Novo Embaixador português diz que Museu da Língua Portuguesa reabre em março

Mundo Lusíada
Com Lusa

Segundo o novo embaixador de Portugal em Brasília, o governo do estado de São Paulo deverá reabrir o Museu da Língua Portuguesa no final de março.

“Ficamos a saber que agora o plano do governo de São Paulo é reinaugurar [o museu da Língua Portuguesa] mais ou menos no final de março”, salientou Luís Faro Ramos, que assumiu a Embaixada de Portugal no Brasil, depois da sua gestão no instituto Camões.

“As autoridades de São Paulo pretendem fazer deste evento uma grande celebração da língua portuguesa. Então ficamos satisfeitos por ver que finalmente este museu poderá ser reaberto”, acrescentou ao comentar as conversações que manteve com as autoridades de São Paulo, durante uma vista a capital do estado.

A previsão de reabertura do museu no primeiro trimestre deste ano já havia sido anunciada pelo governo ‘paulista’ à Lusa em outubro passado, mas as autoridades locais ainda não indicaram a data exata.

Fechado desde dezembro de 2015 após um grande incêndio, o Museu da Língua Portuguesa foi totalmente reconstruído com esforços combinados dos Governos de Portugal e do Brasil, e o patrocínio de instituições privadas como a EDP e a Fundação Roberto Marinho.

Na entrevista, Luís Faro Ramos também elogiou o interesse do governo de São Paulo na construção, edificação, e entrada em funcionamento da primeira Escola Portuguesa do Brasil, um projeto em fase de implantação e sem data de conclusão.

Custeada pelo Governo português, a escola foi aprovada oficialmente em 2019, após quase dois anos depois da assinatura de um protocolo de intenções junto ao governo de São Paulo, que doou o prédio e o terreno.

Questionado sobre os encontros com a comunidade portuguesa de São Paulo, o embaixador salientou que, dentro das circunstâncias da pandemia, foi uma visita muito diversificada.

“Tive encontros institucionais, notadamente com o governo [regional] e com a prefeitura de Câmara da cidade de São Paulo, tive encontros com a comunidade portuguesa, na Casa de Portugal e na Câmara de Comércio Portuguesa, e encontros com comunidades empresárias brasileiras”, explicou.

Luís Faro Ramos frisou que escolheu viajar para a maior cidade do Brasil logo que assumiu o comando da embaixada portuguesa, localizada em Brasilia, “porque São Paulo representa justamente a diversidade daquilo que é ação aqui” do Estado português.

O diplomata informou que deverá visitar o Rio de Janeiro em fevereiro.

No Brasil, o primeiro desafio do embaixador junto a comunidade portuguesa será coordenar um dos centros de votação da eleição presidencial de Portugal no Brasil, a embaixada em Brasília, nos dias 23 e 24 de janeiro.

Questionado sobre medidas sanitárias tomadas para evitar a proliferação do novo coronavírus nos locais de votação – o Brasil é um dos países mais afetados do mundo pela pandemia de covid-19 -, o embaixador português defendeu que “as condições de segurança estão garantidas para quem se desloca para os centros de voto para votar”.

O diplomata também instou os cidadãos portugueses recenseados no Brasil a comparecerem às urnas para escolher o novo presidente.

“Gostaria de aproveitar esta oportunidade para fazer um apelo para todos que podem, que venham votar, não tenham receio”.

O Embaixador de Portugal, acompanhado pela Ministra-Conselheira, Adido de Defesa, e Conselheira política da Embaixada, encontrou-se no dia 20 de janeiro, com o Vice-Presidente brasileiro, General Hamilton Mourão. Foram abordadas as relações bilaterais e algumas das prioridades da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia. Na ocasião, o Embaixador Luís Faro Ramos informou o vice-presidente Hamilton Mourão da decisão do Governo português e da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa de apoiar o Hospital Beneficente Português de Manaus no valor de cerca de 320 mil reais.

