Economia portuguesa com déficit externo de 1.787 milhões até abril

Da Redação com Lusa

Portugal registou um déficit externo de 1.787 milhões de euros até abril, face ao défice de 27 milhões do mesmo período de 2021, tendo as exportações e importações de viagens e turismo superado em abril os valores pré-pandemia.

Segundo dados divulgados hoje pelo Banco de Portugal (BdP), no mês de abril de 2022 o défice da balança corrente e de capital foi de 470 milhões de euros, o que corresponde a uma redução de 40 milhões de euros relativamente ao mesmo período de 2021.

“Esta evolução deveu-se, sobretudo, ao aumento de 909 milhões de euros do excedente da balança de serviços e ao decréscimo de 212 milhões de euros do défice de rendimento primário”, explica, acrescentando que “estas evoluções foram parcialmente compensadas pela subida de 975 milhões de euros do défice da balança de bens e pela redução de 145 milhões de euros do excedente do rendimento secundário”.

Assim, o aumento do déficit da balança de bens, para 1.975 milhões de euros, “reflete um crescimento das importações superior ao das exportações (29,0% e 15,9%, respetivamente)”, sendo que “tanto o valor das exportações, como o das importações foram superiores aos registados em abril de 2019, antes da pandemia”.

No que se refere às exportações e às importações de serviços, aumentaram, respetivamente, 108,1% e 61,3% relativamente a abril de 2021, superando os valores observados em abril de 2019.

“Para a subida em relação a 2021 contribuíram, em particular, as rubricas de viagens e turismo, de transporte aéreo e de serviços de telecomunicações, informáticos e de informação”, nota o BdP.

As exportações e as importações de viagens e turismo cresceram, em termos homólogos, respetivamente 382,1% e 139,6%, permitindo que o excedente desta rubrica aumentasse 943 milhões de euros. As exportações e as importações superaram os valores de abril de 2019, respetivamente, em 13% e 7%.

Em abril deste ano face ao mesmo mês de 2021, o déficit da balança de rendimento primário reduziu-se 212 milhões de euros, “refletindo um aumento do recebimento de dividendos do exterior”, enquanto o excedente da balança de rendimento secundário desceu 145 milhões de euros, “sobretudo devido à diminuição de fundos europeus atribuídos aos beneficiários finais”.

Já o excedente da balança de capital subiu 38 milhões de euros, impulsionado pelo recebimento de ajudas ao investimento.

No acumulado até abril, em termos homólogos, o défice da balança de bens aumentou, já que as importações cresceram mais do que as exportações (31,8% e 17,3%, respetivamente).

O excedente da balança de serviços aumentou, “influenciado pela evolução das viagens e turismo”, mas “o saldo da rubrica de transportes diminuiu, refletindo o crescimento das importações de serviços de transporte de mercadorias”.

No primeiro quadrimestre, segundo o BdP, “a menor atribuição de fundos europeus foi determinante para a redução do excedente do rendimento secundário e da balança de capital”, sendo que “a aquisição de licenças de carbono também contribuiu para a redução do excedente da balança de capital”.

No que se refere à balança financeira, em 2022, até abril, os ativos financeiros que Portugal detém sobre o exterior, deduzidos das responsabilidades de Portugal perante o exterior (saldo da balança financeira), diminuíram 1.494 milhões de euros.

Segundo o BdP, para esta redução contribuíram os aumentos de passivos, que se deveram ao investimento líquido de não residentes em dívida pública portuguesa e dívida de sociedades não financeiras e ao investimento de entidades não residentes em empresas portuguesas do grupo por via de aumentos de capital.

Em sentido inverso, a diminuição do saldo da balança financeira foi atenuada pela redução dos passivos do Banco de Portugal junto do Eurossistema e pelo investimento dos bancos e das sociedades de seguros e fundos de pensões em títulos de dívida emitidos por não residentes.

Em abril de 2022, o saldo da balança financeira foi de -51 milhões de euros, destacando-se o investimento líquido de não residentes em dívida pública portuguesa, o investimento de bancos portugueses em títulos de dívida de longo prazo emitidos por entidades da União Monetária e a amortização parcial de empréstimos obtidos por Portugal no âmbito do Programa de Assistência Econômica e Financeira.

As estatísticas da balança de pagamentos serão atualizadas pelo BdP em 20 de julho.

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