Adega de Sabrosa produz vinho dos 500 anos da viagem de Fernão de Magalhães

Da Redação
Com Lusa

A Adega de Sabrosa quer produzir o vinho oficial das comemorações dos 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães, que arrancam em 2019, um desafio que acontece num ano de quebra de produção no Douro.

Celeste Marques, enóloga da cooperativa de Sabrosa, no distrito de Vila Real, disse à agência Lusa que os vinhos “Fernão Magalhães – 500 anos”, cuja patente já foi registrada, “vão assinalar uma ocasião especial”.

As comemorações dos 500 anos da viagem de circum-navegação do navegador português Fernão de Magalhães arrancam em 2019 e terminam em 2022.

Celeste Marques referiu que a adega de Sabrosa, que já possui a marca de vinhos “Fernão Magalhães”, se quer associar ao evento e, para isso, está a criar “um leque de vinhos especiais”, entre vinhos tinto, branco e do Porto.

A preparação, explicou, “está a ser rigorosa” e requer a seleção das uvas pelas castas, graduação alcoólica e estado fitossanitário.

É preciso, também, “muito controlo com as temperaturas, com a remontagem (operação que consiste em tirar o mosto em fermentação pela parte inferior da cuba para o lançar na parte superior da mesma vasilha) e extração da cor”.

Este está a ser, no entanto, um ano difícil no Douro e que se poderá traduzir numa quebra de produção a rondar os 30% para a adega de Sabrosa, que possui 600 associados.

A situação não é igual em toda a região duriense. Nuns locais as queixas vão mais para o granizo, noutros mais para as doenças, como o míldio, o oídio ou a podridão negra, que afetaram as videiras, e, a tudo isto, juntou-se ainda o escaldão provocado pelo calor intenso do início de agosto.

“A produção está a ser mais pequena, mas com qualidade. Os graus estão a ser bons, tudo na média dos 13, 14 e até 15 graus”, salientou a enóloga, que ressalvou que a vindima ainda vai a meio neste concelho.

A cooperativa, que iniciou em 2016 um projeto de exportação, considera que o nome do navegador português está a ajudar na internacionalização.

Natércia Veiga, do departamento de internacionalização, disse que, neste período, a adega passou dos “3% para os 30% de exportações” e que os principais mercados são o Brasil e os países europeus como a Alemanha, a Noruega e a Bélgica. A caminho do Equador vai, agora, um contentor dos vinhos.

Celeste Marques acredita que os vinhos de Sabrosa, concelho que reivindica ser a terra natal do navegador português, poderão seguir a rota de Fernão de Magalhães e chegar aos países tocados na viagem de circum-navegação.

Fernão de Magalhães (1480-1521) notabilizou-se por ter organizado e comandado a primeira viagem de circum-navegação ao globo, ao serviço do rei de Espanha, alcançando o extremo sul do continente americano e atravessando o estreito que veio a ser batizado com o seu nome.

O navegador não terminou a expedição, uma vez que morreu nas Filipinas, em 1521, aos 41 anos, pelo que a viagem seria concluída pelo navegador espanhol Juan Sebastián Elcano.

A adega de Sabrosa, que comemora este ano o seu 60.º aniversário, faz questão de juntar “a história à inovação” e, para isso, segundo Celeste Marques, todos os anos lança novos produtos no mercado.

Os 60 anos foram assinalados com um novo porto pink, que homenageou os antigos funcionários da instituição.

Nas suas instalações, a cooperativa recorre às novas tecnologias, mas mantém uma forma antiga de vinificar alguns vinhos.

Trata-se, segundo explicou Celeste Marques, de ânforas argelinas (cubas de betão) auto-vinificadoras que “fermentam sozinhas”.

“Os visitantes podem ver o mosto a fermentar, o que não acontece com as cubas de inox fechadas”, explicou a responsável.

Visitantes que, segundo Natércia Veiga, param cada vez mais na adega para provar os vinhos e conhecer a história de Sabrosa associada a Fernão de Magalhães.

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