Obra valoriza a presença lusa no Brasil

“500 anos do descobrimento. Uma nova dialética”

Por Odair Sene

Divulgação

O autor do livro “500 Anos do Descobrimento. Uma nova dialética” (da Editora Destaque – 1999, 495 páginas), o paraense natural de Santarém, Carlos Raimundo Lisboa de Mendonça, buscou se opor às interpretações negativas publicadas ao longo da história da colonização no Brasil.

Ao oposto do recente “1808” de Laurentino Gomes, Carlos Mendonça tentou, em sua obra lançada por ocasião da comemoração dos 500 anos do descobrimento, ressaltar os avanços, as vitórias alcançadas pelos portugueses colonizadores, em vez de ressaltar os fracassos, os costumes e as passagens que, em outras publicações, denigrem a sociedade portuguesa.

Uma das vozes que se lançou contra o conteúdo questionável do “1808” foi do dirigente luso-brasileiro Vital Vieira Curto, que se mostrou “indignado” por ver as homenagens feitas ao autor. “Estranho profundamente, pois sob o meu ponto de vista, essa obra em nada enaltece a colonização portuguesa do Brasil e retrata a figura do nosso grande D. João VI como um homem titubeante, medroso e sem atributos. As fontes usadas pelo Sr. Laurentino só denigrem a colonização, criticando a construção das cidades, o comportamento da sociedade portuguesa da época, a pequenez dos membros da casa real, etc.”

O livro “500 Anos do Descobrimento” busca explicar as mudanças de rumo e as novas fases da nossa história, na qual o autor prefere considerar como verdadeira causa da transformação, o desenvolvimento alcançado em quase todas as direções. Revelando seu aspecto construtivo, Carlos Mendonça valoriza a colonização apresentando-a aos brasileiros como “motivo de orgulho”. Esses motivos fazem com que a publicação, segundo Vital, mereça ser lida, pensada e criticada.

“Lendo e relendo o livro do Carlos Mendonça, pude constatar a grandeza dessa obra, que só dignifica a nossa colonização, citando fontes que comprovam o estágio que o nosso Brasil se encontrava na época de sua independência. O livro é um verdadeiro compêndio dos acontecimentos, das epopéias, das realizações, dos grandes heróis da colonização brasileira”, diz Vital completando que o livro descreve a opção do brasileiro de então pelo domínio Português e suas motivações. “Mostra o estágio mais avançado do nosso Brasil, em comparação com os EUA, no momento das suas independências. Cita exemplos irrefutáveis como a extensão territorial (o Brasil tinha mais de oito milhões de km², enquanto as treze colônias dos EUA tinham 835.638 km²), a superioridade de nossas cidades em todos os seus aspectos, a cultura mais desenvolvida”, comenta.

Logo em sua página 20, Carlos Mendonça, fazendo um exame sobre o subdesenvolvimento como sendo o maior dos problemas brasileiros, diz: “Feito este exame, chegaremos à conclusão de que nossos problemas não decorrem de nossas origens, de nossas raízes, dos alicerces da Nação, pelo que tornar-se-á até mais fácil resolvê-los. Convencer-nos-emos de que nossos antepassados descobridores e colonizadores foram racial e culturalmente homens da melhor qualidade, valorosos, competentes e dedicados; menos interesseiros e mais interessados do que muitos de nós, pelo que aprendemos a admirá-los e até mesmo procuraremos imitá-los (…)”.

Como neste, podemos ler na obra de Carlos Mendonça, elogios ao sistema educacional, que ajudou a civilizar os índios (com melhores resultados em comparação aos modelos elaborados pelos ingleses); o trabalho dos missionários; o desenvolvimento que trouxe a exportação e cujos recursos eram empregados na construção de igrejas, conventos e colégios com oficinas por todas as regiões por onde a atividade missionária se expandia. O regime implementado no Brasil era, por exemplo, menos explorador que o regime arbitrário existente na França com os próprios franceses do que no colonialismo português. O desenvolvimento do Brasil durante a época colonial, foi inclusive maior do que nas 13 colônias inglesas.

Para uma conclusão, mesmo que superficial da obra de Carlos Mendonça, pode se usar um parágrafo do autor, no qual ele diz: “Deveremos procurar os verdadeiros problemas brasileiros, examinando bem os caminhos percorridos. Pois, se passarmos a descobrir erros em todas as direções que nos forem indicados, acabaremos exatamente no ponto para onde os mal-intencionados querem nos conduzir, acreditando que nossos males são tantos, nossa formação tão péssima, que para o nosso povo, para nós mesmos, não existem remédios”.

Pelo conteúdo do livro, Vital V. Curto o qualifica como “uma verdadeira obra prima” e sugere que a publicação deveria servir como bandeira na defesa da verdadeira história do Brasil. “Deveria ser uma arma para combater aqueles que distorcem nossa colonização, desmerecem nossos sucessos, enxovalham nossos heróis. Deveria ser melhor estudada, discutida e propagada, pelos verdadeiros patriotas. Deveria estabelecer uma corrente de pensamento, de caráter permanente, a perdurar para as gerações futuras. Os nossos próprios governantes deveriam estimular a discussão desta obra, que estabelece a realidade da nossa colonização. É uma obra para ser lida, pensada e defendida e não para enfeitar bibliotecas”, refere.

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