Petrobras e estatais chinesas arrematam maior bloco em leilão do pré-sal

Da Redação
Com agencias

O maior bloco oferecido nesta quarta-feira, 6 no Rio de Janeiro, no leilão dos excedentes da Cessão Onerosa do pré-sal foi arrematado com o lance mínimo por um consórcio formado pela Petrobras e as estatais chinesas Cnodc e Cnooc. Cessão onerosa é o excedente do volume de petróleo e gás que a União cedeu à Petrobras.

A Petrobras havia manifestado preferência pelo bloco e teve participação de 90% no consórcio, no qual atuará como operadora. As duas companhias da China participaram com 5% cada uma. E terminou com licitações na ordem dos 69,9 mil milhões de reais (15,5 mil milhões de euros).

O Governo brasileiro ofereceu quatro áreas de exploração no pré-sal (zona litoral em águas profundas abaixo de uma camada de sal onde estão as maiores reservas de petróleo detetadas no país), com um bónus total fixado em cerca de 106 mil milhões de reais (23,6 mil milhões de euros), mas apenas duas foram arrematadas.

Embora 14 empresas tenham sido habilitadas a participar da disputa pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), órgão regulador do setor, o leilão foi marcado pela falta de interesse das grandes petrolíferas estrangeiras.

Búzios, a primeira área oferecida no certame, teve apenas a oferta em consórcio da Petrobras com a China National Petroleum Corporation (CNODC) e a China National Offshore Oil Corporation (CNOOC).

O bloco foi arrematado pelo lance mínimo de 68,1 mil milhões de reais (15,1 mil milhões de euros) e será gerido pela Petrobras, que terá participação de 90% no consórcio enquanto as duas companhias da China terão 5% cada.

Búzios, localizado no litoral do estado do Rio de Janeiro, é a segunda área mais produtiva dos campos do pré-sal brasileiro.

A segunda área, Itapu, também localizada no litoral do Rio de Janeiro, foi arrematada pela Petrobras com o lance mínimo de 1,7 mil milhões de reais (380 milhões de euros).

Os blocos de Atapu e Sépia não tiveram ofertas.

As regras deste leilão previam um regime de partilha em que os vencedores são escolhidos conforme o percentual de excedente em petróleo oferecido ao Governo brasileiro.

Excedente de petróleo é o volume total da produção menos os ‘royalties’ e o custo da extração.

No caso do bloco de Búzios era pedido uma oferta mínima de 23,24% do excedente. Em Itapu o percentual mínimo era de 18,15%. Como não houve disputa, as áreas foram arrematadas sem ágio pela oferta mínima de excedente de produção.

Na quinta-feira, o Brasil realiza outro leilão, a 6.ª Rodada de Partilha de Produção de Petróleo, que tem entre as empresas autorizadas para fazer lances a Petrogal, Petrobras, Shell, BP, Chevron, Petronas, ExxonMobil e Repsol Sinopec.

Na 6.ª Rodada serão oferecidas quatro na Bacia de Santos (Aram, Sudoeste de Sagitário, Cruzeiro do Sul e Bumerangue), no estado brasileiro de São Paulo, e uma na Bacia de Campos (Norte de Brava), no Rio de Janeiro.

Frustante

O presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Rodrigo Maia, afirmou que o resultado do grande leilão de exploração de petróleo gerou “frustração”, acrescentando que o setor privado “fugiu” da disputa.

“É informação negativa sem dúvida nenhuma. A nossa expectativa era de que o setor privado tivesse maior interesse. (…) O Governo tinha a expectativa de arrecadar mais de 100 mil milhões de reais [mais de 22 mil milhões de euros] e foi frustrado. Agora, vamos ver com os analistas do setor, o motivo do setor privado ter fugido do leilão de hoje”, afirmou Rodrigo Maia, citado pelo portal de notícias G1.

Contudo, apesar do Governo brasileiro negar que o leilão tenha fracassado nas suas expectativas, e de o classificar de “histórico”, o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, admitiu que o fato de grandes empresas do ramo não terem participado nas licitações é preocupante e deve levar a mudanças nas regras para leilões futuros.

“Vamos avaliar porque é que as grandes companhias não vieram. Ainda temos um novo leilão amanhã [quinta-feira], que não é de excedentes, e vamos aguardar para ver qual será a participação. Depois, talvez possamos rever a metodologia e outros parâmetros para os próximos leilões”, disse Bento Albuquerque.

“Infelizmente tivemos essa frustração no valor arrecadado no leilão. Inclusive, deve estar a ser uma frustração grande também para prefeitos e governadores que tinham expectativa de até ao dia 28 de dezembro receberam uma percentagem da ordem de 30% por parte Governo federal”, declarou Rodrigo Maia, referindo-se ao valor do leilão que seria destinado a estados e municípios.

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