Interesses da UE

Luís Faro Ramos ainda disse que, durante a presidência de Portugal da União Europeia (UE), Lisboa tentará, de algum modo, atuar como porta-voz dos interesses do país sul-americano junto aos europeus.

“Para lá da parte bilateral, dá-se a circunstância de Portugal estar, a partir do dia 1 de janeiro até o dia 30 de junho, a exercer a presidência do Conselho da União Europeia e então, nós sabemos que há dossiês que interessam ao Brasil e à América Latina”, frisou Luís Faro Ramos.

“Vamos tentar, digamos de algum modo, ser os porta-vozes do Brasil nos interesses que o Brasil tem junto a UE. Aqui ganha um interesse muito particular o acordo da UE-Mercosul”, acrescentou.

O acordo de livre comércio entre a UE e o Mercado Comum do Sul (Mercosul), integrado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, foi fechado em 2019, depois de 20 anos de negociações.

O pacto abrange um universo de 740 milhões de consumidores, que representam um quarto da riqueza mundial, mas antes de entrar em vigor precisará ser ratificado internamente pelos países membros dos dois blocos envolvidos.

Na Europa, o principal argumento contra o tratado é a mudança da política para o meio ambiente que provocou o aumento da desflorestação da Amazônia e o desmantelamento de ações de fiscalização e punição de crimes ambientais no Brasil, aplicada na gestão do Presidente, Jair Bolsonaro.

Países como a Áustria, Holanda e a região da Valônia, na Bélgica, já anunciaram que não vão ratificar o acordo. França, Luxemburgo e a Irlanda também se manifestaram contra o tratado de comércio.

Na última reunião da comissão parlamentar de Assuntos Europeus, representantes do BE, PCP, Verdes e a deputada não-inscrita Cristina Rodrigues pediram ao Governo português que rejeite o acordo, advertindo para os seus “graves” impactos ambientais e sociais.

Questionado sobre o tratado, Luís Faro Ramos avaliou que Portugal “está pronto para aceitar o acordo na sua plenitude”, mas reconheceu que “tem havido alguns atrasos tanto do lado europeu quanto do lado do Mercosul nesta matéria”.

“Portugal, enquanto [estiver na] Presidência do Conselho da UE vai fazer tudo para avançar no acordo. É preciso aqui, não podemos escondê-lo, colaboração tanto da parte das instituições europeias, em Bruxelas, quanto da parte dos países do Mercosul, incluindo o Brasil”, avisou.

“Na presidência [da UE] pretendemos levar este assunto a um bom porto. É, como sabem, um assunto que não é muito simples, mas penso que com boa vontade, iniciativa e espírito de colaboração de todas as partes poderemos chegar a um entendimento que seja confortável para todos”, acrescentou.

Questionado sobre as prioridades que terá no comando da embaixada de Portugal no Brasil, posto que assumiu no final do ano passado, Luís Faro Ramos disse que o objetivo é estreitar ainda mais os laços entre os dois países.

“O relacionamento entre Portugal e o Brasil é muito denso, singular e único. Usando uma imagem, que me parece interessante, digo que quando nós olhamos ao espelho Portugal, o espelho nos devolve o Brasil, o espelho amplia-nos. Amplia aquilo que é Portugal”, explicou o embaixador.

“As minhas prioridades serão continuar a excelência do relacionamento que existe entre os dois países, em muitas áreas, desde a parte da economia, a parte cultural, a parte institucional, a parte da ciência e tecnologia a parte da defesa. Se pensarmos bem, não há praticamente nenhuma área onde não haja uma cooperação e uma relação muito intensa entre Portugal e o Brasil”, completou.

O diplomata fez questão de incluir, entre suas prioridades de sua administração na embaixada, uma atenção especial que pretende dar a comunidade portuguesa e aos lusodescendentes que moram no Brasil.

“O Brasil, neste momento, é o lugar onde a comunidade portuguesa e lusodescendente é mais significativa”, concluiu, numa referência ao elevado número de emigrantes.

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