Lula desafia empresários a investir em Moçambique e elogia crescimento do país

Da Redação Com agencia Lusa

Pedro Sá da Bandeira/Lusa Portugal

>> Presidente brasileiro,Lula da Silva, durante sua visita oficial, onde participou de uma cerimônia em homenagem aos heróis de Moçambique em sua visita oficial, em Maputo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou "acanhada" a presença de empresas brasileiras em Moçambique, desafiando os empresários a aumentar a presença no país, principalmente na área dos biocombustíveis. "A presença brasileira ainda me parece acanhada face às potencialidades deste país. Quero desafiar os empresários a criar outras parcerias produtivas e aumentar a presença brasileira em Moçambique", disse.

"Penso, por exemplo, nas amplas oportunidades no setor dos biocombustíveis, que é prioritário para o governo do presidente Guebuza", declarou Lula, no final de um seminário com empresários dos dois países.

O presidente Lula, que cumpre dois dias de visita de Estado a Moçambique, defendeu a necessidade de uma "parceria mutuamente benéfica entre os dois países". "Já temos um memorando de cooperação entre os nossos governos e entre a Petrobras e a e Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) de Moçambique. Empresas brasileiras estão prestando consultoria na área do etanol. Para que isso se materialize, é fundamental uma associação mais intensa entre agentes econômicas dos dois países", disse Lula.

Investimento em Moçambique O presidente brasileiro elogiou o "pujante crescimento" econômico de Moçambique. Diante dos empresários, Lula disse ter encontrado "um país em grande transformação" e considerou ser fundamental a constituição de parcerias entre países emergentes perante o "clima de profunda incerteza que marca a cena econômica e financeira internacional".

Segundo o presidente, "os países em desenvolvimento que apostaram num único mercado são os que mais perderam". "Nas minhas nove viagens à África fiz sempre questão de vir acompanhado com empresários, o que se mostrou uma opção acertada. O comércio com a África praticamente quadruplicou desde 2002, chegamos próximos dos US$ 20 bilhões, 8% das nossas exportações. Se fosse um só país, a África seria o nosso quarto parceiro comercial", disse.

"Mas ainda enfrentemos o problema do desequilíbrio da balança comercial (…) precisamos identificar formas de aumentar as exportações de Moçambique para o Brasil e de aumentar os investimentos brasileiros geradores de empregos e renda", acrescentou Lula.

Discursando no banquete de Estado oferecido pelo seu homólogo moçambicano, Armando Guebuza, Lula reafirmou um desejo já manifestado numa visita ao país em 2003: "O Brasil quer consolidar uma parceria baseada em acordos econômicos, mas, sobretudo, na solidariedade e nos valores compartilhados".

Para o presidente, Moçambique é um "país que serve de exemplo e inspiração para a sua região e para toda a África", além de "realizar um aproveitamento responsável dos seus recursos naturais". Salientou ainda a inauguração, durante sua visita, de um escritório da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) que deverá encarregar-se da formação do pessoal moçambicano que vai trabalhar na fábrica de anti-retrovirais. "Acompanhei pessoalmente esse sonho. É, também, com especial carinho que participo da instalação de fábrica que dará aos irmãos moçambicanos as ferramentas para produzirem os seus próprios remédios na luta contra a Aids", comentou.

"O nosso compromisso em ajudar o povo moçambicano a ajudar-se a si mesmo também está presente na construção do Centro de Formação Profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), aqui em Maputo. Formará os quadros técnicos para construir um país moderno e competitivo", frisou.

Do outro lado Por sua vez, o presidente moçambicano salientou o "compromisso mútuo" de, continuamente reforçar e diversificar a cooperação em benefício das populações dos dois países, cujos laços de amizade são "excelentes". "As conversações que hoje mantivemos são um exemplo eloqüente desse compromisso", disse.

Guebuza reconheceu que Moçambique "está a tirar benefícios da internacionalização das empresas brasileiras, cujos investimentos, atualmente, colocam o Brasil entre os quatros principais parceiros" do país.

Por isso, encorajou aos empresários brasileiros que integram a comitiva presidencial "a seguirem o exemplo dos seus pares que contribuíram para colocar o Brasil nesse pedestal". "Devemos, por isso, continuar, senhor presidente, a sensibilizar a comunidade internacional para assegurar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio", concluiu Guebuza.

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