Geógrafo Miguel Bastos Araújo é o vencedor do Prêmio Pessoa 2018

Da Redação
Com Lusa

O geógrafo Miguel Bastos Araújo é o vencedor do Prêmio Pessoa, foi anunciado nesta sexta-feira pelo presidente do júri, Francisco Pinto Balsemão, no Palácio de Seteais, em Sintra.

“O Prêmio Pessoa pretende representar uma nova atitude, um novo gesto, no reconhecimento contemporâneo das intervenções culturais e científicas produzidas por portugueses”, refere a organização em nota de imprensa.

O Prêmio Pessoa, no valor de 60 mil euros, é uma iniciativa do semanário Expresso e da Caixa Geral de Depósitos. O galardoado já recebeu cumprimentos do presidente português, em nota divulgada pela Presidência.

A distinção foi por um “mérito científico” no trabalho sobre biodiversidade, clima e geografia, e as “áreas científicas que trata são de absoluto interesse público”, afirmou Viriato Soromenho Marques, do júri.

“Um grande cientista, com uma vasta obra muito referenciada, é dos mais citados autores portugueses na literatura científica. Há um mérito científico. As áreas científicas que trata são de absoluto interesse público”, disse Soromenho Marques aos jornalistas.

No entender de Viriato Soromenho Marques, Miguel Bastos Araújo trabalha as questões das alterações climáticas, da macroecologia “há muitos anos, e que se tornam críticas devido à situação” em que nos encontramos hoje, de falta de consenso internacional sobre os problemas das alterações climáticas.

Segundo este elemento do júri, Miguel Bastos Araújo, nascido em 1969, licenciado em Geografia, é um “investigador já maduro, embora jovem, muito reconhecido internacionalmente, que nunca deixou o país”, pelo que o prêmio dará maior visibilidade ao percurso científico “que é invisível do grande público”.

A Universidade de Évora (UÉ) congratulou-se com a “justa atribuição” do Prêmio Pessoa ao geógrafo que é professor e investigador-coordenador convidado da academia alentejana e “um dos cientistas portugueses mais destacados da atualidade”.

Segundo a reitora da UÉ, Ana Costa Freitas, citada no comunicado, a atribuição do prêmio, “além de ser evidentemente justa”, também “reconhece a importância do cientista” e “a relevância da área científica Alterações Climáticas e Biodiversidade no mundo atual”.

Miguel Bastos Araújo licenciou-se em Geografia, na Universidade Nova de Lisboa, em 1994, e, na University College London (Inglaterra), obteve o mestrado em Conservação, em 1996, e o doutoramento em Geografia, em 2000.

Na Universidade de Évora, o investigador é titular da Cátedra Rui Nabeiro de Biodiversidade, “a primeira cátedra financiada com fundos privados em Portugal”, e é diretor do Polo de Évora do Laboratório Associado InBIO.

Miguel Bastos Araújo é “internacionalmente reconhecido como líder científico em biogeografia, macroecologia e modelação ecológica, tendo-se destacado pela originalidade e impacto da sua investigação nas áreas da biodiversidade e das alterações climáticas globais”, realçou a UÉ.

Segundo a universidade, um artigo recentemente aceite pela revista “Science Advances”, da autoria de Bastos Araújo e de outros investigadores, “culmina 20 anos de trabalho com a proposta de ‘standards’ para modelos de biodiversidade em processos de decisão política”.

O “mérito científico” das suas contribuições “é amplamente reconhecido”, sendo prova disso os “diversos prêmios internacionais que obteve nos últimos cinco anos”, o mais recente deles o Ernst Haeckel Prize 2019, atribuído pela primeira vez a um português pela European Ecological Federation.

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