Comunicação sobre segurança alimentar não é eficaz em Portugal, diz pesquisa

Da Redação
Com Lusa

Pesquisadores da Escola Superior de Biotecnologia do Porto concluíram, com base num inquérito realizado a 100 portugueses sobre mitos alimentares, que as estratégias de comunicação sobre segurança e higiene alimentar não estão a ser “eficazes”.

O inquérito online, que tinha como propósito desvendar se os mitos alimentares dos portugueses e se as ideias preconcebidas eram assentes em pressupostos científicos, envolveu cerca de 100 pessoas que, no total, apresentaram variados mitos e “crenças populares”.

Em declarações à Lusa, Paula Teixeira, a investigadora responsável pelo projeto ‘SafeconsumE’ em Portugal, revelou que o inquérito demonstrou que as estratégias e mensagens sobre higiene e segurança alimentar “não estão a ser eficazes” e que é necessário “implementar e adotar novas medidas de comunicação”.

“Muitas das mensagens em higiene e segurança alimentar não estão a ser eficazes. O problema não é dos consumidores, o problema é dos comunicadores, porque a mensagem não está a passar de forma convincente”, salientou.

De acordo com a investigadora, muitas das questões identificadas pelos inquiridos eram “comuns”, como a regra dos cinco segundos, as cozinheiras terem sempre as mãos limpas, lavar a carne antes de a cozinhar ou até o prazo de validade dos iogurtes.

Contudo, foram questões como o “mito dos ovos”, o guardar alimentos quentes no frigorifico e o facto de as pessoas acreditarem “piamente nos seus sentidos”, que causaram maior “incredibilidade” à equipe.

“Algumas pessoas disseram que os ovos que flutuam na água estão estragados. O ovo pode até não estar estragado, mas regra geral, não se deve comer. Outras disseram o que, de facto, é mito: que para saber se um ovo é seguro devo verificar se flutua ou não em água. Não podemos verificar isso, apenas em laboratório”, frisou.

Relativamente aos alimentos quentes serem guardados no frigorífico, Paula Teixeira explicou à Lusa que não é “por serem guardados quentes que se estragam”, mas sim porque demoram mais tempo a arrefecer, dando “tempo suficiente aos organismos que vão estragar o alimento para crescerem”.

Quanto ao fato de as pessoas recorrem aos sentidos para detectar se o alimento está estragado, a investigadora esclareceu que grande parte das bactérias que causam a doença “não estragam nada”, na medida em que são “tão silenciosas” que não é notória qualquer alteração.

Segundo a responsável, é por isso necessário “arranjar formas” de desmistificar algumas questões e perceber quais são as “barreiras” à implementação de práticas seguras, de modo a transmitir a mensagem correta aos consumidores.

Paula Teixeira revelou que estão a ser preparadas atividades para serem demonstradas em escolas, uma estratégia que acredita ser “importante” e que vai levar à alteração de alguns comportamentos.

O estudo desenvolvido pela Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Universidade Católica Portuguesa do Porto, insere-se no projeto europeu ‘SafeconsumE’, uma iniciativa que envolve 11 países e que pretende, num prazo de cinco anos, alterar comportamentos e dotar o consumidor de ferramentas que permitam implementar melhores práticas de segurança alimentar.

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