Livro destaca “maravilhas” da azulejaria entre Brasil e Portugal

Por Igor Lopes

Ensino, aprendizagem, arquitetura e história são os pontos tratados no livro “Desenhadores e Azulejeiros”, de autoria do casal brasileiro Clara e Hamilton Malhano. Lançada em setembro deste ano, numa cerimônia no restaurante Costa Verde, na Casa do Minho do Rio de Janeiro, a obra, publicada pela editora Synergia, se destaca por ser “um estudo sobre dois artistas portugueses e o ensino da arte de azulejar no Brasil”.

Em entrevista à nossa reportagem, Clara Malhano falou sobre a confecção do livro, mencionou o trabalho do marido, já falecido, sublinhou a importância dos azulejos como patrimônio histórico e ressaltou a homenagem a Jorge Colaço e a Manuel Félix Igrejas.

Como nasceu a ideia do livro?

Conhecemos o senhor Manuel Félix Igrejas frequentando a Casa do Minho, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Já havíamos escrito o livro “São Januário – Arquitetura e História” e, então, já tínhamos apreciado o seu trabalho no Estádio de São Januário. Daí nasceu a nossa admiração por esse artista autodidata e sensível.

Como foi trabalhar com o seu marido nessa obra? 

Começamos a verificar o ensino da azulejaria no Brasil. Surgiu, assim, a nossa vontade de produzir um trabalho que, através da biografia de dois grandes artistas como o Jorge Colaço e Manuel Igrejas, de formação diferentes, mas de linguagem nacionalista, nem por isso de valores estéticos e harmônicos diferentes. Iniciamos essa pesquisa quando o senhor Igrejas ainda morava no Rio de Janeiro e dirigia a Casa do Minho. Entrevistei-o algumas vezes e frequentávamos também a sua casa e atelier. Soube da sua trajetória de artista e trabalhador com a arte de azulejar.

Sobre Jorge Colaço, fiz contato com alguns locais em Portugal, onde há trabalhos desse artista, para obter dados biográficos. Naquela ocasião, não havia muitas informações biográficas dele. Hoje, ele faz parte do site Wikipedia e houve, em fevereiro deste ano, um simpósio em homenagem aos 150 anos de Jorge Rey Colaço, no Museu de Sacavém, em Portugal.

A análise do ensino da azulejaria no Brasil e da sua relação com a arquitetura neocolonial a modernista foi feita pelo meu esposo, Hamilton Botelho Malhano, que era arquiteto graduado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense (UFF), graduado em Museologia pelo Smithsonian, mestre em Antropologia da Arte pela Escola de Belas Artes da UFRJ e doutorado pela mesma universidade.

Qual é a importância desse trabalho?

A importância de se tratar da arte de azulejar e o seu ensino no Brasil é importante, sem dúvidas, porque há pouca pesquisa sobre o assunto. Porém, considero esse livro uma homenagem à própria divulgação da biografia do senhor Igrejas. Esse foi o motivo maior para publicar a pesquisa. Nos dirigimos à casa do Professor-Doutor Nireu Cavalcanti, arquiteto, urbanista, historiador e colunista do jornal O Globo, com o livro digitado para convidá-lo a escrever o prefácio. Quinze dias depois, o meu esposo Hamilton veio a falecer. Imediatamente, providenciei a publicação do livro, porque sempre foi o nosso desejo que o senhor Igrejas tivesse a sua biografia registrada como artista e português, mesmo sendo radicado, desde 1952, no Brasil.

Que momentos destaca na obra?

Destacamos a biografia do senhor Manuel Felix Igrejas como artista e a análise do ensino dessa arte no Brasil.

Como avalia o trabalho do senhor Igrejas?

Ele marcou, com a sua produção azulejar, vários prédios do Rio de janeiro e outros estados com pinturas de cunho nacionalista em painéis relativos aos grandes navegadores, paisagens bucólicas, folclóricas. Destaco as figuras de convite, onde homenageia algumas pessoas importantes.

De onde vem esse amor pelos azulejos e pelo patrimônio histórico?

Trabalhei no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) do Brasil como pesquisadora e as minhas publicações são quase todas relativas ao tema. Quanto à azulejaria, arte que sempre admirei, fiz, em 2004, um curso básico.

Que projetos tem para o futuro?

Continuar a estudar pintura e a pesquisar outros temas.

Fale um pouco sobre o seu currículo…

Sou graduada em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), tenho mestrado em História da Arte pela Escola de Belas Artes da UFRJ e doutorado pelo Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ.

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