Guiné-Bissau aposta em jovens e parcerias para promover ação oceânica

Da Redação com ONU News

O presidente da Guiné-Bissau Umaro Sissoco Embaló disse esperar que a Conferência dos Oceanos da ONU estabeleça um novo paradigma sobre questões de conservação. Segundo os organizadores, o evento iniciado esta segunda-feira inclui 28 chefes de Estado e do governo.

Em Lisboa, o líder guineense defendeu que tal modelo iria impulsionar soluções inovadoras para um dos maiores desafios da raça humana: o uso e conservação sustentável dos oceanos e seus recursos.

“Não pretendo enumerar aqui o conjunto de problemas que enfrentamos. Basta dizer que nada nos é estranho no que diz respeito ao aumento das mudanças climáticas. O aumento do efeito da erosão nas áreas costeiras e enfim, estando realmente muito expostos a riscos e ameaças que são próprios da nossa geografia . Por isso o aumento da viabilização do Acordo de Paris é para nós muito importante, muito importante.”

Para a Guiné-Bissau, deve se apostar em novas gerações para abordar questões partilhadas com outras nações vulneráveis sobre alterações do clima.

Umaro Sissoco Embaló apontou que qualquer pano de desenvolvimento que não inclua a conservação e preservação dos mares poderá fracassar. As autoridades guineenses defendem que edificar uma economia amigável ao oceano seja uma ação permanente.

“Efetivamente, o futuro pertence à juventude. Quero sublinhar que temos beneficiado muito de parceiros relativamente relevantes, nomeadamente das sempre relevantes agências das Nações Unidas, da União Europeia e de outros amigos numa base bilateral.”

Em entrevista, o ministro guineense do Ambiente e Biodiversidade Viriato Cassamá disse que Lisboa é lugar para fortalecer a colaboração com outros países em relação à gestão dos mares.

“A nossa expectativa nesta Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos é ter uma parceria estratégica com outros países dependentes dos recursos dos oceanos para que a Guiné-Bissau possa ter a linha de base do estado do nosso oceano, do nosso mar interior e dos nossos rios, de modo a podermos tirar proveito que este grande e incomensurável ecossistema nos dá. Nós pensamos que com um esforço global de todos os países-partes das Nações Unidas iremos com certeza estancar a poluição plástica, promover a ação prática e tomar decisões acertadas e ajustadas no tocante à gestão dos recursos oceânicos.”

No total, o país tem 88 ilhas de biodiversidade considerada única. O líder da Guiné-Bissau apontou os oceanos como primeiro ecossistema no planeta, tendo lamentado que o país não seja um oásis em conservação.

Angola

O presidente de Angola discursou em Lisboa nesta segunda-feira, na abertura da Conferência do Oceanos das Nações Unidas. João Lourenço enalteceu os oceanos pelo papel importante para a “integração das diferentes culturas, religiões e costumes dos povos” e pelas “trocas comerciais entre as nações”.

O chefe de Estado angolano afirmou que o evento de alto nível na capital de Portugal traz uma oportunidade para reverter os danos causados ao ecossistema marinho.

“O triste cenário que hoje constatamos, impele-nos a agir com a máxima urgência por forma a encontrarmos soluções que invertam a atual tendência de poluição dos mares e oceanos e de exploração desregrada dos recursos marinhos.”

João Lourenço explicou ainda que o governo angolano colocou a economia azul no Plano de Desenvolvimento Nacional. O presidente falou ainda sobre medidas para conter a pesca ilegal.

“É em função desta perspectiva, que temos vindo a desenvolver ações no sentido de alargar os limites da nossa Zona Econômica Exclusiva, na base do qual poderemos passar a utilizar e proteger os recursos que se encontram em zonas próximas da nossa costa e que têm vindo a ser objeto de dilapidação por parte de frotas pesqueiras estrangeiras não licenciadas.”

Na Conferência dos Oceanos, o presidente João Lourenço destacou ainda que Angola acaba de assinar um contrato com uma empresa alemã para “dar os primeiros passos na produção de hidrogênio verde para exportação a partir de 2024.”

Outra iniciativa de Angola mencionada no discurso do chefe de Estado foi uma campanha para a plantação de 1 milhão de mangais, durante oito meses, em toda a orla costeira do país.

Delegações de mais de 130 países estão na capital de Portugal, Lisboa, para participar durante toda a semana da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas.

Além dos governos, representantes da ONU, da sociedade civil, do setor privado e cientistas estão unidos por uma causa comum: reverter os danos causados nos oceanos e na vida marinha.

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