Cheias em Moçambique desalojam 13 mil

ONU trabalha com o governo em planos de contingência; cerca de 50% dos afetados são crianças.

Mundo Lusíada E Rádio ONU

Pedro Sá da Bandeira/Lusa

NA ÁFRICA >> Vista geral da região alagada, ao lado, uma mulher com criança, uma das muitas famílias que residiam nas ilhas do Zambeze, e que foram obrigadas a se dirigirem para o Centro de Reassentamento de Nhambalo, (locais onde as populações fugidas das cheias são acolhidas e convidadas a passar a viver). no centro de Moçambique, 16 de Janeiro 2008.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, anunciou que está intensificando operações de emergência às vítimas das cheias em Moçambique, no sul da África.

Segundo o Unicef, cerca de 50% dos afetados pelas cheias, no centro do país, são crianças. As chuvas, que também atingem os vizinhos Zimbábue e Malauí, já duram duas semanas.

Resposta Rápida O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, Ingc, calcula que 56 mil pessoas foram afetadas até agora.

O coordenador residente das Nações Unidas, Ndolamb Ngokwey, disse que as agências da ONU estão prontas para apoiar o governo moçambicano.

Reservas Segundo Ngokwey, a ONU tem trabalhado com as autoridades nacionais para estabelecer planos de contingência que possibilitem apoio rápido às vítimas das cheias.

As equipes das Nações Unidas estão analisando o impacto das cheias em várias áreas, como agricultura, água e saneamento, nutrição e proteção de crianças.

Antes do início da época das chuvas, o governo moçambicano colocou reservas de produtos de emergência em áreas estratégicas.

Em 2007, cerca de 285 mil pessoas foram atingidas pelas cheias em Moçambique. Segundo o governo, 29 morreram.

Maiores inundações da história Este ano, Moçambique deve registrar as piores inundações de sua história, devido às chuvas contínuas nos países vizinhos e às descargas de 6 mil metros cúbicos por segundo de água da hidrelétrica de Cahora Bassa (HCB).

Zimbábue, Maláui e Zâmbia continuam fustigados por chuvas torrenciais, cujas águas são encaminhadas para rios moçambicanos. Os principais afluentes dos rios Luenha, Revúbuè e Chire, no baixo do Vale do Zambeze, centro de Moçambique, já estão com níveis elevados, o que pode causar o agravamento da situação das cheias no país.

Em 2000, as cheias no sul de Moçambique provocaram 640 mortos e afetaram 2 milhões de pessoas, das quais 500 mil ficaram desalojadas.

As autoridades já descrevem como "crítica" a situação que se vive na região, mas assegurou que as autoridades estão fazendo o devido monitoramento.

O governo do país estimou em 20,4 milhões de euros (R$ 53 milhões) o valor necessário para financiar um plano de emergência de auxílio aos afetados pelas cheias e ciclones que podem ocorrer entre os meses de janeiro e março deste ano.

Até 15 de janeiro, todas as pessoas que se encontram nas zonas de risco – tendo, para isso, intensificado operações de busca e salvamento com embarcações – e devem ser retiradas, além de contar com mobilização de meios aéreos para o resgate da população do vale do Zambeze.

"Até o momento, mais de 300 pessoas foram resgatadas, mas outras 5 mil continuam em risco de vida nas cinco zonas da foz do Zambeze", frisou o INGC (Instituto Nacional de Gestão de Calamidades de Moçambique), em comunicado enviado à Agência Lusa.

O boletim hidrológico prevê que, em breve, os níveis hidrométricos no Baixo Zambeze devem baixar ligeiramente, enquanto em Zumbo e Aruângua, as cheias tendem a aumentar por causa das chuvas.

Dados preliminares indicam que "nas bacias do Búzi e Save, é prevista a continuação da redução significativa do volume de escoamentos, resultando na melhoria da situação hidrológica nas vilas de Búzi, Nova Mambone e Machanga, respectivamente".

O diretor do INGC, Paulo Zucula, reconheceu ao jornal Notícias de Maputo que, em alguns distritos afetados pelas cheias, as operações de resgate estão sendo dificultadas pela falta de planos de evacuação dos governos distritais.

"Há situações em que não se conseguem identificar as pessoas sitiadas e, nos próximos quatro a cinco dias, vamos entrar na fase mais crítica no Zambeze, tendo já começado a entrar muita água", afirmou.

A organização não-governamental britânica Oxfam Internacional alertou para o risco de "uma crise de saúde pública generalizada" e enviou uma equipe de emergência para as zonas atingidas pelas inundações para avaliar as necessidades humanitárias das 55 mil pessoas afetadas pela elevação das águas.

"Quando se gera uma inundação, a falta de água e saneamento atinge níveis críticos em apenas alguns dias, ou mesmo horas. Com a continuação da alta do nível das águas, o acesso a estes bens será cada vez mais difícil, o que pode originar uma crise de saúde pública generalizada", alertou em comunicado o coordenador de água e saneamento da Oxfam Internacional em Moçambique, Hugo Oosterkamp.

"Como especialista em água e saneamento, a prioridade da Oxfam Internacional será acudir os centros de evacuação onde as pessoas procuram refúgio. Nestas circunstâncias, deve se responder de imediato à ameaça de diarréia, malária e cólera", acrescentou.

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