Europeias: PSD preocupado com níveis baixos de votação dos emigrantes

Da Redação
Com Lusa

O deputado social-democrata José Cesário manifestou preocupação com os níveis de participação dos emigrantes nas eleições europeias, que considerou “ridiculamente baixos”, mas assinalou “com satisfação” o aumento de número de votantes.

O número de eleitores residentes no estrangeiro subiu de menos de 300 mil para 1.431.825 em resultado de alterações introduzidas no processo de recenseamento dos emigrantes, que passou a ser automático.

“É inquestionável que votou bastante mais gente, mais do dobro de pessoas que tinham votado nas últimas europeias, o que pode prognosticar que nas legislativas possamos vir a ter também um aumento dos votantes”, disse José Cesário.

Por outro lado, o deputado do PSD eleito pelo círculo da Europa considerou “preocupante” que os níveis de participação continuem muito baixos, com a abstenção a situar-se nos 97%.

“A abstenção é maior em termos relativos [do que em 2014]. Este resultado é preocupante porque traduz níveis de participação muito baixos, ridiculamente baixos”, adiantou.

Desinteresse pelas eleições para o Parlamento Europeu, falta de informação e locais de voto insuficientes foram para o ex-secretário de Estado das Comunidades alguns dos fatores que concorreram para a dimensão da abstenção.

“Teria feito sentido o que o Governo tinha prometido que era criar mais uma centena de mesas de voto. Isso não se verificou e houve até queixas significativas em algumas comunidades, particularmente na França e na Alemanha, de que, em alguns casos, até houve redução”, disse.

Para José Cesário, “há que fazer muito mais para que haja mais gente a votar”, sublinhando a responsabilidade de Governo, comunicação social e partidos políticos na mobilização dos eleitores.

“Admito que tenha havido muita gente que nem se quer se tenha apercebido que havia eleições para o Parlamento Europeu. É um órgão que diz pouco às pessoas em geral, particularmente a quem está lá fora, e fora da Europa ainda menos”, apontou.

Sobre os resultados alcançados pelo PSD nos círculos da emigração – Europa e Fora da Europa – Cesário, sublinhou os “sinais positivos”, traduzidos numa vitória do partido na votação global dos emigrantes,

“O PSD voltou a ganhar as eleições globalmente na emigração e de uma forma muito expressiva fora da Europa, sobretudo nas Américas e em África.

Quando faltam apurar três consulados, o PSD venceu as eleições para o Parlamento Europeu nos círculos da emigração com 28,86% dos votos, contra 25,08% do PS.

PS comemorou

Já o deputado socialista Paulo Pisco destacou o “aumento expressivo” de votantes para o Parlamento Europeu nos círculos da emigração, considerando, por outro lado, que a “elevada abstenção” continua uma preocupação.

“O recenseamento automático […] teve como consequência um aumento expressivo de votantes, que nos dois círculos da emigração passou de 4.844 para 13.053”, apontou Paulo Pisco.

Numa análise aos resultados das eleições europeias de domingo na emigração, o deputado, eleito pelo círculo da Europa, sustentou, por outro lado, que “a elevada abstenção (97%) continua a ser uma preocupação […], não obstante ter havido mais 20 por cento de mesas de voto do que nas eleições europeias de 2014”.

Nesse sentido, sustentou Paulo Pisco, “as próximas eleições legislativas de 06 de outubro, em que o voto será feito por correio e com porte pago, serão o momento ideal para que as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo possam demonstrar a sua força”.

Sobre os resultados alcançados pelo PS, Paulo Pisco considerou que o seu partido teve uma “grande vitória” na Europa. “O PS ganhou em todos os principais países com comunidades portuguesas mais numerosas, como a França, Suíça, Alemanha, Luxemburgo, Reino Unido, Bélgica, Holanda e Espanha”, disse.

“No círculo de Fora da Europa, não obstante o Partido Socialista ter perdido, apresenta resultados muito encorajadores em várias áreas consulares”, acrescentou.

Nestas eleições europeias, Portugal elegeu os seus 21 representantes num Parlamento Europeu com 751 lugares. O PS foi o partido mais votado, com nove eleitos e cerca de 33,4% dos votos, seguindo-se o PSD, com 21,9% e seis mandatos.

O BE obteve 9,8% e dois eurodeputados, os mesmos que a CDU, apesar de a coligação entre PCP e PEV só ter conseguido 6,9% dos votos. O CDS-PP ficou em quinto, com 6,2% e um mandato, e o PAN em sexto, com 5,1%, elegendo pela primeira vez um eurodeputado.

A abstenção global – em território nacional e no estrangeiro – foi de 69,05%. No estrangeiro, e quando ainda falta apurar os resultados em três consulados, a abstenção foi de 99,04%.

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