Carta de menino português recebe medalha de prata em concurso mundial

Da Redação

O português José Duarte, de 10 anos, venceu a medalha de prata do 47º Concurso Internacional de Redação de Cartas para Jovens da União Postal Universal, UPU.

Os vencedores foram escolhidos numa competição global, que envolveu cerca de 60 países e mais de 1,2 milhão de crianças entre os 9 e os 15 anos.

O tema da competição deste ano foi “Imagine que é uma carta viajando no tempo. Que mensagem deseja transmitir aos seus leitores?”

Para concorrer, as cartas tinham que estar escritas em inglês ou francês. Leia aqui, na integra, a carta escrita por José Duarte traduzida pela ONU News:

Nome completo: José Duarte

Idade: 10 anos
País: Portugal
Terra da Esperança, 1 de janeiro de 2020

Meu querido amigo
Olá! Eu sou a Ângela, uma carta muito viajada.
Decidi contar-te a minha aventura.
Tudo começou há muitos anos, quando dois colegas e amigos terminaram o 4º ano.
O Marco ia com a sua família para um novo país, longe, cheio de montanhas cobertas de neve.
O Miguel ficaria na mesma aldeia, na mesma casa com os pais e avós.
Ao dizerem adeus, o Miguel disse:
– Assim que chegares na tua nova casa, não te esqueças de escrever!
– Prometido!, respondeu o Marco, sorrindo, beijando seu cão já no carro cheio de malas.
Passaram-se dois meses e a escola começou. Tudo era novo para o Marco. O país, a casa, a escola, a língua e os colegas. Então ele pensou em escrever para o seu amigo Miguel.
E foi assim que eu nasci. Uma linda carta para o Miguel.
Fui colocado num envelope com um selo muito bom: uma imagem de um campo com vacas malhadas e uma montanha coberta de neve no fundo.
Viajei de avião e senti-me importante.
Depois de uma semana, o carteiro deixou-me na caixa de correio do Miguel. No entanto, naquele dia, ninguém veio me buscar. Os dias passaram e outras coisas caíram em mim. Fiquei triste.

Finalmente, alguém abriu a caixa e retirou-nos a todos, colocando-nos numa mesa. As outras cartas foram escolhidas uma por uma.
Eu fiquei sozinho e esquecido, debaixo da mesa. E assim, fiquei por anos, vendo a luz através das fendas das janelas, ouvindo os pássaros lá fora.
Um dia acordei cedo com grande comoção na casa. Quando ouvi crianças, pensei que era finalmente o Miguel e que a carta chegaria ao destinatário …
– Mãe, há uma carta velha aqui na mesa. Coloco na caixa? -, perguntou a menina.
– Deixe aquela, Ana, está cheia de poeira. Vá para a cozinha e termine de comer o bolo. – respondeu a mãe.
Mas a menina, curiosa, pegou em mim com os dedos cobertos com bolo de chocolate e me afastou dos seus livros. Hmm … Foi assim que aprendi que o chocolate é tão bom e que os livros cheiram bem …
Fiquei em um livro por muitos anos até que um dia a Ana, já mulher, decidiu oferecer todos os livros dos seus filhos para uma associação perto da sua universidade.
E aqui estou eu, toda feliz viajando de comboio. Nunca viajei assim.
Chegando à cidade estudantil, ainda em um livro escrito por um tal de Júlio Verne, entrei em uma caixa cheia de outros livros, construindo cenários e estatuetas.
E fiquei até que a Fátima me veio buscar. Essa menina era como Marco; também estava com a sua família em um país estranho, em uma escola estranha e sem saber falar a língua. Ela gostou da capa do livro: um balão de ar quente grande e colorido.
Ela decidiu trazer o livro para a escola, com a ajuda da professora, para aprender um pouco mais e sonhar com um futuro feliz, longe dos conflitos do seu país de nascimento.
Ela colocou o livro na mochila e no dia seguinte fomos à escola de bicicleta. Foi ótimo, nunca tinha andado de bicicleta!
Quando Fátima estava na escola folheando o livro, eu caí. Ela me pegou com cuidado e admirou o meu lindo selo postal com as vacas malhadas e duas estampas de chocolate.

Não sabendo o que fazer comigo, ela decidiu mostrar-me para a professora, que ficou muito curiosa.

Meu amigo leitor, não vai acreditar! A professora ficou tão curiosa que me levou para casa.
– Miguel, olha o que estava em um livro – ela disse ao marido.
– Mas esta carta é para mim, Miguel Mala-Posta sou eu. E o endereço é o da antiga casa dos meus avós na aldeia – respondeu o marido com entusiasmo …
Miguel? Ele seria o Miguel que eu estava procurando há 30 anos? Bem … Mala-Posta é um sobrenome especial. Como isso é possível? Essas coisas acontecem na vida …
De repente, Miguel leu a carta de seu amigo Marco e escreveu uma resposta. Felizmente, Marco ainda morava na mesma casa, naquele país com neve, e o encontro ficou marcado.
Os dois amigos finalmente se reuniram novamente.
Quanto a mim … agora estou emoldurada e colocada com destaque numa parede da sala de estar.
Sempre tive a esperança de chegar ao destino.
Nunca parei de sonhar.
Não pare também, meu amigo.
Grandes beijos.

Ângela

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