Eixo Atlântico “exporta” cooperação transfronteiriça para a América Latina

Da Redação
Com Lusa

O Eixo Atlântico está a “exportar” a experiência de cooperação transfronteiriça Norte de Portugal-Galiza para zonas do Paraguai, Argentina, Brasil e Uruguai, que pediram ajuda para replicar o projeto, segundo o secretário-geral da associação.

“Estamos a dar apoio à formação, estruturação e organização das fronteiras do Mercosul [Mercado Comum do Sul] que nos solicitaram ajuda. Podemos falar [do envolvimento] de cerca de 15 cidades da América do Sul”, adiantou Xoán Mao, responsável pela associação criada há mais de 25 anos que atualmente agrega 28 municípios portugueses e galegos.

A atividade do Eixo Atlântico já passou por São Leopoldo, no Estado de Porto Alegre, Brasil junto à fronteira com a Argentina, pela zona da fronteira entre Posadas, na Argentina, e Encarnación, no Paraguai e pela área que une Rivera, no Uruguai, a Santana do Livramento, no Brasil.

“Fomos agora desafiados por câmaras da tripla fronteira [formada pelo Brasil, Argentina e Paraguai] para iniciar um processo de estruturação transfronteiriça similar ao do Eixo Atlântico”, descreveu Xoán Mao.

Um grupo de cidades desta tripla fronteira criaram mesmo a estrutura Eixo Austral, tendo pedido “autorização para usar um nome semelhante” ao do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular.

“Estamos a exportar o conceito e, progressivamente, iremos envolver as nossas câmaras”, disse o secretário-geral.

De acordo com o responsável, numa recente visita feita “a convite da União Europeia” a São Leopoldo, no Brasil, junto à fronteira com a Argentina, houve “uma troca de experiências na área da tecnologia ambiental com a Câmara de Viana do Castelo”.

“São cidades que conheceram a experiência luso-galega, que consideram que é de sucesso e têm conosco afinidade cultural e linguística”, justificou.

Xoán Mao explicou que este processo de integração fronteiriço na América Latina surgiu perante a perspectiva de, em 2019, ser constituído o Parlamento do Mercosul, um processo que está “a sofrer atrasos devido à situação política na Venezuela e no Brasil.

“Há dois anos, recebemos um convite para dar palestras em universidades e câmaras de zonas de fronteira entre o Brasil e o Uruguai, nomeadamente na de Rivera/Santana do Livramento. Na altura, outras fronteiras pediram assessoria no processo de cooperação fronteiriça”, acrescentou.

O Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular é uma entidade sem fins lucrativos dedicada a apoiar todas as iniciativas que fomentem a cooperação transfronteiriça.

A associação tem projetos para promover uma maior coesão territorial ou melhorar a competitividade na Eurorregião da Galiza/Norte de Portugal.

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