Novo romance de Agualusa faz homenagem à língua portuguesa

Escritor angolano promoveu noites de autógrafo em São Paulo e Rio de Janeiro, com a presença de famosos.

Da RedaçãoMundo Lusíada

Philippe Lima/AG News

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>> Entre os artistas que compareceram ao evento, Camila Pitanga e Antonio Pitanga com Agualusa. Ao lado, o escritor com a cantora Vanessa da Mata.

 

O escritor angolano José Eduardo Agualusa lançou seu novo romance em São Paulo, dia 18 de novembro, e no Rio de Janeiro, dia 16. Um dos mais celebrados escritores de língua portuguesa de sua geração, Agualusa retorna ao Brasil para o lançamento da obra “Milagrário pessoal”, já nas livrarias pela editora Língua Geral.

Este nono romance de Agualusa conta a história de um homem que, para seduzir uma mulher, lhe oferece uma nova linguagem. É uma declaração de amor à língua portuguesa. É ela a verdadeira protagonista da história entre um professor angolano e sua discípula, especialista em neologismos. Um dia, a moça parece encontrar a fonte do que seria uma nova língua. “Iara começa a receber centenas de palavras, tão bonitas, extraordinárias, urgentes e necessárias que as pessoas se apropriam delas e começam a utilizá-las sem sequer darem conta que são palavras novas”, explica Agualusa. Juntos, os dois partem em busca dessa coleção de misteriosas palavras, que teriam sido roubadas de uma suposta língua dos pássaros. “No fim, é uma grande viagem pela língua portuguesa, pela sua história e pela forma como ela se foi afeiçoando a territórios tão diversos geograficamente”, complementa.

O romance é ainda a história de amor entre Iara e o narrador da história e proprietário do milagrário pessoal, um caderninho onde anota todos os simples prodígios do cotidiano, os pequenos milagres. “Ele se apaixona por essa mulher e, para seduzi-la, chega ao ponto de subverter a própria língua. Ele inventa toda uma trama para atraí-la. Arrisca mesmo uma completa revolução”, acrescenta.

Agualusa mescla realismo com um universo mágico e passeia por histórias variadas. “Algumas das informações contidas no livro são exatas. Por exemplo, a história das línguas assobiadas que ainda existem hoje em dia na Europa, ou da língua dos pássaros que vem dos alquimistas, têm uma base histórica real. Talvez haja mais poesia na realidade”, sugere.

O livro passa pela África, Portugal e Brasil, com situações passadas em Recife e várias referências ao Rio de Janeiro. O romance tem ainda como inspiração outro fruto tipicamente brasileiro, a canção ‘Língua’, de Caetano Veloso. “É quase impossível escrever um romance sobre a língua sem falar desta composição maravilhosa do Caetano sobre o tema”, exalta. E a capa é um still do filme “Pisinoe”, da artista plástica carioca Adriana Varejão.

Os diversos cenários são unidos pela língua portuguesa, que embora mantenha sua matriz, extrai novas cores de cada uma das paisagens nas quais floresce. “A língua portuguesa tem esta característica, esta qualidade que, ao enraizar-se em territórios tão diversos, conseguiu absorver deles a luz, certas palavras, conseguiu ganhar elasticidade, uma beleza que talvez outras línguas não tenham na mesma proporção”, finaliza.

Nascido em Huambo, Angola, em 1960, José Eduardo Agualusa estudou Agronomia e Silvicultura antes de se dedicar à literatura. Em 1988, publicou seu primeiro romance, ‘A conjura’. Também escreveu várias peças de teatro. Seus livros já foram traduzidos em mais de vinte idiomas. 

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