Países sem acesso ao mar representam apenas 1% das exportações globais

Da Redação

Cinco anos de progresso para os 32 países sem acesso ao mar estiveram sendo discutidos na sede da ONU em Nova Iorque, entre quinta e sexta-feira.

O debate marca a revisão periódica do Programa de Ação de Viena, que tem uma duração prevista de 10 anos e foi adotado em 2014 na cidade austríaca.

Mais de 500 milhões de pessoas vivem nestes Estados-membros. Na África, a lista inclui países como Chade, Níger, Zâmbia e Zimbabué. Nas Américas, Bolívia e Paraguai.

Entre as 32 nações, 17 estão entre os países menos desenvolvidos.

Na abertura do encontro, o secretário-geral, António Guterres, disse que “todos estão cientes das desvantagens geográficas enfrentadas” por esses Estados. Além da falta de acesso ao mar, também existe a falta de outras formas de conectividade, como estradas, meios de transporte e ligações de internet.

Segundo ele, “tudo isso se combina para aumentar custos, diminuir oportunidades e impedir sua integração nas economias global e regional.”

De acordo com Guterres, “com parcerias, esses desafios podem ser superados.”

Soluções
O secretário-geral disse que é necessária uma maior coordenação de políticas, investimento, melhores infraestruturas, operações alfandegárias e uso da tecnologia. Para ele, o Programa de Ação de Viena é a ferramenta que a comunidade internacional precisa para resolver esses problemas.

Guterres defende que o documento é “um plano abrangente e ambicioso”, mas que ainda “há muito mais trabalho para ser feito.” Ele acredita que esta revisão periódica é “a oportunidade de avaliar e renovar o trabalho feito e criar maior coerência e sinergia” entre vários planos internacionais.

Progresso
Já o presidente da Assembleia Geral, Tijjani Muhammad-Bande, disse que deve ser dada prioridade ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 1, sobre erradicação da pobreza. Um terço da população destes países vive em pobreza extrema.

Lembrando que o crescimento econômico caiu nos últimos cinco anos, Muhammad-Bande disse que eles “correm o risco de serem deixados para trás.”

Estes países representam menos de 1% das exportações globais. Mais de 80% de suas exportações são de bens primários e recursos naturais.

No Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, o ranking dessas nações melhorou 1,5% entre os anos de 2014 e 2018.

Ainda assim, a classificação deles fica 20% atrás da média mundial. Dos dez países com a classificação mais baixa, sete não têm acesso ao mar.

População
O presidente da Assembleia Geral apontou ainda outros desafios. Ele disse que “muitas dessas nações continuam lutando nas sombras de injustiças históricas” e que são altamente vulneráveis ​​à mudança climática, enfrentando desertificação, seca e perda de biodiversidade.

Em 2016, a subnutrição atingiu uma taxa alarmante de 23,2%. Já a insegurança alimentar afeta 51,6% da população. Cerca de 40% das pessoas não têm acesso à eletricidade.

Indicadores de saúde, educação e igualdade de gênero mostraram alguns progressos. O índice de meninas inscritas em escolas primárias, por exemplo, subiu de 34,2% em 2010 para 43,4% em 2016.

Em áreas como infraestrutura e conectividade, o número de voos aumentou 8,4% desde 2014.

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