Fusão Itaú-Unibanco nasce com uma base muito forte, diz Roberto Setúbal

O primeiro objetivo definido quando foram iniciadas as negociações foi de que a nova instituição possa ser considerada um competidor global no mercado financeiro.

De Portugal Digital

Os presidentes do Itaú e do Unibanco, Roberto Setúbal e Pedro Moreira Salles, respectivamente, deram entrevista conjunta nesta tarde para falar da fusão das instituições. Setúbal disse que o Brasil precisa ter um grande banco internacional e que o Itaú/Unibanco poderá ser essa instituição. Ele afirmou que o banco resultante da união nasce com uma base muito forte e certamente tem capacidade de financiamento para as empresas e o consumo no mercado brasileiro. "Gostamos muito de fazer isso e sabemos fazer", disse, referindo-se à concessão de crédito.

Já Moreira Salles afirmou que quando teve início as negociações com o Itaú, em agosto do ano passado, o primeiro objetivo definido foi que a nova instituição possa ser considerada um competidor global no mercado financeiro. A avaliação era que a medida seria necessária para enfrentar o novo padrão de concorrência estabelecido pelo Santander ao anunciar seu interesse pelo Real, segundo informou a agência Folha.

"Foi um novo modelo de concorrência que se estabeleceu, com um banco de escala global e também com uma grande dimensão local", disse, lembrando que os bancos estrangeiros no Brasil sempre tiveram uma dimensão no mercado brasileiro menor em relação aos bancos de capital nacional.

De acordo com o executivo, as discussões levaram em conta o fato de as empresas brasileiras do setor industrial já terem uma atuação no mercado internacional. "Se as indústrias já tinham dado esse salto, não havia motivo para não fazer o mesmo no sistema financeiro", afirmou. A expectativa de Salles é que em cinco anos, o banco resultante da união entre Itaú e Unibanco torna-se global.

A primeira conversa entre os dois bancos aconteceu há cerca de dez anos, mas segundo Salles não foi conclusiva. As duas instituições só voltaram a conversar, então, em agosto do ano passado.

Durante os meses de negociação, Setubal diz que foram realizadas uma série de conversas a dois. "Essas conversas foram alinhando nossos sonhos, objetivos e valores", afirma. Houve um processo, segundo ele, que resultou em adquirir confiança um no outro.

O momento do Brasil, segundo Setubal, é único. "Não faríamos uma transação dessa dimensão se estivéssemos com medo da conjuntura", disse. O banco Itaú é o segundo maior acionista do Banco Português de Investimento (BPI).

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