Europa suspende voos de Moçambique e mais 6 países devido a variante

Mundo Lusíada com Lusa

Nesta sexta-feira, os Estados-membros da União Europeia (UE) decidiram suspender temporariamente voos de sete países da África Austral, incluindo Moçambique, devido à identificação de uma variante do coronavírus, causador da covid-19, na África do Sul, altamente mutante.

A informação foi divulgada ao final da tarde na rede social Twitter pela presidência eslovena do Conselho da UE, que informa que o grupo de Resposta do Conselho a situações de crise (IPCR), juntando Estados-membros, instituições europeias e especialistas, se reuniu e “concordou com a necessidade de ativar o mecanismo travão de emergência e impor restrições temporárias a todas as viagens para a UE a partir da África Austral”.

“A presidência eslovena apelou aos Estados-membros para testarem e colocarem em quarentena todos os passageiros que chegam”, acrescenta na mesma informação, tendo em conta que a decisão sobre viagens recai sempre sobre cada país.

Por seu lado, o porta-voz da Comissão Europeia, Eric Mamer, indicou através do Twitter que “os Estados-membros concordaram em introduzir rapidamente restrições a todas as viagens à UE de sete países da região da África Austral”, precisando tratar-se de Botsuana, Eswatini, Lesoto, Moçambique, Namíbia, África do Sul e Zimbabué.

“Testes, quarentena e rastreio de contatos para os passageiros que entram na UE são importantes”, adiantou Eric Mamer.

Fonte europeia ligada ao processo confirmou à agência Lusa estar em causa “uma suspensão urgente de todas as viagens aéreas para a UE” destes sete países.

Portugal

Na sequencia, foi anunciado em Lisboa que voos de e para Moçambique vão ser suspensos a partir das 00:00 de segunda-feira, 29 de novembro, segundo Ministério da Administração Interna (MAI), impondo ainda quarentena a passageiros oriundos de um conjunto de países africanos.

“No âmbito das medidas de combate à pandemia da doença covid-19 aplicadas ao tráfego aéreo, o Governo determinou a suspensão dos voos de e para Moçambique a partir das 00:00 de segunda-feira, 29 de novembro”, refere a nota do MAI.

“Já a partir das 00:00 deste sábado, 27 de novembro, todos os passageiros de voos oriundos de Moçambique (assim como da África do Sul, Botsuana, Essuatíni, Lesoto, Namíbia e Zimbabué) ficam obrigados a cumprir uma quarentena de 14 dias após a entrada em Portugal continental, no domicílio ou em local indicado pelas autoridades de saúde”, determina ainda o Governo português.

Em Portugal, desde março de 2020, morreram 18.393 pessoas e foram contabilizados 1.136.446 casos de infecção, segundo dados da Direção-Geral da Saúde.

Travão

Esta manhã, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs a ativação do mecanismo travão para suspender voos da África Austral com destino à UE, devido ao aparecimento desta nova variante do SARS-CoV-2.

Já durante a tarde, a líder do executivo comunitário insistiu que “todas as viagens de avião para estes países devem ser suspensas” a partir daquela região “e de outros países afetados”.

Vincando que a UE está a “levar muito a sério” a nova variante identificada inicialmente na África do Sul, Ursula von der Leyen exortou à ação “rápida e unida” dos Estados-membros.

Esta nova variante do coronavírus foi detetada na África do Sul, o país africano oficialmente mais afetado pela pandemia e que está a sofrer um novo aumento de infecções, anunciaram na quinta-feira cientistas sul-africanos.

A variante identificada até ao momento como B.1.1.529 tem um número “extremamente elevado” de mutações, de acordo com aqueles cientistas.

A Organização Mundial da Saúde classificou como “de preocupação” a nova variante detetada pela primeira vez na África do Sul, e designou-a pelo nome Omicron.

Já o ministro da Saúde sul-africano, Joe Phaahla, considerou hoje que a reação internacional de restrições a viajantes da África Austral, na sequência da detecção da variante é “injustificada”, “contraproducente” e “draconiana”.

“Sentimos que esta é a abordagem errada, na direção errada, e que vai contra as normas aconselhadas pela OMS [Organização Mundial de Saúde]. Sentimos que os líderes de alguns países estão a encontrar bodes expiatórios para lidar com o que é um problema global”, disse o ministro da Saúde, referindo-se a “reações de pânico irrefletidas”.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: