Morre o “maior compositor português de música contemporânea”

Mundo Lusíada
Com Lusa

 

Para o realizador Marco Martins, o pianista Bernardo Sassetti era “o maior compositor português de música contemporânea”, classificando a morte deste como “uma perda irreparável”.

Marco Martins, para quem Bernardo Sassetti compôs a música do filme “Alice”, reagia assim à morte do pianista e compositor, de 41 anos, cujo corpo foi encontrado nesta sexta, 11 de maio, na praia do Abano,em Cascais. Segundofonte próxima da família, o músico morreu acidentalmente quando fazia fotografia, na zona de Cascais, nos arredores de Lisboa. O corpo de Bernardo Sassetti foi encontrado na quinta-feira, pela polícia marítima, na zona do Abano, no Guincho.

“Era, na minha opinião, o maior compositor de música contemporânea portuguesa e um ser humano verdadeiramente extraordinário com quem se podia partilhar muitas e muitas aventuras, dentro e fora dos projetos que fazíamos juntos, e era de fato um gênio impossível”, disse Marco Martins.

Considerado um dos mais criativos pianistas da sua geração, Bernardo Sassetti nasceu em Lisboa a 24 de junho de 1970. Bisneto de Sidónio Paes e sobrinho-neto do compositor Luís de Freitas Branco, o pianista e compositor era casado com a atriz Beatriz Batarda, com quem tinha duas filhas. Começou a estudar piano aos nove anos. Teve formação clássica, mas foi no jazz que fez caminho, influenciado por Bill Evans e Keith Jarrett.

O percurso, feito desde os 18 anos, quando começou a tocar com Carlos Martins e com o Moreiras Quartet, foi transversal na música portuguesa, tendo trabalhado com músicos de jazz, de fado, de pop rock e de hip hop.

Entre os últimos registos do pianista contam-se “Carlos do Carmo – Bernardo Sassetti”, uma participação no disco “Mútuo Consentimento”, de Sérgio Godinho, e “3 Pianos”, com Mário Laginha e Pedro Burmester, com apresentação inclusiveem São Pauloe registrada pelo Mundo Lusíada.

Trabalhou com diretores portugueses e estrangeiros e compôs para o filme “O talentoso mr. Ripley”, de Anthony Minguella, assim como para “A costa dos murmúrios”, de Margarida Cardoso, e “Um amor de perdição”, de Mário Barroso.

 

Três Pianos 

Para o pianista Pedro Burmester, Bernardo Sassetti “não morre”, sendo um músico imortal, capaz de palavras e gestos sem precedentes e sem possível repetição. “O Bernardo não morre”, é a primeira frase de Pedro Burmester numa mensagem enviada por escrito à Lusa, acrescentando que o pianista de 41 anos era uma daquelas “pessoas raras que conhecem e sentem muitos mistérios do mundo”, que nunca morrem.

O pianista portuense declarou que o desaparecimento de Sassetti “é uma perda irreparável”, mas não deixa margem para dúvidas acerca da marca do compositor: “É um músico imortal”.

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