Marinha Brasileira e IHGSP promovem cerimônia sobre 200 Anos

Por Vanessa SeneDo Jornal Mundo Lusíada

 

Mundo Lusíada

>> Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Real do Brasil, recebeu homenagem entregue por comandantes do 8º Distrito Naval, São Paulo.

A Marinha do Brasil e o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP) promoveram, conjuntamente, uma solenidade alusiva aos 200 anos da vinda da família real portuguesa ao Brasil e criação do Corpo de Fuzileiros Navais.

Os palestrantes do evento abordaram não apenas a mudança da família real para o Brasil-colônia como o surgimento da Marinha Brasileira, segundo eles, resultado de uma ação estratégica que o país necessitava. Foi mostrado ainda que a corte portuguesa não foi responsável pela fundação do Corpo de Fuzileiros Navais, mas que se deu através de uma iniciativa conjunta entre portugueses, brasileiros e ingleses, contrariando alguns historiadores. O nascimento da Marinha no país aconteceu por uma força própria, defendeu o palestrante historiador da UFRJ, e Capitão-de-Mar-e-Guerra, Francisco Eduardo Almeida.

Nesta quarta-feira, 24 de setembro, o 8º Distrito Naval em São Paulo recebeu convidados e personalidades, como o príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Real do Brasil, quem afirmou que o país cresceu e manteve-se na sua dimensão graças ao Corpo de Fuzileiros. Ainda, participaram do evento o vice-Almirante Terenilton Souza Santos, comandante do 8º Distrito Naval, os comandantes Antonio Carlos Mendes e Sergio Caldas Restier Gonçalves, o historiador e professor Kenneth Light, a professora Georgette Nacarato Nazo (Centro Cultural da Marinha em São Paulo), além do Cônsul de Portugal em São Paulo, Guilherme Queiros de Ataíde.

Ao Mundo Lusíada, a presidente do IHGSP, Nelly Martins Ferreira Candeias disse estar “entusiasmada” pela realização do evento em conjunto com a Marinha brasileira. “Melhor não poderia ter sido, estou muito feliz. E acho que comemoramos à altura dos esforços que tanto os portugueses como os brasileiros fizeram para criar essa nação maravilhosa que é o Brasil”.

Para a presidente, defensora da memória luso-brasileira, as comemorações dos 200 anos da vinda da corte, em 2008, permitiram novas perspectivas da história. “Durante este ano, as publicações, as conferências, as palestras foram muito importantes para que se tenha uma idéia do que aconteceu de fato, historicamente, com fatos documentados. E não palpites que um ou outro dá sem fundamentação histórica. Eu achei que esse ano contribuiu para que todos se interessassem pelo Século XIX”.

Após a solenidade, foi aberta uma exposição reunindo condecorações do período imperial no Salão Nobre, ofertadas pelo Dr. Celso Figueiredo Filho, e documentos da época, uma oferta de Paulo Renato Leite Castro.

DiscursoEste foi o terceiro evento promovido pelo IHGSP, no âmbito das comemorações do bicentenário, depois da realização de uma cerimônia no salão nobre da Faculdade de Direito com um público de 700 pessoas, no mês de março, na qual homenageou diversas personalidades com o Colar do Bicentenário da Vinda da Família Real para o Brasil (criado por decreto do governador José Serra), além da sessão em homenagem aos 200 Anos da Imprensa Brasileira, em 27 de setembro.

Em seu discurso, a historiadora falou sobre o “clima de gratidão e respeito” em ambos os eventos, recordando benefícios trazidos ao Brasil pela corte portuguesa, e não por um Dom João “injustamente definido como uma pessoa incompetente por historiadores superficiais” defendeu. “Até hoje, surpreendem-se os historiadores do mar com os entendimentos diplomáticos e planos logísticos de um empolgante segredo de estado, mantido com rigoroso sigilo por um monarca competente e bem intencionado, que protagonizaria momentos decisivos da história luso-brasileira. Era difícil manter o sigilo àquela altura, com espiões de um lado e do outro, principalmente nas capitais ibéricas. Esse segredo de estado rompeu o bloqueio continental, alterou o rumo da história das nações e contribuiu para a definitiva derrota de Napoleão na Europa e nas Américas”.

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