Museu da Língua Portuguesa em São Paulo: Um show de multimídia para o idioma português

Vanessa Sene
Mundo Lusíada

Inaugurado em março deste ano, com a presença de autoridades locais, o Museu da Língua Portuguesa é uma iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo – junto ao Ministério da Cultura – e Fundação Roberto Marinho, além de diversas parcerias, que fez deste projeto de 37 milhões de reais se tornar uma realidade.

A diretora de conteúdo do MLP, a socióloga Isa Grinspun Ferraz coordenou os 30 especialistas em línguas que tiveram trabalhando na elaboração do conteúdo. Entre estes, três renomes do país, Ataliba de Castilho (língua portuguesa), Yeda Pessoa de Castro (línguas africanas) e Aryon Rodrigues (línguas indígenas). Ralph Appelbaum assina a museografia do projeto, quem tem no currículo também o Museu do Holocausto, em Washington, e a Sala de Fósseis do Museu de História Natural, em Nova York.

Não há nada parecido em qualquer outra parte do mundo. Segundo a organização do MLP, não existe em outro país um museu sobre a língua pátria. Além dos recursos multimídia, e jogos com as palavras, o espaço dá oportunidade ao visitante aprender mais sobre a história e a cronologia do idioma, sobre a origem, a influência e diferença de outras línguas. Só depende do que cada um deseja. “O museu é sutilmente didático. O visitante escolhe o quanto conhecimento quer obter” afirma Ana Rosa, da Fundação Roberto Marinho.

Um espaço dinâmico e interativo que tem como objetivo mostrar que a língua é o elemento principal da cultura de cada povo. Espaço o qual está localizado num patrimônio histórico do século XIX, o edifício da Estação da Luz, na cidade que tem a maior população de falantes do idioma português no mundo, São Paulo.

Mantra

A Árvore das Palavras dá as boas vindas aos visitantes no térreo do MLP. Criada pelo arquiteto e designer Rafic Farah, é uma obra que se estende e pode ser vista no segundo e terceiro andar. A escultura começa com palavras de origem, e vai tomando forma de figuras e objetos, com intuito de mostrar que a língua é a forma de expressão da nossa cultura.

Arnaldo Antunes é o criador de um “mantra”, que brinca com as palavras “língua” e “palavra” em vários idiomas.

Exposição Temporária

Para sua inauguração, foi criada uma mostra comemorativa dos 50 anos de “Grande Sertão: veredas”, de Guimarães Rosa. A idéia da diretoria, Bia Lessa, era de sentir mergulhar no livro. “Não havia a menor necessidade de tratar o espaço com uma caixa branca, como se fosse uma galeria de arte. A idéia era mostrar uma mostra em construção, exatamente como o texto de Rosa ou qualquer processo literário” explicou.

Efeitos cenográficos chamam atenção do público num ambiente tentando recriar o sertão. Os visitantes podem decifrar certas sentenças em escombros apenas seguindo os passos em que a mostra o leva, olhando por uma lupa.

Ping-pong de palavras

A Grande Galeria chama a atenção de qualquer visitante. Também pudera, são 106 metros de telão trazendo filmes da cultura, religião, música, culinária, e até o Raíz Lusa, contando um pouco da história do idioma trazido pelos nossos patrícios.

Mas este é apenas o começo do espaço mais multimídia do museu. Grandes totens com mais de 700 palavras que têm origem em outras línguas como tupinambá, umbundo, espanhol, inglês, francês. As Palavras Cruzadas estão à disposição do visitante para ouvir a pronúncia, a sua origem, e significado de cada.

As crianças também têm seu lugar garantido. O Beco das Palavras é um game que permite aos visitantes ajuntar sílabas. Dependendo da formação de cada palavra, a mesa eletrônica interrompe o jogo para exibir curtos filmes sobre o assunto.

A origem do idioma português é contada desde o latim vulgar no Indo-Europeu. E foi o Latim que deu origem a um português bem diferente da língua falada hoje. O idioma português ainda teve suas alterações no século XIX quando chegou ao Brasil, e mantém hoje um idioma diferente com outras e novas características. Só mesmo uma Linha do Tempo para entendermos o trajeto desta língua até os dias atuais. No MLP pode-se ler sobre a cronologia do português e ainda das línguas africanas e americanas.

O Planetário

A multiplicidade da língua no mundo, e do português no Brasil, é rara e pouco conhecida entre seus falantes. Hoje são mais de 200 milhões de falantes do português em nove regiões no mundo: Brasil, Portugal, Cabo Verde, Moçambique, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Macau (China), Angola, Timor Leste.

Para os falantes se surpreenderem mais, o MLP organizou a Praça da Língua, uma espécie de planetário composto por recursos de imagem e áudio projetados num teto de 13 metros de altura. Textos dos maiores poetas brasileiros misturados ao cancioneiro popular são narrados por cantores famosos e alguns atores “globais”. Uma antologia da literatura com Machado de Assis, Oswald de Andrade, Fernando Pessoa, Luis de Camões, Carlos Drummond de Andrade, entre outros.

O projeto é destinado aos falantes da língua portuguesa, dos cinco continentes e dos oito países que falam o idioma. E para usufruir bem de todo o seu conteúdo, basta apenas saber português. Confira!

Museu da Língua Portuguesa

Estação da Luz – Praça da Luz, s/nº

De Terça a domingo, das 10h às 18h

Entrada: R$ 4,00 (Para estudantes R$ 2,00)

www.estacaodaluz.org.br

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