Jovens de Moçambique, Noruega e Malawi compartilham saberes culturais em intercâmbio no Brasil

Da Redação

Gestora de projetos culturais, a Amigos do Guri recebe seis novos intercambistas do MOVE (Musicians and Organizers Volunteer Exchange), programa criado pela organização parceira JM Norway. Khalusa Bandaleao, Elidio Mangane, Francis Jimmy Thera, Chisomo Chimoto, Anna Nguyen e Oskar Skorge são de Moçambique, Malawi e Noruega, e ficarão 10 meses no Brasil.

Os selecionados participarão das atividades do Projeto Guri – maior programa sociocultural brasileiro, mantido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo – também gerido pela Amigos do Guri. Com a parceria, os estrangeiros poderão ensinar ritmos musicais típicos, bem como a história de seus países de origem, agregando seus conhecimentos e vivências às aulas.

Os jovens ficarão hospedados em Marília e São José dos Campos, duas regiões onde há polos de ensino musical do Projeto Guri.

O MOVE é um programa de intercâmbio e voluntariado criado pela JM Norway, membro da JMI – Jeunesses Musicales International (associação sediada na Bélgica que reúne diversas organizações musicais em cerca de 70 países), em parceria com a instituição musical Music Crossroads, do Malawi e de Moçambique. O programa visa o desenvolvimento da prática musical internacional e troca de experiências.

Eleita a Melhor ONG de Cultura de 2018, a Amigos do Guri administra o Projeto Guri. Desde 2004, é responsável pela gestão do programa no litoral e no interior do estado de São Paulo, incluindo os polos da Fundação CASA. Além do Governo de São Paulo, a Amigos do Guri conta com o apoio de prefeituras, organizações sociais, empresas e pessoas físicas.

Marília

Nascido no Malawi, Francis Jimmy Thera tem 22 anos e é apaixonado por música desde criança por influência de sua família: o pai é pianista e suas irmãs são cantoras. Em 2007, ele começou a carreira como vocalista e no ano seguinte se interessou por música instrumental, intensificando os estudos de bateria, piano e guitarra. Lecionou em instituições como International Ministries of the Ambassadors of Christ e Broadway International Academy. Recentemente, fazia trabalhos solos e atuava em bandas.

Elidio Mangane nasceu em Maputo, capital de Moçambique, e tem 24 anos. Bastante jovem, tomou gosto pela música e em 2015 começou a tocar guitarra e piano. Por meio de um amigo, conheceu o MOVE e se encantou pelo programa. “Percebi que era uma oportunidade de ensinar o que eu sei sobre música, principalmente sobre composição. Eu não aprendi de forma acadêmica, mas quero ensinar as técnicas que eu sei. E quero conhecer novas culturas”, disse o jovem com certo conhecimento sobre a música brasileira.

Norueguesa de 23 anos, Anna Nguyen nasceu em Sandefjord e mudou-se para Trondheim em 2016. Descendente de vietnamitas, a intercambista estuda flauta e fagote há uma década e, também, toca piano. O contato com a música clássica ocorreu por volta dos oito anos de idade e logo ela descobriu a paixão por ritmos como blues, soul e principalmente jazz. Anna formou-se recentemente em mídia/comunicação.

São José dos Campos

Chisomo Chimoto tem 24 anos, nasceu no vilarejo de Thanga, em Nkhotakota, mas vivia em Lilongwe. Formada em jornalismo desde 2016, trabalha com fotografia, edição de imagens e vídeos. Trabalhou na comunicação de organizações como a Rech out to Girls, grupo que busca a equidade entre as pessoas e o empoderamento das meninas. Destacou-se com um trabalho musical contra o ataque de albinos no país e, antes de vir ao Brasil, dedicava-se ao single Mundiperekeze.

De Maputo, Moçambique, Khalusa Bandaleao tem 25 anos e participou de diversos concursos musicais. Logo que conheceu o Music Crossroads Academy, Khalusa se empenhou em participar do MOVE e compartilhar conhecimentos culturais com pessoas de outros países. “Ainda pequena, eu cantava na rua para comprar comida e caderno para ir à escola. Depois passei a fazer coro para artistas de Moçambique. Estar aqui é uma emoção. Vou aproveitar bastante”, disse Khalusa, cantora que conquistou vários prêmios em seu país de origem.

Caçula da turma, Oskar Skorge tem 19 anos, nasceu em Londres, mas cresceu em uma cidade costeira ao sul de Oslo, na Noruega. Formou-se no programa Internacional de Bacharelado, em Sanderfjord, também na Noruega. Toca bateria há 10 anos e pesquisa músicas de influência afro-cubana e jazz. “Quero conhecer a cultura brasileira e contribuir no que for possível”, contou o jovem.

Mantido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, o Projeto Guri é o maior programa sociocultural brasileiro e oferece, nos períodos de contraturno escolar, cursos de iniciação musical, luteria, canto coral, tecnologia em música, instrumentos de cordas dedilhadas, cordas friccionadas, sopros, teclados e percussão, para crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos (até 21 anos nos Grupos de Referência e na Fundação CASA). Cerca de 50 mil alunos são atendidos por ano, em quase 400 polos de ensino, distribuídos por todo o estado de São Paulo.

Os mais de 330 polos localizados no interior e litoral, incluindo os polos da Fundação CASA, são administrados pela Amigos do Guri, enquanto o controle dos polos da capital paulista e Grande São Paulo fica por conta de outra organização social. A gestão compartilhada do Projeto Guri atende a uma resolução da Secretaria que regulamenta parcerias entre o governo e pessoas jurídicas de direito privado para ações na área cultural. Desde seu início, em 1995, o Projeto já atendeu mais de 770 mil jovens na Grande São Paulo, interior e litoral.

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