20 anos após referendo, secretário-geral elogia “progresso inspirador” de Timor-Leste

Da Redação

Esta sexta-feira, 30 de agosto, marcou os 20 anos desde que o povo timorense decidiu, em referendo organizado pelas Nações Unidas, tornar-se independente da Indonésia.

Em mensagem para marcar a data, o secretário-geral disse que Timor-Leste “tornou-se uma democracia pujante, onde os direitos humanos, as liberdades fundamentais e a alternância democrática são respeitados.

A mensagem de vídeo foi mostrada esta sexta-feira em cerimônia que decorreu em Díli, a capital do país. Guterres disse que era “com emoção, humildade e alegria” que se juntava a estas comemorações.

“Sempre fui um fervoroso defensor do povo timorense e de seu indeclinável direito à autodeterminação. De facto, se há algo de que me orgulho nos meus muitos anos de vida pública, é ter me dedicado a esta causa e ter feito por ela o que estava ao meu alcance. Lembro-me vivamente da alegria que senti, há 20 anos, quando soube dos resultados do referendo, bem como das angustiantes semanas que se seguiram, até que finalmente foi possível convencer a comunidade internacional da necessidade de agir.”

Lembrando o papel da ONU, António Guterres disse que recorda “a parceria exemplar do povo timorense com as Nações Unidas.” Segundo ele, uma “colaboração forte e profunda” que o orgulha, especialmente agora como secretário-geral da organização.

Dirigindo-se ao povo timorense, disse que a ONU “tem a honra” de os ter acompanhado no caminho para a independência e de continuar com eles “nesta fantástica trajetória”.

“O legado está à vista. Timor-Leste tornou-se uma democracia pujante, onde os direitos humanos, as liberdades fundamentais e a alternância democrática são respeitados. Hoje comemoramos este progresso tão inspirador. Ao mostrar o poder do multilateralismo, da diplomacia e das soluções políticas, Timor-Leste inspirou o mundo.”

O chefe da ONU terminou a mensagem dizendo que os timorenses podem contar com o apoio das Nações Unidas, e o seu apoio pessoal, nos “esforços rumo a um futuro cada vez mais inclusivo, próspero e promissor.”

Depois do referendo de 30 de agosto, o governo indonésio aceitou o resultado em outubro, revogando as leis que anexavam Timor-Leste à Indonésia.

As Nações Unidas aprovaram depois uma resolução que criou a Administração Transitória das Nações Unidas em Timor-Leste, Untaet, que levou à independência do país em maio de 2002.

De novembro de 1999 a maio de 2002, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello exerceu o cargo de administrador de transição da ONU em Timor-Leste.

Ao longo dos anos, a ONU teve cinco missões diferentes no país, tendo a última terminado em 2012. Entre as conquistas desta parceria, esteve a organização de quatro diferentes eleições nacionais.

Futuro
O coordenador residente das Nações Unidas no Timor-Leste, Roy Trivedy, diz que a organização continua a ter um papel importante no desenvolvimento do país. Em entrevista na ONU, ele explicou as prioridades deste trabalho.

“Nesta fase de desenvolvimento, nós tentamos trabalhar em conjunto com o governo e também outros parceiros, na área de serviços, na área de economia, na área de proteção civil e também na área de clima. Timor-Leste é um país pequeno, mas temos uma população onde 70% tem menos de 25 anos, muito jovem. Temos sempre de investir na área da educação, temos de criar emprego para os jovens, temos muitas pessoas que não têm emprego na área da economia informal.”

Para o coordenador residente, a colaboração da ONU com o país deve agora centrar-se na Agenda 2030 e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs.

“Esta é uma etapa importante porque ajudará a estabelecer uma linha de base para avaliar o progresso futuro, no sentido de realizar os ODS em Timor-Leste. Os ODSs têm um papel muito importante dentro das políticas do governo de Timor-Leste. A ONU precisa ajudar o governo para atingir os ODSs que realmente tem significado na vida do país e na vida dos cidadãos.”

Apesar de as Nações Unidas não terem mais uma missão em Timor-Leste, a organização continua a estar presente no país através das suas várias agências.

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