Museu do Calçado de S. João da Madeira procura histórias pessoais de sapatos

Da Redação
Com Lusa

O Museu do Calçado anunciou que irá recolher histórias sobre sapatos que marcaram a vida de cidadãos para apresentar as melhores memórias num aplicativo interativo disponível nesse equipamento cultural de São João da Madeira, distrito de Aveiro.

A iniciativa foi revelada em conferência de imprensa sobre a programação do museu ao longo de 2019 e pretende valorizar o papel do calçado na vida quotidiana da população, que estará mais sensível às questões relacionadas com o vestuário do que para o fato de que também “os sapatos guardam histórias notáveis”.

A interpretação é de Joana Galhano, que, enquanto responsável pelo Museu do Calçado, se propõe assim recolher testemunhos e fotografias de sapatos “para criar uma base de dados com histórias pessoais intransmissíveis” a disponibilizar ao público no referido espaço de turismo industrial.

Além desse projeto, intitulado “Se os seus sapatos falassem, que histórias contariam?”, o Museu do Calçado vai receber em 2019 duas exposições de designers de referência internacional que se apresentam pela primeira vez em Portugal.

O japonês Kei Kagami, cuja mostra “Sem Limites” estará patente ao público entre 18 de maio e 29 de setembro, e o grego Costa Magarakis, que, atualmente radicado em Israel, levará a São João da Madeira “(Im)Possibilidades Fantásticas”, para ver entre 11 de outubro e 03 de março de 2020.

No caso do arquiteto japonês que é também designer de vestuário e calçado, o museu vai recorrer a 34 coleções desse criador para demonstrar como ele se encontra “muito à frente do tempo presente, propondo no objeto da sua criação um outro futuro para a moda”.

Joana Galhano nota que esse criador adota uma “linguagem muito peculiar” para criar sapatos evocadores de “temáticas obscuras e mundos futuristas”, por um lado conjugando a produção artesanal com o uso de técnicas e materiais de vocação mais industrial, como a fibra de vidro, e por outro aplicando “soluções inesperadas e até apontamentos anatômicos, mecânicos e arquiteturais”.

A mostra irá também abordar o percurso profissional do designer, que, começando por ser assistente do arquiteto Kenzo Tange, terminou depois um curso de Alfaiataria e, “fascinado pela vitalidade das subculturas britânicas”, se mudou para Londres e aí iniciou uma carreira na moda sob a mentoria de John Galliano.

Depois disso, estudou com Alexander McQueen e Wakako Kishimoto, lançou a sua marca própria, estabeleceu uma parceria com o maior fabricante mundial de fechos de correr e em 2001 tornou-se uma referência internacional ao lançar a sua primeira coleção exclusivamente de calçado.

Já Costa Magarakis é um artista plástico cujas “peças grotescas” são inspiradas tanto na época vitoriana como em romances de ficção científica. Começou por estudar design de interiores, Comunicação Visual e Design, e arte em 3D, e mais tarde trabalhou como cenógrafo no Teatro Nacional da Grécia e como designer de adereços em eventos como os Jogos Olímpicos de 2004 e o festival Eurovisão de 2006.

O museu procurará dar a perceber como os seus sapatos se afirmaram por uma “personalidade própria”, em que perdem a função que lhes é específica para se transformarem numa “caixa de pandora de onde brotam flamingos-máquinas, barcos-pirata, patos emudecidos ou até cenários de desgraça”.

A programação do Museu do Calçado para 2019 integra ainda iniciativas como as visitas temáticas “Eu ia para a escola descalço” e “Histórias de uma passadeira vermelha”, que apresentará desde “o salto vermelho criado por Louis XIV ao tacão agulha de Manuela Azevedo”.

Esse espaço cultural irá também receber as oficinas “As Sanjo andam por aí?”, sobre as emblemáticas sapatilhas de São João da Madeira, e “Dá-me a honra desta dança?”, que aborda a ligação entre a história dessa arte e a evolução do calçado.

Os designers Kei Kagami e Costa Magarakis orientarão duas oficinas próprias: a do designer japonês terá o mote “Mecânico X Orgânico” e pretende desenvolver a expressão artística usando técnicas tradicionais em materiais contemporâneos invulgares; e a do criador grego explorará o processo “De sapato a cenário”, transformando calçado em “cenografias-miniatura cheias de mensagens e simbolismos”.

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