Por Ígor Lopes
Do Rio para Mundo Lusíada

Durante a sua palestra no Real Gabinete, no último dia 8, Daniel falou sobre “A especificidade da imprensa de Macau no século XIX e a Literatura portuguesa”, tendo como pano de fundo uma descrição da pequena cidade de Macau que, no passado, teve um papel fundamental na região onde está inserida. Sobre a imprensa, o especialista fez uma comparação entre a comunicação em inglês e em português ao longo do século XIX, nessa cidade Oriental, que, em 1999, foi devolvida à China. O professor, que é autor de um “Dicionário da Imprensa de Macau”, que ainda vai ser lançado, viveu nessa cidade chinesa por três anos, entre 1987 e 1990, onde atuou na Universidade de Macau, e, mais tarde, ensinou na Universidade de Cantão, a cerca de 120 quilômetros de Hong Kong.
“Foi uma experiência riquíssima. A realidade Oriental é completamente distinta da realidade Ocidental. Estamos em contato diariamente com tradições e costumes diferentes”, refere Daniel, que assegura que a questão cultural foi o fator mais marcante dessa sua passagem pela China, sem falar na religião, já que o Budismo predomina, e na língua. Embora o português divida com o Mandarim o status de língua oficial na região, é preciso “aprender um pouco de cantonês”.
Daniel deu especial atenção à literatura portuguesa, apresentando autores lusos que tiveram grande influência em Macau, como Camões, Camilo Castelo Branco ou Padre Antônio Vieira, além de nomes mais contemporâneos.
“Visita agitada”
Daniel esteve no Brasil pela terceira vez. A primeira oportunidade foi em 2003, depois, em 2005, e, agora, passou por São Paulo, onde participou no Congresso Internacional sobre Camilo Castelo Branco, na USP, além de ter visitado o interior do Estado. No Rio, Daniel esteve no Real Gabinete, local que diz ser um “catalizador da língua portuguesa”. A sua passagem pela cidade maravilhosa teve parada obrigatória também na faculdade CCAA, onde apresentou uma palestra sobre Manuel Maria Barbosa du Bocage, poeta português com forte presença na literatura lusitana do século XIX.
“Falei para pessoas que conhecem pouco sobre o Bocage. Mostrei o poeta e o fato das piadas não terem nada a ver com o Bocage. Falei também sobre a filosofia de vida dele. O Bocage também tem a fama das anedotas em Portugal, mas pessoas com mais conhecimento sabem que ele é um grande poeta. O Bocage era genial”, atesta Daniel.
Doutor em cultura portuguesa
Daniel Pires é Doutor em Cultura Portuguesa pela Universidade de Lisboa e autor de importantes estudos sobre Camilo Pessanha, Wenceslau de Moraes e sobre a imprensa periódica literária em Portugal. Daniel atuou ainda nas universidades de Glasgow e de Goa. Foi professor também em São Tomé e Príncipe e em Moçambique.
O professor colaborou no Dicionário de História de Portugal e no Dicionário de Fernando Pessoa, além de fazer parte da comissão que dinamizou as comemorações do bicentenário de Bocage, em 2005.