Carlos Queiroz recebe quarta-feira uma herança pesada de Scolari

Da Agencia Lusa, de Portugal

Carlos Queiroz regressa quarta-feira ao comando técnico da seleção portuguesa de futebol, cargo que deixou de forma conturbada em 1993, indo agora receber uma pesada herança deixada pelo brasileiro Luiz Felipe Scolari.

Desde que Queiroz deixou o comando da equipa das "quinas", denunciando na altura a necessidade de "varrer a porcaria" que havia na federação, Portugal qualificou-se para dois campeonatos do Mundo, três da Europa e organizou um Europeu em 2004. No processo, alcançou a final do Euro 2004 e o quarto lugar no Mundial 2006, disputado na Alemanha, ambas as provas sob o comando de Scolari.

Apesar da saída intempestiva, Queiroz andou "ocupado" nos últimos 15 anos, mas aquela que poderia ter sido a sua coroa de glória, a passagem pelo comando técnico do Real Madrid, saldou-se pela modesta conquista da Supertaça espanhola, enquanto as funções de adjunto no Manchester United lhe proporcionaram mais sucessos.

O estilo do novo técnico, que vai comandar a formação das "quinas" nos próximos quatro anos, não poderia ser mais distante do seu antecessor: ao caráter impetuoso de Scolari, contrapõe Queiroz com a serenidade que faz a sua imagem de marca.

Carlos Manuel Brito Leal Queiroz nasceu a 01 de Março de 1953 na cidade moçambicana de Nampula, tendo, depois dos primeiros "pontapés na bola" dados em clubes da antiga colônia portuguesa, integrado os quadros da Federação Portuguesa de Futebol com a missão de desenvolver o futebol das camadas jovens.

Foi sob a "asa" protetora de Queiroz que se desenvolveu a "geração de ouro" do futebol português, que integrou jogadores como João Pinto, Luís Figo, Rui Costa, Jorge Costa, Fernando Couto e Paulo Sousa, entre outros, e conquistou os títulos mundiais de sub-20 de 1989, em Riade, e 1991, em Lisboa.

Nas camadas inferiores, sagrou-se campeão europeu de sub-16 em 1989 (na Dinamarca) e vice-campeão europeu de sub-18 em 1988 (Checoslováquia) e 1990 (Hungria) e de sub-16 em 1988 (Espanha), além de ter levado a equipa lusa ao terceiro lugar no Mundial de sub-16 em 1989 (Escócia).

Dirigiu a seleção portuguesa na qualificação falhada para o campeonato do Mundo de 1994, disputado nos Estados Unidos, na final da qual, em 17 de Novembro de 1993, data da derrota (1-0) em Itália, em Milão, proferiu a polêmica frase que fez "estalar o verniz" e motivou a sua saída.

Queiroz assumiu depois o comando técnico do Sporting, que orientou nas temporadas de 1993/94 e 1994/95, num percurso marcado pela célebre derrota caseira por 6-3 com o Benfica, num jogo em que o técnico foi "traído" pelo seu menino-prodígio João Pinto (marcou três golos dos "encarnados").

Nos "leões", Queiroz limitou-se à conquista da Taça de Portugal em 1995, ao derrotar na final o Marítimo (2-0) e tem ainda no seu palmares a Supertaça de 1994/95, apesar de ter sido Octávio Machado a arrebatá-la no jogo de desempate de Paris, após dois empates sob o comando de Queiroz.

De seguida, orientou a equipa norte-americana dos New York MetroStars (1996) e a japonesa do Nagoya Grampus Eight (1997), regressando à órbita das seleções para liderar os Estados Unidos (1998) e os Emirados Árabes Unidos (1999).

Em 2000 assumiu a liderança dos destinos da África do Sul, que conduziu à qualificação para o Mundial 2002, mas foi "forçado" a abandonar na seqüência de diversas polêmica com a federação sul-africana e críticas da imprensa local ao desempenho dos "Bafana Bafana" na Taça das Nações Africanas (CAN) e do campeonato do Mundo.

Queiroz ficou pouco tempo sem trabalho e assumiu em 2002 um lugar de adjunto de Alex Ferguson na equipa técnica do Manchester United, coadjuvando o histórico técnico escocês na conquista das Liga e Supertaça inglesas.

O prestígio acumulado no Manchester levou em 2003 o Real Madrid a arriscar a contratação de um treinador adjunto para assumir o comando técnico e devolver o brilho ao "galáctico" plantel madrileno, mas Queiroz não correspondeu com títulos e saiu do clube espanhol no fim da época.

Numa carreira com vários regressos, nenhum foi tão produtivo como o retorno a Manchester, que, até hoje, valeu ao treinador português mais dois títulos ingleses (2007 e 2008) e uma inédita Liga dos Campeões (2008), apesar de sempre na "sombra" de Ferguson.

O trabalho desenvolvido em Inglaterra mereceu sempre rasgados elogios do técnico escocês, que várias vezes manifestou publicamente a vontade de ver Carlos Queiroz promovido a treinador principal dos "red devils" quando deixar um cargo que parece vitalício.

Queiroz será apresentado quarta-feira, às 12:30, na sede da Federação Portuguesa de Futebol.

Deixe uma resposta