Ajuda Externa: Plano da troika não faz sentido e tem de ser revisto, diz Ulrich

Da Redação
Com Lusa

Arquivo: Presidente do BPI, Fernando Ulrich, julho de 2008. Foto: PEDRO MAGALHAES/LUSA

O presidente do BPI, Fernando Ulrich, pediu em 25 de julho uma revisão completa do programa da ‘troika’ para o setor financeiro português, que considera não ter qualquer sentido e que não responde às necessidades da economia.

“Lamento dizer isto (…) mas tenho que dizer que o plano da troika para o setor financeiro não tem sentido, portanto é conveniente e é urgente que aproveitemos esta altura mais calma, de verão, para o repensar. Para o conjunto de país e para o setor público penso que é bom, mas para o setor financeiro não faz sentido”, disse o banqueiro numa conferência promovida pelo Diário Económico em Lisboa.

Fernando Ulrich deixou fortes criticas à meta dos bancos de aumentarem o seu core capital em tão curto prazo para os níveis exigidos, de 9% este ano e 10% no próximo ano, e que se as autoridades continuarem a aumentar o limite mínimo de capital que os bancos portugueses têm de deter, irá sempre faltar capital.

“O que é que estas regras têm a ver com os problemas, e as dificuldades da economia portuguesa? A meu ver, nada”, disse.

O banqueiro lembra que perto de 50% da carteira de crédito dos bancos portugueses é composta por empréstimos de médio prazo e que foram feitos quando o rácio de capital mínimo era de 4% na altura.

“O Comité de Basileia ao definir agora as novas regras de Basileia III não foi por acaso que deu um prazo de quase 10 anos para os bancos se adaptarem”, sublinhou.

Ulrich disse ainda que a seu entender as metas que os bancos portugueses têm de cumprir neste sentido estão num campo completamente oposto às decisões tomadas na cimeira do Eurogrupo da passada semana, que “não tem rigorosamente nada a ver com as necessidades de Portugal” e que apela à sua revisão “de alto a baixo”.

Ministro das Finanças diz que seria “irresponsável” abrandar o programa

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, considerou que seria “irresponsável” pensar em abrandar o ritmo de aplicação do programa da ‘troika’ e que Portugal tem de “garantir ou exceder os objetivos” estabelecidos no acordo.

Vítor Gaspar, que falava na mesma conferência, afirmou que os resultados da cimeira do Eurogrupo na passada semana só vieram “reforçar ainda mais a exigência do programa de ajustamento acordado” com Bruxelas e o Fundo Monetário Internacional e reiterou mais uma vez a posição do Governo de cumprir à risca o estipulado.

“Esta declaração [do Eurogrupo] vem reforçar ainda mais a exigência no cumprimento do programa de ajustamento econômico e financeiro acordado com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional. Nas atuais circunstâncias seria irresponsável pensar que se pode abrandar o ritmo de aplicação do programa. Dado que o fracasso não é opção, temos que fazer uma gestão prudente do programa, procurando garantir ou exceder os objetivos nele estabelecidos”, afirmou Vítor Gaspar.

O governante frisou que Portugal vive “tempos difíceis” e que “estas dificuldades não irão desaparecer espontaneamente”, assegurando o empenho do Governo no processo de ajustamento das contas públicas, “que assegurará que o setor público deixará de ser um fator de risco e de instabilidade para o sistema financeiro em particular e para a economia e a sociedade portuguesa em geral”.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: