Compositor luso estréia obra no Rio de Janeiro em agosto

Da Agencia Lusa

 

Foto Lusa Portugal

>> Compositor português, Eurico Carrapatoso vai compor uma obra para os 200 anos da chegada da Família Real portuguesa ao Brasil e o estabelecimento da Corte no Rio de Janeiro, Lisboa, 12 de Agosto de 2008.

A Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro convidou o compositor português Eurico Carrapataso a produzir uma obra comemorativa aos 200 anos da chegada da Família Real portuguesa ao Brasil e ao estabelecimento da Corte no Rio de Janeiro.

A estréia está marcada para o dia 23 de agosto, na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro (RJ), interpretada pela Orquestra Sinfônica Brasileira, com direção de Flavio Florence.

Carrapatoso, 46 anos, tem uma carreira estabelecida “fundamentalmente intra-muros" e, "de uns tempos para cá, alguma expressão também extra-muros".

Com uma vasta e aplaudida obra no currículo, a encomenda confirma uma "tendência dos últimos tempos": a música portuguesa está se firmando "paulatinamente no estrangeiro". Várias obras de sua autoria foram ou estão com interpretações agendadas nos Estados Unidos, Finlândia, Rússia, Alemanha, Espanha, Austrália.

Tendo como mote “a abertura dos portos marítimos brasileiros às nações amigas”, decreto de D. João 6° de 28 de janeiro de 1808, assinado após sua chegada ao Brasil, Eurico Carrapatoso deu à música o título “Tempus fugit” (O tempo foge).

Justifica sua obra ao dizer que o tempo “fugiu a D. João 6° e à sua corte, nas enormes tensões da apressada viagem para o Brasil”, fugia nas “enormes tempestades” ao largo da Madeira, “quase não fugia na terrível calmaria que parou por meio mês” o grupo onde navegava o rei, fugia no desembarque na Bahia, fugia “também para os escravos, súditos, nativos brasileiros".

O tempo fugiu também para o compositor. Licenciado em História, quando ainda “não sabia uma nota de música”, falava com seus alunos sobre o casal real, D João 6° e Carlota Joaquina, há 25 anos e, “numa elipse da vida”, viu-se colocando-os em perspectiva musical “no seu significado histórico” através da sua “psique de compositor num tempo musical que é, mais do que qualquer outro, um tempo que foge”.

Segundo o compositor, ”Tempus fugit”, que foi completada dentro do prazo, é uma obra musical para grande orquestra sinfônica que exigirá audição atenta, sem dispersões ou falhas, sem fugas do tempo.

Para Eurico Carrapatoso, "mergulhar" como mergulhou nesta "grande banheira musical com jacuzzi e tudo", implicou em "uma dramática inflexão, quanto mais não seja ao nível do esforço exponenciado de escrever para 37 pentagramas simultâneos, em vez de escrever para os usuais quatro pentagramas.

"Na substância, não houve qualquer inflexão no meu discurso musical: tento não confundir a transcendência do meio com a transcendência do fim, esta, sim, o meu verdadeiro Graal e, quero acreditar, de qualquer compositor que se preze".

Eurico Carrapatoso, que estará presente na estréia, recorda que João Guilherme Ripper, diretor do espaço cultural carioca voltado para música erudita e autor do convite, disponibilizou “o orgânico completo da orquestra sinfônica: uma lista imponente dos instrumentos da Orquestra Sinfônica Brasileira, do extremo agudo ao extremo grave, de todas as madeiras à grande artilharia de metais, das cordas e todas as percussões”.

Além de Carrapatoso, que desfruta de um 2008 “auspicioso”, fontes do meio atestam que cada vez mais compositores portugueses, por convite, encomenda, participação em concursos, em festivais, em residências artísticas, estão mostrando "lá fora", no exterior, suas obras.

Os profissionais portugueses, entretanto, buscam compreender a dinâmica dos apoios e estímulos que têm ocorrido no meio musical para, com as informações em mãos, projetar tendências e suas chances de continuidade.

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