Ricardinho encerra carreira na seleção portuguesa de futsal

O capitão da seleção portuguesa de futsal, Ricardinho, durante uma conferência de imprensa onde anunciou o fim de carreira pela seleção nacional, na Cidade do Futebol, em Oeiras, 09 de novembro 2021. RODRIGO ANTUNES/LUSA

Mundo Lusíada com Lusa

O internacional português Ricardinho anunciou hoje o fim de uma carreira de 18 anos na seleção de futsal, um mês após ter-se sagrado campeão mundial pela primeira vez, título que juntou ao europeu conquistado em 2018.

“Hoje, vim aqui anunciar o final de um ciclo. Foi, sem dúvida, uma caminhada incrível, inesquecível. (…) Disse que o Mundial seria a minha última competição pela seleção, fosse qual fosse o desfecho. Felizmente, acho que termina da melhor maneira esta história. Com muita pena, vou dizer um até já à seleção nacional, que é a decisão mais difícil que tomei na minha carreira”, afirmou o ala, em conferência de imprensa realizada na Cidade do Futebol, em Oeiras.

Ricardinho, de 36 anos, o único praticante eleito por seis vezes melhor jogador de futsal do mundo (2010, 2014, 2015, 2016, 2017 e 2018), pelo portal Futsal Planet, contabilizou 187 jogos e 141 golos na equipa das ‘quinas’, pela qual se estreou em junho de 2003, numa vitória sobre Andorra (8-4), em Tavira.

Natural de Gondomar, o ala despontou no Benfica e cumpre a quarta experiência fora de Portugal, ao serviço do campeão francês ACCS Paris, após também já ter competido no Japão, pelo Nagoya, na Rússia, pelo CSKA Moscovo, e em Espanha, pelo Inter Movistar.

Ricardinho venceu mais de 30 troféus coletivos, incluindo três edições da UEFA Futsal Cup, uma nas ‘águias’ e duas nos madrilenos, e recebeu múltiplas distinções individuais, como as de melhor jogador nos Europeus de 2007 e 2018 e no Mundial de 2021.

Nesta terça-feira, Ricardinho disse entender ser altura de “dar lugar aos mais novos” na seleção de futsal, após uma carreira em que deu “tudo o que tinha para dar” desde início.

Num discurso emotivo, Ricardinho esteve acompanhado na Cidade do Futebol, em Oeiras, pelo presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Fernando Gomes, pelo selecionador, Jorge Braz, e pelos jogadores Bebé, Pedro Cary, Pany Varela e Tunha.

“Termino da melhor maneira esta página escrita na história do futsal. Venho aqui, com muita pena, dizer um até já à seleção nacional. É a decisão mais difícil que estou a tomar na minha carreira desportiva, mas é hora de dar lugar aos mais novos. Tudo o que tinha para dar à seleção dei desde os meus 16 anos. Sou orgulhosamente português e vou continuar a ser”, afirmou o ‘mágico’, visivelmente emocionado.

Neste “final de ciclo”, Ricardinho, de 36 anos de idade, lembrou os “dois piores anos desportivamente falando”, assentes na “saída triste de Espanha”, na pandemia de covid-19, no “projeto meio falhado em França” e “numa das lesões mais graves que se pode ter”.

“Foi, sem dúvida, uma caminhada incrível e inesquecível. Olho para trás e lembro-me que comecei com 16 aninhos em Rio Maior, mas não sabia que o caminho iria ser tão perfeito. Foi uma caminhada incrível, com altos e baixos, como tudo na vida”, realçou.

Ricardinho encerra o percurso na equipa das ‘quinas’ depois de ter conquistado o título mais desejado da carreira, graças à vitória de Portugal sobre a Argentina (2-1), na final do Mundial2021, na Lituânia, que juntou ao Europeu celebrado na Eslovênia, em 2018.

“O recorde que me faltou foi ter ganho mais Europeus e Mundiais. Tenho pena de não ter jogado mais jogos pela seleção. É um privilégio representar o país e ouvir o hino. Nunca joguei para bater recordes, tentei dar o máximo pela modalidade”, sublinhou.

Quanto ao futuro, o ala considerou que ainda tem “alguns anos para dar ao futsal”, onde, a nível de clubes, representa os franceses do ACCS Paris, reforçando a crença de que a seleção continuará com “muito potencial e talento” e convicto de que a camisola 10 e a braçadeira de capitão irão continuar “muito bem representadas, com certeza”.

“Sempre tentei ser preponderante e decisivo, acho que o consegui, mas isso também causa um desgaste mental. Foram muitos anos a tentar ser um exemplo, a colocar o nome de Portugal ao mais alto nível e a tentar não falhar. Penso que o fiz com grande sucesso e continuo a sentir-me útil. Por mim, jogaria até aos 50 anos pela seleção, mas temos de saber quando é o momento de dar lugar aos outros”, explicou.

Vitalício

O presidente da FPF, Fernando Gomes, propôs uma última internacionalização a Ricardinho, e torná-lo “embaixador vitalício” da equipa das ‘quinas’.

Em discurso na Cidade do Futebol, Fernando Gomes dirigiu-se ao internacional luso com as duas propostas, revelando sentir “um misto de sensações” com a decisão, que entende e respeita.

“Que te tornemos, a partir de hoje, embaixador vitalício da nossa seleção, e que nos permitas fazer a tua última internacionalização em solo português, num pavilhão cheio e num jogo especial em que os portugueses te tributem como mereces. Sei que hoje sais da nossa quadra, mas sabemos que nunca sairás da seleção de Portugal”, afirmou.

“São dois pedidos muito fáceis de aceitar. Será mais uma oportunidade de realizar o único sonho que ainda não realizei na seleção, o de entrar num jogo com os meus dois filhos. Trabalhei sempre para ser uma referência na modalidade e uma influência para os mais jovens”, disse.

Fernando Gomes expressou que, sem Ricardinho na quadra, “nenhuma equipa fica mais forte”, mas manifestou crença no aparecimento de novos talentos que “podem atingir o topo”, lamentando, contudo, que ainda não exista, na Cidade do Futebol, um pavilhão para as seleções de futsal, para cuja existência o ala, de 36 anos, tanto lutou.

Por seu turno, o selecionador Jorge Braz lembrou os 11 anos a “aturar” o ‘mágico’, que se tornaram num “desafio e privilégio”, assentes numa “aprendizagem conjunta e de momentos fantásticos, bons e menos bons, mas sempre na procura da excelência”.

“Foi muito graças à exigência que colocaste em ti próprio, que contagiou sempre toda a gente que te rodeia. Por isso, foi possível ‘tocar o céu’ e estar no topo dos topos”, atirou, sublinhando que o legado de Ricardinho “é o maior exemplo que pode existir”.

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