portugal, o livro representa, também, segundo o presidente, “uma valorização do patrimônio cultural de Portugal”.

No ano passado, o clube confirmou ao Mundo Lusíada que tem um projeto de recriar um desses menus servido à corte portuguesa disponível no livro, durante um jantar feito com ajuda de renomados chefs da capital paraense, em prol da revitalização da sua biblioteca.

Segundo Cláudio Rocha, tendo em vista que o livro compõe um acervo tão interessante como o da Biblioteca do Grêmio, “é de mister importância, também, que possamos ajudar no projeto de conservação e acessibilidade das obras raras da biblioteca que, segundo alguns historiadores, é considerada o terceiro gabinete português de leitura do Brasil, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro e da Bahia”.

O Embaixador de Portugal em visita a biblioteca do Grêmio Literário Português em Belém do Pará. Confira galeria >>

Biblioteca centenária

São três pavimentos que respiram história na sede social do Grêmio Literário e Recreativo Português, fundado em 29 de setembro de 1867. O terceiro deles, conta com uma imponente biblioteca composta por 35 mil volumes, dentre eles, ao menos 460 obras raras.

A direção do clube já divulgou anteriormente que um investimento privado, através da Lei Rouanet, num projeto de digitalização, conservação, restauro e acondicionamento da sua centenária biblioteca, ronda os 2 milhões de reais.

O espaço, que no ano passado recebeu a visita do Embaixador Jorge Cabral, é aberto para acadêmicos, professores universitários e pesquisadores de diversos estados brasileiros, e de diferentes países.

No acervo da biblioteca do Grêmio Português, está o seu título mais antigo, o livro Phila, editado em 1528. Conta também com a raridade da obra Camiliana completa, com seus 38 títulos, além da primeira edição ilustrada de Dom Quixote, “Dom Quixote de la Mancha”, de Miguel de Cervantes Saavedra, datado de 1723. Entre os destaques ainda está o “Tutte Le Opere – Machiavelli”, de 1550, além de livros escritos à mão por Camões e de escritos originais de Pero Vaz de Caminha.

Segundo a atual gestão, o atual acervo da Biblioteca, em variedade de títulos, é bastante significativo pela paridade com grandes bibliotecas nacionais e internacionais, como a British Library, ou bibliotecas de universidades reconhecidas, como Yale e Cambridge.

Em 2017, o Grêmio Literário e Recreativo Português comemorou seus 150 anos de fundação com diversas iniciativas, dentre elas um colóquio abrangendo a importância da biblioteca do clube.

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