São Tomé quer ação contra efeito estufa e Moçambique pede parceria contra crise alimentar

Presidente Fradique de Menezes afirma que aquecimento global tem afetado o país e pede apoio para cumprir as Metas do Milênio. Para Moçambique, África precisa reforçar a Revolução Verde, lançada no seu país em 2007.

Por Mônica Villela Grayley Da Rádio ONU em Nova York

Fotos: UN Photo/Marco Castro/Erin Siegal

>> Presidente de Moçambique, Armando Emílio Guebuza, na Assembléia Geral da ONU. AO LADO >> Presidente de São Tomé e Príncipe, Fradique Bandeira Melo de Menezes, na sede da ONU em Nova York.

O presidente de São Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes, afirmou que o país tem registado alguns avanços no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Mas segundo ele, ainda há um caminho a percorrer no combate à pobreza e à fome. Menezes também lançou um apelo para mais ação contra os efeitos do aquecimento global, que diz estarem a ameaçar o arquipélago.

A declaração foi feita durante os debates da Assembléia Geral da ONU, em Nova York. Segundo o líder são-tomense, com a ajuda do Brasil, o país africano tem conseguido vencer a luta contra o HIV/Sida.

"Temos procurado garantir a todos os tratamento anti-retroviral, gratuito e assistido, graças às ajudas que temos recebido da República Federativa do Brasil. Uma política educacional de propaganda agressiva de prevenção e apologista do sexo seguro estão em curso", explicou.

Fradique de Menezes afirmou que partes do seu país têm sido afetadas por ondas gigantes superiores a três metros. Um fenômeno que não se registrava há mais de um século.

"De acordo com os registros dos últimos 110 anos não houve ondas superiores a três metros junto a costa. Contudo, nos últimos 10 anos ondas gigantes têm vindo a invadir as rodovias costeiras, isolando temporariamente regiões do país. Nunca é demasiado, voltar a lançar um vibrante apelo, tal como já o fiz, aos países principais responsáveis pelo aquecimento global do nosso planeta que tomem muito mais a sério este fenômeno e os meios de o reduzir", disse.

O presidente de São Tomé e Príncipe também falou de um dos sucessos do país: a luta contra o paludismo. E agradeceu a Taiwan a cooperação na área da sáude. "Um exemplo dessa generosidade e solidariedade é uma redução de casos de paludismo, em mais de 95%, que São Tomé e Príncipe registou em 2007, o que nos permite prever a próxima erradicação dessa doença através de um programa sustentado de controle. Pela primeira vez, em séculos, que a população do meu país não considera a maçária como a primeira causa da mortalidade infantil", afirmou.

Moçambique: crise alimentar O presidente de Moçambique, Armando Guebuza, disse às Nações Unidas que o seu país precisa de apoio internacional para responder à crise alimentar mundial.

No seu discurso na Assembléia Geral da ONU, em Nova York, Guebuza afirmou que o seu país lançou um Plano de Ação para a Produção de Alimentos no período de 2008 a 2011.

A iniciativa faz parte da Revolução Verde, iniciada no ano passado no país. "Estamos conscientes de que a materialização deste plano, e da Revolução Verde, como um todo, irá necessitar de recursos adicionais. Por isso, apelamos ao apoio dos nossos parceiros de desenvolvimento para providenciarem recursos adicionais para estes programas. O efeito da Revolução Verde sobre os ODMs é por nós reconhecido, pois com fome ninguém pensa no amanhã, na educação ou na equidade do gênero e autonomia das mulheres", afirmou.

Ainda, o presidente moçambicano afirmou que o país está a desenvolver programas sociais para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Mas segundo Guebuza, o governo precisa de mais US$ 4 per capita por ano no setor de saúde entre agora e 2010, para alcançar as metas.

"A nossa avaliação mostra, por exemplo, que poderíamos reduzir a mortalidade materna em mais de 50%, alcançar um decréscimo de 17% na mortalidade infantil, melhorar significativamente o acesso aos anti-retrovirais e ao tratamento da tuberculose e da malária e ter até 2010, mais de 95% de mães e crianças a dormirem debaixo de uma rede mosquiteira tratada com inseticida.", explicou.

Armando Guebuza terminou o discurso pedindo uma reforma nas Nações Unidas para responder melhor aos desafios atuais.

Além de São Tomé e Príncipe e Moçambique, discursam também nesta quinta-feira nos debates da Assembléia Geral, o presidente de Timor-Leste.

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