CPLP quer aproximar cidadãos lusófonos, diz Domingos Pereira

Em entrevista ao Mundo Lusíada, Domingos Simões Pereira, o novo secretário-executivo da CPLP, falou durante sua visita oficial ao Brasil sobre as prioridades do órgão e projetos de cooperação na educação, primordiais para “potencializar capacidades”.

Por Vanessa SeneMundo Lusíada

Mundo Lusíada

>> Ricardo Fernandes Lopes, assessor do diretor do Museu da Língua Portuguesa, ao lado do Embaixador do Brasil em Portugal, Celso Vieira de Souza, e do Secretário-Executivo da CPLP, o guineense Domingos Simões Pereira.

Até 25 de outubro, o Secretário Executivo da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), Domingos Simões Pereira, realiza visita oficial ao Brasil, passando por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Salvador (Bahia). No segundo dia de sua visita, nas dependências do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, o secretário afirmou estar “impressionado” com o local, em entrevista ao Mundo Lusíada.

“Com esta qualidade de produção artística que assistimos e por ser de fato uma forma muito fácil de introduzir a língua, a sua origem, a interação que existe entre os povos, estou muito impressionado” disse o guineense Domingos Pereira, no Brasil pela segunda vez, e na competência de Secretário Executivo em primeira visita.

Durante sua visita, o SE da CPLP participou de encontros com o reitor da Universidade Federal da Bahia, com o ministro da Educação em Brasília e reitor da Universidade de Brasília, além de reunião com a Secretária de Educação no Rio de Janeiro. Segundo Domingos Pereira, o objetivo dos encontros é conhecer o interesse brasileiro nas oportunidades que o país poderá oferecer na área aos povos da CPLP.

“Temos que encontrar na língua um fundamento comum, o ponto de partida. Agora, um grande desafio é levar as comunidades a interagirem, e um dos elementos cruciais a promover este intercâmbio, este crescimento, é exatamente a educação” defendeu. “Como sabemos, alguns de nossos povos ainda enfrentam mais dificuldades do que outros. E pensamos que é na educação que reside a solução para podermos potencializar as capacidades”.

Entre os projetos que mostram já o interesse do Brasil nesta cooperação está a Universidade Federal de Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab), com sede em Redenção (Ceará), que recentemente apresentou uma comissão para sua implantação, integrada por representantes da Fundação Oswaldo Cruz, Embrapa, Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), Unesco, Universidade Federal do Ceará (UFCE), Governo do Estado, e tendo como presidente o reitor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Paulo Speller. “O Brasil tem sido a grande locomotiva desta caminhada da CPLP, mas nós acreditamos muito particularmente neste projeto porque parece ser a alavanca principal para que a comunidade se encontre, se defina, e possa enfrentar com mais habilidade os desafios que estão à frente” diz Pereira.Objetivos AtuaisO mais novo Secretário Executivo do órgão, que tomou posse em julho deste ano, afirmou que a promoção da língua e o desenvolvimento sustentável são dois pilares prioritários para a CPLP, além da cooperação política em domínios como a agricultura e energia, dois itens definidos de forma “muito concreta” na última Cimeira da CPLP, no mês de julho. “Já a língua vai manter-se sempre como ponto de partida, o elemento comum, aquilo que nos une e que facilita o nosso contato e nossa interação”.

Recentemente a CPLP também promoveu a conferência internacional “As Geociências no Desenvolvimento das Comunidades Lusófonas”, que decorreu dias 13 e 14 de outubro em Coimbra, e que defendeu o desenvolvimento das geociências nos Estados membros, os quais assinaram ao final do encontro a Declaração de Coimbra. “Estiveram reunidos cientistas de diversos países de expressão portuguesa que discutiram as mudanças climáticas, a dinâmica da terra e das mudanças que estão a operar, e saber como estar preparado para fazer face a estas situações. O que foi definido em Coimbra, que terá segmento no próximo ano no Rio de Janeiro, é uma maior participação das diferentes capacidades que existem no nosso espaço comunitário para enfrentar os desafios que o próprio homem o provocou e que vale a pena, hoje mais conscientes de suas implicações, podermos mitigar”.

Na sua gestão, Domingos Simões Pereira defende ainda uma campanha de interação entre os cidadãos lusófonos. Segundo ele, a CPLP que já reúne 12 anos não está totalmente consolidada, mas dispõe de um “trabalho de base” feito. “O próximo desafio é levar a organização para junto da comunidade, junto do cidadão. Isso significa promover eventos culturais, eventos esportivos, levar as universidades a interagirem quanto mais possível e divulgar os seus programas, e levar a que os povos se conheçam e cada vez mais se reconheçam naquilo que são os padrões culturais de um lado e de outro” defendeu o SE, sem polemizar quanto a verba disponível pelo órgão. Segundo ele, caso a CPLP tenha sucesso em promover essa aproximação entre os cidadãos angolanos, são-tomeenses, brasileiros, etc., mais facilmente será possível reunir os recursos necessários.

A VisitaDomingos Simões Pereira chegou à São Paulo no dia 15 para um jantar oferecido pela Fundação dos Rotarianos paulistas, além de uma reunião com a reitoria da USP (Universidade de São Paulo), e também visita no Museu Afro-Brasil. “Eu visitei ontem a Fundação Rotariana de SP, Rio Branco, e fiquei impressionado com o trabalho que estão a fazer. Está aí uma resposta bem conseguida nessa tentativa de aproximar os povos, nós todos temos algo a aprender com essa experiência. E penso que estamos no bom caminho, eu acredito nisso”.

Quanto ao projeto do Museu da Língua Portuguesa ser levado para outros países, o secretário afirmou que se for possível “criar uma versão itinerante será com certeza um desafio à enfrentar”. “Mas é cedo para dizer isso, vamos primeiro nos deliciar com aquilo que nos fornece o Brasil” disse ele, que esteve acompanhado do Embaixador do Brasil em Portugal, Celso Vieira de Souza, e do seu assessor da CPLP, António Ilharco.

Em Salvador, Simões Pereira participou de encontros com os Secretários de Saúde, da igualdade Racial e do Meio Ambiente, e do Colóquio “1808-2008 e o Futuro das Relações Econômicas Portugal Brasil”, na Praia do Forte, além de visitas às casas do Benin, da Nigéria e de Angola, e Fundação Casa de Jorge Amado.

No Distrito Federal, participou de audiências com os ministros do Meio Ambiente e da Cultura, e com o presidente do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. Na última parte da visita, no Rio de Janeiro, esteve na Academia Brasileira de Letras e na Fundação Roberto Marinho.

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