Portugal negocia repatriação de cidadãos dos países de língua portuguesa

Da Redação
Com Lusa

O Governo português divulgou que negocia a possibilidade de repatriação dos cidadãos que têm pedido o seu regresso dos PALOP, apesar das restrições colocadas por alguns países africanos, no combate à Covid-19.

“Temos estado em contato com todos os PALOP [Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa] colocando duas perguntas: quantos são os portugueses que querem regressar; se são autorizados voos para o seu regresso”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, em declarações à Lusa.

Santos Silva diz que já recebeu luz verde de Cabo Verde, para a repatriação dos portugueses que queiram regressar, apesar das restrições que esse país está a colocar para entradas e saídas de estrangeiros, como medidas de contenção à propagação do novo coronavírus.

Fonte diplomática portuguesa explicou anteriormente à Lusa que há entre 200 a 300 portugueses em várias ilhas de Cabo Verde, sobretudo no Sal e em Santiago (Praia), a aguardar viagem de regresso a casa.

Cabo Verde não registou até ao momento qualquer caso de Covid-19, provocada por um novo coronavírus, mas depende economicamente dos mais de 750 mil turistas que recebe anualmente. Contudo, desde hoje, por decisão do Governo cabo-verdiano, e pelo menos até 09 de abril, estão proibidas as ligações aéreas oriundas de 26 países, incluindo Portugal e Brasil.

“Somos cerca de 120 portugueses retidos na ilha do Sal. Neste momento não temos como regressar ao nosso país e ninguém nos dá informação ou qualquer apoio”, relatou durante a tarde, à Lusa, Mónica Pedrosa, explicando que no hotel onde estavam hospedados, que se prepara para encerrar, estão todos “à beira de ser despejados”.

Também Angola e a Guiné têm restrições de mobilidade externa e ainda não deram resposta ao Governo português sobre as possibilidades de regresso dos portugueses, cujo número o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) não consegue neste momento estimar.

“Ainda não tive qualquer resposta do Governo da Guiné. E, relativamente a Angola, apenas hoje foram apresentados pedidos, pelo que só agora iniciei contatos com o Governo de Luanda”, explicou Santos Silva.

O ministro diz que até agora contava com o apoio da TAP para as operações de repatriação dos países de língua oficial portuguesa, mas foi informado de que a companhia aérea portuguesa cancelou os voos para África e estava a limitar as ligações com o Brasil, que ficaram confinadas a Rio de Janeiro e São Paulo.

Assim, o MNE diz que estudará as opções para operações de repatriação que venham a ser pedidas, admitindo que o número de pedidos aumente à medida que suba o número de casos de contaminação nesses países, que para já se mantém em níveis baixos.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou mais de 220 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 9.000 morreram.

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se já por 176 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

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