Camané, Mário Laginha e Maria Mendes nomeados para os Grammy Latinos

Da Redação
Com Lusa

Os músicos portugueses Camané e Mário Laginha e a cantora Maria Mendes estão nomeados para os prêmios de música Grammy Latinos 2020, segundo a lista de nomeados divulgada nesta terça-feira.

O fadista Camané e o pianista Mário Laginha estão indicados na categoria de “Melhor Álbum de Raízes” em língua portuguesa, com o disco “Aqui está-se sossegado”, a partir do repertório de fado.

“Aqui está-se sossegado” começou por ser um projeto de atuações ao vivo de Camané com o pianista Mário Laginha, desenhado em finais de 2018, e o álbum só viria a ser editado em novembro de 2019.

O alinhamento dos concertos contava com cerca de duas dezenas de canções, saídos do cânone fadista tradicional, do repertório de Camané, e incluiu inéditos compostos por Mário Laginha.

Em dezembro de 2018, Camané explicava que o fado, quando começou, era tocado ao piano. “Só mais tarde se tornaria [ao fado] mais fácil tocá-lo” com “a guitarra portuguesa, a viola… primeiro, a guitarra portuguesa, depois, passados muitos anos, a viola e depois o baixo e o contrabaixo”.

Neste álbum, Camané e Mário Laginha interpretam, por exemplo, “A Casa da Mariquinhas” (João da Silva Tavares / Alfredo Marceneiro), “Com que voz” (Luís de Camões/Alain Oulman), “Abandono” (David Mourão-Ferreira/A. Oulman) e o inédito “Rua das Sardinheiras”, de Maria do Rosário Pedreira e Mário Laginha.

A cantora de jazz Maria Mendes está indicada para o Grammy Latino de “Melhor arranjo”, com o tema “Asas Fechadas”, de Amália Rodrigues, que gravou no álbum “Close to me”, com John Beasley e a Metropole Orkest da Holanda, lançado em outubro de 2019.

“Close to me” é o terceiro disco da cantora portuguesa, radicada há mais de uma década na Holanda, e o primeiro totalmente cantado em português.

Em entrevista à agência Lusa, quando o álbum saiu, Maria Mendes recordou que a ideia de “pegar no fado e no folclore português, e tê-los como ponto de partida para um conceito criativo musical mais moderno e mais conceptual”, surgiu na sequência de um convite para integrar as festividades do Dia do Jazz, em Roterdão.

“Pediram-me que pegasse num tema folclórico holandês, de Roterdão, e desse uma reviravolta para jazz e eu decidi fazer uma composição mais longa, adaptando o ‘Barco Negro’ juntamente com esse tema holandês”, recordou.

Entre os 11 temas que compõem o álbum há adaptações de alguns fados “menos conhecidos”, como “Asas Fechadas”, de Amália – agora nomeado para os Grammy Latinos – , e outros “um bocadinho mais óbvios”, como “Foi Deus” e “Tudo isto é fado”, da mesma fadista.

Além de Maria Mendes e do trio que a acompanha há cerca de dez anos, o disco conta com a participação da Metropole Orkest, orquestra holandesa de jazz sinfônico.

A decisão de incluir a orquestra surgiu no momento final da adaptação musical e arranjos, que Maria Mendes partilhou com o produtor do álbum, John Beasley, “um dos maiores produtores e diretores musicais de jazz internacional”.

A 21.ª edição dos Grammy Latino, com o colombiano J Balvin a liderar as nomeações em 13 categorias, decorrerá a 19 de novembro.

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