Paulo Lourenço recebeu Título de Cidadão Paulistano na Câmara Municipal de SP

Por Odair Sene
Na noite de 17 de agosto, dias antes de encerrar suas funções no Brasil, o Cônsul Geral de Portugal em São Paulo, Paulo Lourenço, foi recebido na Câmara Municipal de São Paulo pelo Vereador Quito Formiga (que presidiu a solenidade), e foi formalmente o proponente da homenagem, com participação e por iniciativa do Eduardo Tuma, atual Secretário da Casa Civil da Prefeitura paulista.
Contando com a presença de vários representantes do Conselho da Comunidade de São Paulo, de líderes da comunidade portuguesa, e membros do Consulado Geral, a solenidade contou com discursos de todos os integrantes da mesa, com destaque para a fala do cônsul, que atribuiu o título à Comunidade Portuguesa.
O cônsul retorna para Portugal após nove anos em missões diplomáticas no estrangeiro. Disse que está (já) na hora de regressar ao seu país, mas que vai ficar com saudades de São Paulo, por se considerar um paulistano. “Minha filha nasceu aqui e acho que vou sempre ter a ‘tentação’ de comparar o que eu estiver fazendo com esta incrível experiência aqui na capital paulista”. Lourenço falou de sua vivência em São Paulo dizendo estar totalmente acostumado com a cidade, e que terá saudades deste lugar que ele disse ter “aprendido a amar”.
Disse que cumpriu suas funções, as quais foram muito “gratificantes” onde há uma comunidade muito ativa, coesa e forte. “Onde me senti sempre acarinhado, ouvido, e por isso poder concluir esses seis anos e meio, que foram tão gratos para mim, onde foi uma honra em poder servir Portugal, e a comunidade portuguesa, e de algum modo também poder servir São Paulo enquanto cônsul geral, poder concluir esta jornada paulistana com o Título de Cidadão Paulistano pela Câmara Municipal, é para mim uma alegria muito especial e uma honra que jamais me esquecerei”, disse ele durante entrevista.
Lourenço elogiou esta que é uma das maiores comunidades portuguesas do mundo, e em São Paulo é uma comunidade muito bem integrada na sociedade local. “É também, muito provavelmente a maior comunidade estrangeira em São Paulo. Que não é bem ‘estrangeira’ é ‘luso-brasileira’ e por isso é um privilégio poder concluir este mandato, que foi muito compensador e gratificante poder concluí-lo com este reconhecimento é algo que ficarei eternamente grato à cidade de São Paulo e à Câmara Municipal”.

Entrevista: Paulo Lourenço deixa Consulado em São Paulo e enaltece experiências no Brasil

Ao Mundo Lusíada ele reforçou que, depois de uma filha paulistana e um título de Cidadão Paulistano: não esquece mais de São Paulo. “É como estava a dizer, para além do prazer profissional que foi servir Portugal nesta incrível cidade, com esta incrível comunidade luso brasileira, para além da honra de servir Portugal em São Paulo, se juntaram fatores de natureza mais pessoal, da minha filha ter nascido aqui, dos meus filhos serem basicamente paulistas porque viveram aqui a vida inteira, só agora passam a residir em Portugal e para mim, ter uma filha paulistana e agora ser também Cidadão Paulistano, é de certa forma um prêmio, um bônus, por este seis anos e meio, que todos sabem, foi para mim uma jornada muito bonita e gratificante”.
O trabalho desenvolvido pelo diplomata em São Paulo, como reforçou o presidente do Conselho da Comunidade, Manuel Magno, foi um trabalho aprovado por todos, que engrandeceu em muito a comunidade, a imagem de Portugal que foi muito promovida, e entre outras coisas, o sistema de atendimento consular que se tornou um dos mais bem avaliados do mundo.
“O principal juiz daquilo que faz um cônsul geral, e um balanço do seu trabalho é a comunidade, porque é a comunidade que ele tem em primeiro lugar o dever de servir, é claro que a atividade no geral é muito mais ampla, é muito exigente e por isso foram seis anos e meio muito especiais, quer para a comunidade, quer para este movimento crescente de brasileiros com interesse por Portugal, e portanto, aquilo que era esperado para o Consulado Geral e sua atividade, ficou muito mais ambicioso, e por isso acho que, talvez aquilo que me sinto mais orgulhoso é de ter de alguma forma conseguido mobilizar a comunidade luso brasileira para aquilo que era meu programa de trabalho, a ambição que eu queria trazer para o Consulado e isso, se méritos eu tenho, e se o balanço que eles fazem é positivo, isso é inseparável do fato de a comunidade ter entendido o repto [desafio] que eu lhe fazia, não digo que tenha sido assim desde o início, mas a comunidade acabou por entender porque eu trazia uma determinação tão grande em relação àquilo que eu achava que eram as responsabilidades que um cônsul tem em São Paulo, porque acho que ser um cônsul geral muito presente, junto da comunidade portuguesa, como da comunidade paulistana, como junto das autoridades estaduais e municipais, quer junto das lideranças luso brasileiras, eu não acho que isso seja uma opção, acho que essa presença é uma responsabilidade e é minha visão do lugar, não digo que é a única visão possível, mas é minha visão”.
Com isso Paulo Lourenço disse que sai de São Paulo com a sensação de que esse seu período vivido não foi “desperdiçado” segundo este ponto de vista. “Portanto o balanço cabe à comunidade fazer, e obviamente ao Ministério para o qual eu trabalho [Ministério dos Negócios Estrangeiros], mas acho que em larga medida eu sinto que este apelo, este desejo de sermos grandes em São Paulo, é um critério e um desejo que hoje é partilhado pela comunidade por um todo, e isso pode ter sido o principal mérito desta passagem”, referiu.

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