Petrópolis inaugura 2 exposições sobre chegada da corte

Mundo Lusíada Com Lusa

 

Fotos: divulgação

EXPOSIÇÕES >> Exposição "Sonhos" e ao lado Exposição "Travessias"

Duas exposições sobre os 200 anos da chegada da corte portuguesa ao Brasil foram abertas ao público em 22 de fevereiro, no Museu Imperial de Petrópolis. As mostras pretendem valorizar a imagem de D. João VI.“A imagem de D. João é ainda caricatural no Brasil, mas isso começa a mudar. Nas exposições, procuramos valorizar a figura do rei e também imperador, tentando chegar a ele como pessoa humana, pacífica, clemente, sensível”, afirmou à Agência Lusa a diretora do Museu Imperial, Maria de Lourdes Horta.Segundo a especialista, a imagem distorcida de D. João VI, que sempre é retratado comendo frango, veio dos próprios portugueses, descontentes com a transferência da corte. “Mas esta transferência não foi uma mera fuga, mas sim uma saída estratégica que garantiu a soberania do trono de Portugal. Foi um ato de grande esperteza”, afirmou Maria de Lourdes, que também é a curadora das duas exposições.As duas mostras, que serão acompanhadas por apresentações de grupos de música barroca e de câmara, episódios de teatro e exibição de filmes, ficarão abertas em Petrópolis até julho, percorrendo depois outras cidades brasileiras. As exposições fazem parte do projeto "O Império de João", conjunto de eventos que o Museu Imperial fará ao longo de 2008 em homenagem aos 200 anos da chegada da corte portuguesa ao Brasil. E prevê ainda, entre outras iniciativas, o lançamento de um DVD com toda a documentação e iconografia referente a D. João VI e a compilação da obra completa de Marcos Portugal, professor de música de D. Pedro I e pioneiro da música de concerto no Brasil.

TravessiasA mostra “Travessias – relatos trágico-marítimos da passagem do Atlântico pela corte portuguesa e outros navegantes” relata as aventuras da viagem de D. João para o Brasil e, paralelamente, a vinda de outros príncipes e reis anônimos que fizeram esse percurso em navios negreiros.As duas viagens foram misturadas para lembrar que, no momento em que D. João atravessa o Atlântico para escapar de Napoleão e proteger a coroa de Portugal, o Rio de Janeiro já se transformara no maior porto de escravos das Américas.Um navio cenográfico de 15 metros de comprimento por 8 de largura foi reproduzido pelo cenógrafo e arquiteto Pedro Girao, que desenvolveu o trabalho baseado em pesquisas e plantas das embarcações do século 18. O navio, construído em módulos, ostenta pinturas de arte do lado de fora e a cenografia dará a impressão de que os visitantes também queriam embarcar com D. João VI.

SonhosA outra exposição, “Sonhos: os projetos e feitos de um príncipe clemente e inteligente, que queria ficar no Brasil para sempre”, é um passeio pela intimidade de D. João VI. Os visitantes poderão ver uma camisa de cambraia de D. João VI que, segundo a diretora do Museu Imperial, um dos mais visitados do Brasil, é uma “verdadeira peça falante”.

A camisa tem bordados na pala central, nos punhos e na borda com os dizeres “Deus fez Imperador do Ocidente ao Príncipe Regente para sempre”.

Também estarão expostos os códigos secretos de Carlota Joaquina, compilação em quatro volumes de cartas da princesa para parentes e amigos que revelam as tramas políticas contra D. João, as críticas a Napoleão e ainda o desgosto em morar no Brasil.

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