Entrevista: Vinda da família real era plano secreto de D. João

Mundo Lusíada

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>> Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Real do Brasil.

O príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Real do Brasil, um dos homenageados no evento promovido pela Marinha do Brasil e IHGSP, em entrevista ao Mundo Lusíada falou sobre a vinda da família real ao país como um plano estratégico e há muito tempo preparado, em segredo, pela corte portuguesa. De acordo com o herdeiro do trono imperial, a vinda da corte era, não só já planejada, como um plano “perfeito e acabado” de formar o Brasil em um grande império.

Ao Mundo Lusíada, Dom Luiz de Orleans e Bragança afirmou que as comemorações da vinda da família real significaram para o Brasil como “um atestado de nascimento”. “D. João deu todas as estruturas políticas, subsidiárias, militares, culturais para formar um grande império. E ele veio com este plano. Basta dizer que chegando na Bahia tomou várias medidas: abertura dos Portos, Companhia de Navegação, formação de dois regimentos de cavalaria, um de artilharia, mandou fazer uma fábrica de pólvora, mandou abrir estradas para o sertão, isso só na Bahia. Chegando no Rio também, o que mostra que ele tinha um plano perfeito e acabado de formar um grande império”.

De acordo com ele, desde o século XVII, D. João IV já pensava em transferir a capital do império luso para a então colônia, numa época em que o príncipe herdeiro de Portugal ganhava o título de Príncipe do Brasil. “D. João VI só fez realizar este plano” defende. “Ele viu que o único jeito de preservar, não só a independência de Portugal mas a unidade deste grande país que é o Brasil, era vindo e se estabelecendo aqui, e não se deixando perder pelas tropas de Napoleão”.

Enquanto isso, em Portugal houve um “típico chorinho português” entre a população da época, brincou D. Luiz de Orleans. Mas defendeu a corte portuguesa, citando como uma ação benéfica para Portugal. “Se a família real tivesse ficado, ela seria capturada pelas tropas de Napoleão como os reis da Espanha o foram. Portugal perderia a sua independência, e colônias portuguesas se perderiam também. O império português se desfaria”.

ESTRATÉGIA“Não é em três dias que se arma uma esquadra, uma tropa de navios mercantis e se transportar 10 à 15 mil pessoas de um país para outro, junto com arquivos nacionais, toda a estrutura de governo, biblioteca. Isso não se faz em três dias, era um plano já muito elaborado, preparado em segredo, como D. João VI sabia fazer. Uma coisa dessa magnitude leva meses de preparação”.

CARACTERIZADO“D. João foi muito caracterizado durante anos, mas há um dito francês que diz ‘expulse o natural que ele voltará galopando’, e a verdade também volta galopando. Hoje em dia está se fazendo justiça com a personalidade de D. João VI, não é aquele rei bobo e comilão que não sabia o que queria, mas um homem sábio, com grande visão de estadista, hábil político com muita visão de futuro e que nos deu as estruturas de permitir a D. Pedro I fundar o império do Brasil”.

PRIVILÉGIO“O Brasil teve um privilégio enorme de ter sido descoberto por portugueses, colonizado por portugueses e sua nacionalidade formada por portugueses, associado com outras raças que aqui vieram ou estavam. Mas a nossa característica, cultural e religiosa principalmente, veio de Portugal. E deu a nosso país uma característica única, que é a capacidade de acolher todos os outros povos com boa vontade”.

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