Brasil e Portugal promovem novo curso de português na escola das Nações Unidas

Mundo Lusíada
Com Lusa

Um novo curso de português vai começar ainda este ano na escola das Nações Unidas, em Nova Iorque, como resultado de uma ação conjunta entre o Brasil e Portugal, anunciou em Lisboa, o ministro de Negócios Estrangeiros português.

O ministro Augusto Santos Silva falava numa conferência de imprensa de imprensa com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Lisboa, após um encontro entre os dois governantes, no qual vários assuntos foram debatidos, das relações bilaterais e multilaterais, incluindo a Venezuela.

“É sempre um gosto para qualquer governo português receber o ministro das Relações Exteriores do Brasil, qualquer que seja o ministro de qualquer executivo”, começou por dizer Santos Silva no início da conferência de imprensa.

Segundo ele,era “em particular um gosto adicional” receber o “amigo Aloysio Ferreira”, cuja ligação a Portugal “leva muito tempo e com muita intensidade e com o qual temos trabalhado muito bem em vários tópicos, quer da agenda bilateral quer da agenda multilateral”.

Na agenda bilateral, disse Santos Silva, “eu destacaria a colaboração crescente entre vários organismos e, em particular, entre o Instituto Camões e a Rede Brasil na promoção em conjunto da língua portuguesa”.

“Nós hoje podemos constatar e estabelecer que a nossa próxima iniciativa conjunta na promoção da língua portuguesa ocorrerá ainda este ano. Ainda este ano se iniciarão cursos de português na escola das Nações Unidas em Nova Iorque”, acrescentou.

Aloysio Nunes Ferreira, que termina neste dia 10 uma visita de dois dias à capital portuguesa, já tinha acompanhado esta terça-feira o seu homólogo português na inauguração da exposição itinerante “A Língua Portuguesa em Nós”, no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), no edifício Central Tejo.

A mostra convida o público a um passeio pela história e presença da língua portuguesa no mundo, por meio de recursos audiovisuais e interativos. A mostra conta com o apoio do Itamaraty e já percorreu Cabo Verde, Angola e Moçambique. Depois de Lisboa, a exibição permanecerá por três anos em Óbidos, uma das cidades literárias da UNESCO.

No evento o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva destacou que a língua portuguesa representa, como “matéria para a atividade econômica”, quase 17% do Produto Interno Bruto de Portugal, o equivalente a 30 mil milhões de euros por ano.

“A língua portuguesa é também de trabalho, é um valor econômico de nós todos”, disse o governante.

Agenda

Em pauta, foram tratados os temas mais importantes da agenda bilateral, tais como a crescente cooperação nas áreas de comércio e investimentos, ciência, tecnologia e inovação, defesa, cultura e educação.

Caso emblemático da cooperação bilateral em projeto de alto conteúdo tecnológico é o desenvolvimento da aeronave de transporte militar KC-390, que terá cerca de 25% das peças fabricadas em Portugal e posteriormente enviadas ao Brasil para montagem final, segundo o ministério brasileiro.

Os ministros também abordaram as negociações comerciais entre o Mercosul e a União Europeia e temas de interesse comum das agendas regional e global, além da parceria na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e na Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB).

Em 2017, o comércio bilateral atingiu US$ 2,2 bilhões, maior valor desde 2012. Estima-se haver atualmente cerca de 600 empresas portuguesas ou de capital português atuando no Brasil.

17% do PIB

Augusto Santos Silva destacou que a língua portuguesa representa, como “matéria para a atividade econômica”, quase 17% do Produto Interno Bruto de Portugal, o equivalente a 30 mil milhões de euros por ano.

“A língua portuguesa é também de trabalho, é um valor econômico de nós todos”, disse o governante, na inauguração da exposição, com a presença do ministro Aloysio Nunes Ferreira.

Augusto Santos Silva lembrou que um estudo estimou “um conjunto de atividade econômicas cuja matéria-prima é o português, que vai desde as artes literárias performativas até à indústria do cinema, da edição didática e pedagógica até ao mundo da televisão ao audiovisual”.

O ministro referiu que “a estimativa de todos estas atividades” em Portugal levam a “um número próximo de 17% do PIB, o que quer dizer que, a preços atuais, a língua, matéria para atividade econômica, vale por ano pelo menos 30 mil milhões de euros”.

Porém, o titular da pasta dos Negócios Estrangeiros, que aludiu à importância afirmou que a língua portuguesa “é das pessoas, depois da cultura, especificamente da literatura, e só depois é uma língua econômica”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros acentuou também que “é uma língua de afirmação internacional e de comunicação internacional e é esta flexibilidade e polivalência que faz a sua força”.

“Se Fernando Pessoa pôde dizer que a língua portuguesa era a sua pátria e se Vergílio Ferreira pôde dizer que da língua portuguesa se via o mar, acho que nós todos – os portugueses, os brasileiros, os angolanos, os guineenses, os são-tomenses, os moçambicanos, os cabo-verdianos e os timorenses – podemos todos dizer que da língua portuguesa, que é a nossa língua comum, se vê hoje o futuro”, disse.

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