Calçados, “um dos melhores exemplos” de inovação em Portugal

O primeiro-ministro, António Costa (2-D), acompanhado pelo ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral (D), observa sapatos durante a visita à empresa Procalçado, no âmbito do Roteiro da Inovação, em Vila Nova de Gaia, 09 de março de 2018. JOSÉ COELHO/LUSA

Da Redação
Com Lusa

O primeiro-ministro, António Costa, destacou o setor do calçado como “um dos melhores exemplos, se não o melhor”, da importância da inovação no desenvolvimento do país, recordando que esta indústria soube “reinventar-se” após a “crise grave” que atravessou.

“Não era possível fazer um ‘Roteiro da Inovação’ que não tivesse um dia dedicado ao calçado, porque a história recente desta indústria é a boa demonstração de como o motor do nosso desenvolvimento tem que assentar na inovação”, que foi o que a “relançou como uma das grandes indústrias do futuro do país”, afirmou Costa durante uma visita à empresa Procalçado, em Pedroso, Vila Nova de Gaia, no âmbito do Roteiro da Inovação e Tecnologia.

Recordando que o setor “há algumas décadas enfrentou uma crise grave, com a abertura dos mercados globais, a entrada em força dos países asiáticos e as condições de competitividade a alterarem-se radicalmente”, o primeiro-ministro confessou ter hoje “orgulho” em dizer que Portugal tem “o segundo preço mundial [mais alto] em matéria de calçado”.

“E o que aconteceu foi inovação: A indústria do calçado soube reinventar-se e hoje o calçado que produzimos não é o calçado onde deixamos de ser competitivos há 20 anos, é um calçado de elevado valor acrescentado e onde a excelência da nossa produção voltou a fazer desta indústria uma das principais indústrias exportadoras nacionais e um modelo de competitividade”, sustentou.

O exemplo da Procalçado foi apontado por António Costa como paradigmático, já que a empresa começou por produzir apenas solas de borracha para outros clientes mas, quando esta atividade passou a ser mais competitiva noutras regiões do mundo, “compreendeu que a experiência adquirida no trabalho da sola permitia fazer um novo caminho, da sola normal para a sola técnica e do material plástico e de borracha na sola para o conjunto do sapato, criando um produto de alta qualidade e com grande valor no mercado”.

Apontando a inovação como “o único modelo de desenvolvimento” em que o país deve apostar, o primeiro-ministro destacou o “grande alinhamento “que tal implica quer a nível das políticas públicas, quer por parte dos agentes econômicos do setor privado, numa contínua aposta na qualificação “que vai do pré-escolar até ao chão de fábrica”.

No que se refere às políticas públicas, Costa voltou a insistir na formação das crianças – “porque a geração do futuro tem que estar preparada para trabalhar em muito daquilo que hoje nem imaginamos que venha a ser o trabalho no futuro”, disse -, na formação profissional e no aumento do número de estudantes no ensino superior, porque “não há doutores a mais, há é empregos a menos para a necessidade de quadros que o país tem que formar”.

Neste âmbito, recordou a meta de, até 2030, aumentar de 34 para 50% da população os portugueses entre os 30 e 34 anos com formação superior e elevar de 40 para 60% a geração de 20 anos que em 2030 terá o ensino superior.

Também “essencial”, segundo o primeiro-ministro, é que “os centros de produção de conhecimento possam desenvolver a sua capacidade de investigação”, sendo aqui a meta “atingir em 2030 um investimento no Produto Interno Bruto (PIB) de 3%” em Investigação & Desenvolvimento, num “esforço que deve ser um terço do Estado e dois terços dos privados”.

A este nível, destacou a importância do desenvolvimento de “centros de interface” que assegurem “a transferência do conhecimento das universidades para dentro das empresas”, voltando aqui a destacar o calçado, cujo centro tecnológico presta serviços a todo o setor, como “um exemplo para toda a indústria”.

“Por fim – sustentou Costa – é essencial que as empresas olhem para o setor do calçado e vejam como estas empresas compreenderam bem que a chave do seu futuro estava precisamente na capacidade de interiorizar esse conhecimento e transformá-lo em fator de inovação em novos produtos e novas técnicas de produção”.

50 milhões em inovação

A indústria portuguesa do calçado vai investir 50 milhões de euros em inovação e economia digital para fazer do setor “líder mundial na relação com os clientes através da sofisticação do produto, resposta rápida e nível de serviço”.

Hoje apresentado no Centro Tecnológico do Calçado (CTCP), em São João da Madeira, durante a sessão presidida pelo primeiro-ministro, o FOOTure 4.0 apresenta-se como um “roteiro para economia digital” que visa “explorar as oportunidades criadas pela Indústria 4.0”, envolvendo “um novo ecossistema” de mais de 70 entidades entre empresas, ‘startup’ (empresas com potencial de crescimento), universidades, centros de inteligência e entidades do sistema científico e tecnológico”.

Segundo a Associação dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS), o FOOTure 4.0 definiu quatro “prioridades estratégicas”: criar formas de interação com o cliente num contexto digital e em rede; melhorar a flexibilidade, tempo de resposta ao cliente, inteligência de negócios e sustentabilidade; qualificar o setor para a Indústria 4.0, tornando-o mais dinâmico, inovador e capaz de criar negócios; e melhorar a inteligência e imagem do setor.

Para atingir estes objetivos o roteiro prevê, por exemplo, o desenvolvimento de novos modelos de negócio, a utilização de estratégias omnicanal e a adoção de processos de cocriação com o cliente; a adoção de tecnologias e processos para assegurar uma produção rápida e flexível e transformações ao nível do desenvolvimento do produto, prototipagem eficiente e digitalização de processos.

Com o FOOTure 4.0 pretende-se ainda atrair jovens e criar competências, qualificar a gestão de topo das empresas e promover o empreendedorismo qualificado, assim como promover a imagem coletiva da indústria.

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