Países Lusófonos na Assembléia da ONU

Do Jornal Mundo Lusíada

Em discurso na Assembléia Geral da ONU, o presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, defendeu a entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU com um assento permanente. Ele também pediu o mesmo espaço para a Índia e um país da África.

“Será razoável continuarmos a ter um Conselho de Segurança sem uma reforma dos seus métodos de trabalho, em que países como o Brasil e a Índia não têm um lugar permanente, e em que África não tem representação com esse estatuto? Seguramente que não, desde logo nestes casos, sem prejuízo da nossa abertura perante soluções eventualmente mais abrangentes”, afirmou. Segundo Cavaco Silva, com maior representatividade geográfica nos órgãos da ONU, a organização poderá atingir mais transparência.

O presidente português também falou sobre a cooperação de seu país às operações de paz e da necessidade de apoio ao desenvolvimento do continente africano.

Cabo Verde: crises da conjuntura mundial Durante seu discurso na Assembléia Geral da ONU, Pedro Pires defendeu mais “responsabilização coletiva” no atual mundo complexo. Citou as crises profundas da conjuntura mundial, financeira, energética, alimentar e ecológica, carregadas de incertezas. Citou ainda a falta de paz mundial, exemplificando com focos de conflitos armados e terrorismo. E defendeu uma maior parceria entre os Estados ricos e avançados tecnologicamente no combate à crise alimentar, para uma maior e mais moderna produção agrícola. Em entrevista à Rádio ONU, o presidente Pedro Pires comentou pontos do seu discurso, falando sobre a promoção da língua portuguesa no mundo, o papel de Cabo Verde nas Nações Unidas, a expectativa para a entrada do país na OMC e ainda a candidatura da Vila da Ribeira Grande de Santiago, também conhecida como Cidade Velha, a Patrimônio Histórico da Humanidade.

Guiné-Bissau: Crises mundiais O presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo Nino Vieira, afirmou que o seu país precisa de ajuda externa para lidar com os efeitos negativos das crises econômica e alimentar. A reforma das Nações Unidas incluindo a expansão do Conselho de Segurança também integrou seu pronunciamento. Nino Vieira, em entrevista exclusiva à Rádio ONU, explicou como a crise energética já afeta o país. De acordo com o presidente, o trabalho de apoio da ONU ao país é fundamental para ajudar na reconstrução de instituições da Guiné. Ele afirmou que a presença da ONU é necessária pelo menos até 2011. No ano passado, o presidente guineense disse que o tráfico de drogas era um flagelo para o país e pediu ajuda internacional para combater o problema. Segundo ele, após 12 meses, o país tem feito progressos mas ainda precisa de assistência para apreender tentativas de contrabando e punir os responsáveis pelo tráfico.

Timor: Crise e Oportunidade José Ramos Horta, do Timor-Leste, abordou as atuais crises financeira e alimentar mundial, além do progresso sobre as Metas do Milênio da ONU. Citando os motivos das atuais crises, como a crescente subida do custo de energia, o aumento da procura por petróleo, a escassez de terra arável e água, a subida dos preços alimentares, a alteração climática, Ramos Horta defendeu porém que as crises oferecem oportunidades também. Citou as ajudas externas recebidas pelo seu governo para contribuir para infra-estrutura em Timor-Leste, em parte do seu discurso pronunciado em inglês. Falou também sobre o episódio em que sofreu um atentado, em sua casa na capital timorense, agradecendo aos profissionais do hospital da Austrália em que ficou internado assim como todos que rezaram por ele, dizendo que retorna sua gratidão. Foi nesta situação, afirmou, que viu a beleza da vida, e desde o ataque à ele e ao primeiro-ministro, Timor está em paz como não acontecia há anos. Agradeceu portanto aos países que auxiliaram neste processo de paz no país, como Portugal, Austrália e Nova Zelândia.

Moçambique: Crise alimentar O presidente de Moçambique, Armando Guebuza, disse às Nações Unidas que o seu país precisa de apoio internacional para responder à crise alimentar mundial. No seu discurso na Assembléia Geral da ONU, em Nova York, Guebuza afirmou que o seu país lançou um Plano de Ação para a Produção de Alimentos no período de 2008 a 2011. A iniciativa faz parte da Revolução Verde, iniciada no ano passado no país.

Ainda, o presidente moçambicano afirmou que o país está a desenvolver programas sociais para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Mas segundo Guebuza, o governo precisa de mais US$ 4 per capita por ano no setor de saúde entre agora e 2010, para alcançar as metas.

São Tomé: Efeito estufa O presidente de São Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes, afirmou que o país tem registrado alguns avanços no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Mas segundo ele, ainda há um caminho a percorrer no combate à pobreza e à fome. Menezes também lançou um apelo para mais ação contra os efeitos do aquecimento global, que diz estarem a ameaçar o arquipélago.

Fradique de Menezes afirmou que partes do seu país têm sido afetadas por ondas gigantes superiores a três metros. Um fenômeno que não se registrava há mais de um século. Durante os debates da Assembléia Geral da ONU, o líder são-tomense afirmou que, com a ajuda do Brasil, o país africano tem conseguido vencer a luta contra o HIV/Sida.

Angola: Crise dos alimentos Foi o Ministro das Relações Exteriores, João Bernardo de Miranda que discursou em nome do presidente José Eduardo dos Santos, na sede da ONU, em Nova York. Ele abordou a crise alimentar e energética e a forma como estão a afetar Angola. Numa entrevista à Rádio ONU, João Bernardo de Miranda falou também das conseqüências das alterações climáticas e de como a crise financeira pode atingir o continente africano. “Temos ainda essa crise financeira que pode comprometer o sucesso de muitos dos países do Sul, nomeadamente os de África, cujos índices de crescimento dos últimos tempos atingiram 7%. Se não houver medidas que possam lutar contra os efeitos nefastos destas crises, claro que quem mais sofre são as populações dos países vulneráveis”. Angola foi o último país de língua portuguesa a discursar na 63ª Assembléia Geral da ONU.

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