No Brasil, ministro de Moçambique fecha acordo para Fiocruz África

Da Redação

O Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Oldemiro Balói, esteve no Brasil de 3 a 5 de setembro, com objetivo de iniciar preparativos para nova visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Maputo. Em 2007, o presidente Armando Guebuza participou como convidado de honra nas festividades do Sete de Setembro.

O Ministro Celso Amorim recebeu seu homólogo moçambicano no dia 4, e na seqüência o ministro Balói esteve no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e em visita a Embrapa. Estiveram previstos, em Belo Horizonte, encontros do chanceler moçambicano com o vice-governador do Estado e com empresários da FIEMG que deverão integrar missão a Moçambique no final de setembro – e no Rio de Janeiro, para contatos na Fiocruz e no BNDES.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a cooperação com Moçambique é particularmente relevante na área da saúde pública. Está sendo planejada a instalação em Maputo de um escritório da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) para a África. Também em fase de “detalhamento” do cronograma está a instalação de uma fábrica de anti-retrovirais no país, com tecnologia brasileira.

Entre os atos assinados durante a visita de Oldemiro Balói, além do acordo para instalação de escritório da Fiocruz em Moçambique, acordos de instrumento para o fortalecimento da agência moçambicana reguladora do setor Farmacêutico, para treinamento em produção de medicamentos anti-retrovirais, e convênio para o fortalecimento do Instituto Nacional de Normalização e Qualidade de Moçambique.

O acordo de escritório da Fiocruz na África engloba sede (que será estabelecida em Maputo), estrutura e representante – um diretor da Fiocriz para África.

"A FIOCRUZ África é órgão da estrutura regimental da Fundação Oswaldo Cruz, entidade integrante da Administração Pública Federal da República Federativa do Brasil, vinculada ao Ministério da Saúde, cuja missão institucional é a de desenvolver atividades no campo da saúde, da educação e do desenvolvimento científico e tecnológico" divulga o MRE.

Visita de Lula em outubroA visita do presidente Lula da Silva a Moçambique, em 16 de outubro, vai constituir um "impulso poderoso" nas relações bilaterais através de "medidas concretas", segundo disse o ministro, à Agência Lusa. Balói evitou detalhar essas medidas, mas fontes do governo brasileiro disseram à Lusa que Lula deve anunciar o financiamento de uma fábrica de medicamentos anti-Aids, que começará a funcionar em Maputo até o fim de 2009.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil deve investir US$ 10 milhões na fábrica de Maputo, sendo que os US$ 4 milhões destinados à primeira etapa do projeto estarão disponíveis ainda este ano. "O impacto da fábrica há de ser grande. Primeiro, é uma indústria que se instala, que gera empregos e contribui para o PIB. Sob o ponto de vista da saúde, o impacto será ainda muito maior", afirmou Balói.

O ministro moçambicano lembrou que a taxa de prevalência da Aids em seu país é muito alta – 16% – e que a possibilidade de ter medicamentos produzidos localmente facilitará a distribuição, além de beneficiar, em fase posterior, outros países africanos.

Os técnicos moçambicanos serão formados pelo laboratório Farmanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instalando em Moçambique.

Além da área de saúde, Brasil e Moçambique pretendem dar um salto na cooperação agrícola. "Há uma angústia das duas partes em fazer muito mais do que estamos fazendo", disse à Lusa o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Silvio Crestana, após reunião com o chanceler moçambicano.

Crestana e a delegação de Maputo analisaram os projetos de cooperação já existentes e decidiram focar mais a atuação para obter "resultados visíveis", como na melhoria da produtividade agrícola e da pecuária de Moçambique. Alguns projetos nessas áreas podem ser anunciados durante a visita de Lula ao país africano lusófono – a terceira desde que assumiu o poder, em 2003.

Moçambique é o único país africano que o presidente visitará na viagem de outubro, que vai incluir também Espanha e Índia, segundo o Palácio do Planalto.

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