Setor imobiliário queixa-se de consequências e pede medidas de apoio

Da Redação
Com Lusa

A Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) disse que o setor está já a sofrer as consequências do surto de Covid-19 e apela à implementação de medidas de apoio às empresas.

Num comunicado enviado à comunicação social, a APEMIP diz que a pandemia, que tem já repercussões em toda a economia mundial, também já está a fazer-se sentir no setor imobiliário.

“Ninguém estava preparado para algo desta dimensão, mas as micro, pequenas e médias empresas, em particular, terão uma maior dificuldade em assumir os seus compromissos, o que exige que o Governo tome medidas específicas de proteção”, defende, na mesma nota, o presidente daquela associação, Luís Lima.

Para o dirigente, os apoios governamentais devem ser transversais a todos os setores da economia.

“Todos devemos estar preocupados com a situação atípica que estamos a viver, inclusive as centrais sindicais. Os direitos e deveres dos trabalhadores devem ser naturalmente salvaguardados, mas as empresas também, caso contrário, será impossível garantir a manutenção dos postos de trabalho existentes”, sublinha.

A APEMIP adianta estar a defender, através da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), em sede de Concertação Social, medidas de proteção das pequenas e médias empresas, como por exemplo “a suspensão de penhoras fiscais, o financiamento à tesouraria das empresas, a implementação de moratórias e a suspensão dos despejos no comércio e serviços”.

A associação representante das imobiliárias pretende também que o Estado aja junto do setor financeiro, no sentido de conseguir apoio às empresas por parte da banca, nomeadamente perante eventuais situações de incumprimento que possam ocorrer.

A APEMIP recomenda aos seus associados que sigam as recomendações da Direção Geral da Saúde (DGS) e que não promovam alarmismos extremos, deixando também um recado aos partidos com assento parlamentar, para que “não haja espaço para eventuais aproveitamentos políticos” face à situação de fragilidade causada pela pandemia causada de Covid-19 e que “assumam responsabilidades pelas eventuais medidas inéditas, mas necessárias, que terão que ser tomadas”.

Alojamento local

O presidente da Associação do Alojamento Local em Portugal (ALEP) admitiu que aquele setor hoteleiro está a “colapsar” devido aos cancelamentos diários e paralisação de reservas até junho, avisando que a sobrevivência depende de uma microlinha de crédito.

“A situação tem-se degradado de uma forma exponencial. Quase impensável. Nós fizemos o levantamento há um ou dois dias e a situação já é de crise e de sobrevivência neste momento”, declarou Eduardo Miranda, presidente da ALEP.

Segundo Eduardo Miranda, todos os alojamentos locais em Portugal estão a atravessar um “cenário completamente drástico” com a previsão de “faturação quase nula nos próximos meses”.

“As novas reservas paralisaram e isso já invade o mês de maio, a entrar em junho. Praticamente só lidamos com cancelamentos, ou seja, não fazemos novas reservas e está a haver um número de cancelamentos diários”, descreveu, acrescentando que a crise acontece na pior época possível em termos de atividade, por ser inverno e época baixa.

A solução para o Alojamento Local (AL) passa por o Governo criar uma “linha de microcrédito”, permitindo aos empresários em nome individual que possam aceder, mesmo que seja com valores inferiores aos apoios das linhas tradicionais, mas com “procedimento facilitado”.

Sendo o setor feito, essencialmente, por empresários em nome individual (75%) e com microempresas, o setor não consegue resistir a um golpe destes, admitiu Eduardo Miranda.

“Estamos numa situação de risco de sobrevivência de muitos operadores, o que gera um colapso de uma parte significativa do turismo”, disse, reiterando que só é ultrapassável se houver um “apoio a curto prazo”.

A microlinha de crédito pode ser “a salvação do Alojamento Local”, defende o presidente da ALEP, referindo que a associação já transmitiu a preocupação ao Governo.

O novo coronavírus responsável pela Covid-19 foi detectado em dezembro, na China, e já provocou mais de 4.600 mortos em todo o mundo, levando a Organização Mundial de Saúde a declarar a doença como pandemia.

Em Portugal, a DGS atualizou o número de infectados, que registrou o maior aumento num dia (19), ao passar de 59 para 78, dos quais 69 estão internados.

O Conselho Nacional de Saúde Pública recomendou na quarta-feira que só devem ser encerradas escolas públicas ou privadas por determinação das autoridades de saúde.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, considerou que esta recomendação “faz sentido” e que o encerramento de escolas será feito de forma casuística “analisando o risco, caso a caso, situação a situação”.

Várias universidades e outras escolas já decidiram suspender as atividades letivas.

As medidas já adotadas em Portugal para conter a pandemia incluem, entre outras, a suspensão das ligações aéreas com a Itália, a suspensão ou condicionamento de visitas a hospitais, lares e prisões, e a realização de jogos de futebol sem público.

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