Mensagem de fim de ano do Embaixador de Portugal, Jorge Cabral

É com grande satisfação que venho, de novo, ao vosso encontro neste espaço de convívio luso-brasileiro, que é o Jornal “Mundo Lusíada”. O prazer é redobrado por estarmos muito próximo da quadra festiva do Natal, importante momento de celebração de encontros e reencontros.
Estando eu nestas funções há pouco mais de um ano, período durante o qual tive já, todavia, a feliz oportunidade de visitar uma grande parte dos Estados brasileiros, devo dizer que não cesso de me orgulhar e surpreender com a importante presença e enorme relevância da vastíssima Comunidade Portuguesa e luso-brasileira espalhada por todo este imenso Brasil. Tenho presenciado, com grande satisfação e agrado, a forma como tão bem souberam implantar-se na comunidade local, a sua vitalidade, transmitida de geração em geração, que, na prática, se traduz num importantíssimo contributo para a constante dignificação do nome de Portugal, em toda a extensão do território brasileiro.
Nas inúmeras deslocações em que venho acompanhando visitas de membros do Governo Português ao Brasil, apraz-me registar que as nossas relações bilaterais vivem um momento particularmente intenso e, sem dúvida alguma, muito venturoso. Um momento em que “o Atlântico não é um oceano que separa, mas, sim, um rio que une os dois países”, como tão bem referiu Sua Excelência o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Professor Doutor Augusto Santos Silva, numa das suas mais recentes visitas ao Brasil.
Na verdade, os nossos dois povos parecem estar a redescobrir-se, reaproximando-se cada vez mais, através duma relação dinâmica que permite já antecipar uma nova, mais madura e mais produtiva etapa deste relacionamento transatlântico. Ao iniciar-se um ciclo de 5 anos que nos conduzirá até às comemorações dos 200 anos da Independência do Brasil, data que irá ser assinalada em 2022, julgo que será importante aproveitar essa oportunidade e todo o imenso potencial que ela nos proporciona para, em conjunto, fazermos jus à dimensão e importância da herança aqui deixada por Portugal, assim virando a página das ideias pré-concebidas de parte a parte em relação ao outro país, para afirmar e fazer prevalecer uma visão mais objetiva e mais construtiva de uma história que é, afinal, sobretudo comum. Uma história feita por homens e mulheres corajosos, tenham sido eles navegantes, bandeirantes ou comerciantes, que acharam, desbravaram e consolidaram as fronteiras deste imenso território, tarefa graças à qual foi possível proporcionar ao Brasil uma dimensão verdadeiramente continental, bem como o inestimável património da partilha duma língua comum, que hoje é global.
Nos últimos anos, todos temos sido agentes e testemunhas duma transformação que, estou certo, se tornará irreversível: a alteração da perceção externa do nosso país, em termos de imagem nacional, como um Portugal moderno, estável, equilibrado e tranquilo, cosmopolita e diversificado, acolhedor, competitivo, tecnologicamente muito avançado, criativo, atrativo e ganhador.
De facto, as proezas lusas têm sido inúmeras: taxas de crescimento que, no 2.º e 3.º trimestres de 2017 alcançaram os 3% e 2,5%, respetivamente; considerável descida dos índices de desemprego; aumento exponencial das exportações de bens e serviços, sendo que, especificamente, as trocas comerciais com o Brasil aumentaram cerca de 50 %, até setembro deste ano.
Mas as nossas vitórias não se restringem à vertente económica: vencemos o Campeonato Europeu de Futebol, em julho de 2016; mais tarde, em outubro, elegemos o Engenheiro António Guterres como Secretário-Geral da ONU; conseguimos a singular conquista da Eurovisão, por Salvador Sobral, em maio deste ano; mais recentemente, logramos a eleição do Ministro das Finanças, Mário Centeno, para a chefia do influente e “poderoso” Eurogrupo, ou conselho de Ministros das Finanças da Zona Euro; finalmente a 10 de dezembro, Portugal seria ainda eleito como o Melhor Destino Turístico do Mundo nos World Travel Awards, sendo o primeiro país europeu a receber tal galardão, na categoria dum prémio considerado como fazendo parte dos “Óscares do Turismo”.
Mas também aqui, no Brasil, temos somado importantes vitórias. Em setembro passado, mais uma vez na vertente turística, Portugal foi eleito o “Melhor Destino de 2017” nos Prémios UPIS de Turismo, em Brasília. Tudo indica, aliás, que este será “o melhor ano de sempre” em termos de turistas brasileiros em Portugal, com aumentos de 50 % relativamente a 2016, que nos levarão a atingir a impressionante estatística de 1 milhão de visitantes, provenientes do Brasil.
De assinalar, igualmente, a excelência do nosso Ensino Superior, traduzido no aumento exponencial dos pedidos de vistos de estudo. Sendo cada vez maior o número de quantos optam por Portugal para realizar os seus estudos. Atualmente, mais de 8.000 jovens brasileiros frequentam universidades portuguesas, muitas das quais aceitam já, automaticamente, os resultados do ENEM como condição de ingresso. Sendo essa uma tendência que julgo irá generalizar-se, pelo que a população estudantil brasileira em Portugal tenderá seguramente a aumentar.
Na vertente desportiva, faço votos para que 2018 seja, também, um ano para recordar e que as seleções de Portugal e do Brasil possam, ambas, chegar o mais longe possível na “Copa do Mundo”. Até para que a Comunidade Luso-Brasileira possa vibrar ao máximo com os lances de Cristiano Ronaldo e Neymar. E para que a Língua Portuguesa se faça ouvir bem alto, na Rússia, dentro e fora de campo.
Não posso terminar sem deixar aqui o meu público agradecimento pela ampla cobertura que o “Mundo Lusíada” tem dado às iniciativas promovidas pela Embaixada de Portugal no Brasil, nomeadamente por ocasião da minha deslocação ao Estado do Pará, no final de setembro deste ano e recentes visitas ao Brasil de S. Exa o Ministros dos Negócios Estrangeiros, Professor Augusto Santos Silva e de S. Exa o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Dr. José Luís Carneiro, que tive a honra e satisfação de poder acompanhar.
Desejo, com sentida e genuína amizade, a todos os leitores do “Mundo Lusíada” e respetivas famílias, uma muito feliz época natalícia, coroada, à mesa, com os genuínos sabores portugueses, bem como um Novo Ano cheio de muitos e memoráveis sucessos, individuais e coletivos. Que saibamos aproveitar e valorizar todo o potencial posto ao nosso alcance em benefício duma relação profícua, generosa, cada vez mais rica e mais próxima, que faça de Portugal e do Brasil países ainda mais irmãos.

 

POR JORGE CABRAL
Embaixador de Portugal em Artigo para o “Mundo Lusíada”

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