Universidades seniores são “muito mal” pensadas em Portugal

Da Redação
Com Lusa

O presidente da Associação Nacional de Gerontologia Social, Ricardo Pocinho, acredita que as universidades seniores são “uma resposta extraordinária, mas muito mal imaginada em Portugal” e defende que os alunos deviam ser prioritários na vacinação contra a covid-19.

De acordo com a Associação Rede de Universidades de Terceira Idade (RUTIS), havia, em 2020, 368 Universidades Seniores associadas à rede, que contavam com 65 mil alunos e 7.500 professores voluntários.

Porém, Ricardo Pocinho, doutorado em Processos de Formação e Psicogerontologia, realça em declarações à agência Lusa que as universidades seniores, “na sua grande maioria, são para uns e não são para todos”, acrescentando que em Portugal ainda há pessoas com aposentadorias “baixíssimas”.

Ricardo Pocinho, que também já foi reitor da Universidade Sénior do Mondego, refere que “as pessoas têm de ter determinadas condições para frequentar” uma universidade sénior, nomeadamente, “meios para pagar” as mensalidades e um certo nível de “literacia”.

“Se for uma pessoa menos letrada, não participa, volta para casa. Diria que as universidades seniores têm de ter um plano diferente, que é olhar para cada uma das pessoas como possível e tentar criar grupos com diversidade, mas com características homogêneas e inventar ou reinventar um percurso escolar para estes”, aponta o docente do Instituto Politécnico de Leiria.

Nota igualmente que “a maioria das Universidades Seniores funcionam apenas com professores voluntários” e que, em vez disso, deviam ser vistas como “uma oportunidade de criação de emprego para os mais jovens”.

“Eu diria que há uma necessidade muito grande de formar professores para as Universidades Seniores, de assentar num plano curricular que possa ser baseado em fenômenos de aprendizagem e diria que temos de dar um ar mais sério a isto”, sublinha.

Quanto ao funcionamento das aulas durante a pandemia, o pesquisador e Professor do Instituto Politécnico de Leiria confessa que é necessária “uma adaptação e uma preparação das aulas diferente”, mas que “os professores não têm culpa de ter transitado para este cenário, e os alunos também não”.

Garante, no entanto, que “é possível haver este regime à distância”, ainda que seja necessário “mudar hábitos”.

“As aulas não podem seguir o mesmo horário presencial. Não faz sentido estarmos três horas seguidas à frente de um computador. Tem de haver um esforço contínuo para estarmos adequados aos tempos que correm”, defende.

Relativamente à retoma, Ricardo Pocinho considera que os alunos das universidades seniores deviam ter sido prioritários no processo de vacinação, alegando que é “urgente vacinar aqueles que circulam, estes alunos”, de modo a regressar rapidamente às “atividades minimamente normais”.

O professor e investigador realça ainda que, em Portugal, pouco é feito “em termos de organização e uniformização de uma estratégia para o envelhecimento, que não existe no país”, acrescentando que Portugal trata o fenômeno do envelhecimento com “medidas a bolso” e que “devia haver um maior envolvimento do estado” nas universidades seniores.

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