Consulado de Santos chama atenção dos portugueses para Recenseamento

Armênio Mendes quer representatividade de Santos junto ao Governo de Portugal e pede aos portugueses do litoral paulista que se inscrevam para terem direito ao voto.

Por Odair SeneJornal Mundo Lusíada

Mundo Lusíada

>> Alberto Barreiros, Jose Duarte, Armenio Mendes e Vasco Monteiro.

Em entrevista ao Mundo Lusíada, o cônsul-honorário de Portugal em Santos, e empresário Armênio Mendes, falou sobre a importância do recenseamento. Os dirigentes portugueses da Baixada Santista vêm trabalhando em prol de sua divulgação aos luso-santistas com intuito da região ter uma maior representatividade junto ao governo de Portugal. “O que precisa ser feito é chamar atenção dos portugueses que estão inscritos no Consulado para que eles se recenseiem. Acho que este trabalho não foi feito pelos cônsules que passaram por aqui” diz Armênio Mendes.

Segundo ele, dos cerca de 30 mil inscritos no Consulado de Portugal, cerca de 25% estão recenseados, ou seja, fizeram uma outra inscrição para que participem das eleições portuguesas. “Nós recebemos aqui a figura do atual presidente da República, professor Aníbal Cavaco Silva, nós recebemos a figura do Mario Soares, e nós tivemos 500 votos aqui no nosso Consulado para eleição da Presidência da República. Não temos absolutamente nenhuma representatividade. Eu fui a Portugal tentar impedir que o Consulado fosse fechado e realmente houve uma promessa para nós do próprio presidente, que a cumpriu, de que se não deixasse o Consulado, deixaria um escritório consular ou um Consulado-honorário, o que nós temos hoje” disse Armenio.

A intenção do Consulado de Santos, de acordo com o titular, é divulgar o assunto e tomar algumas ações, como encaminhar uma correspondência para os portugueses. “Quantas pessoas deixam de votar, até mesmo os já recenseados, porque já saíram há muito tempo de Portugal, não vivem o dia-a-dia da vida política portuguesa e esquecem até o dia das eleições. Nós temos esta tarefa, assumimos o Consulado-honorário para trazer estas pessoas e levar até elas uma mensagem do interesse que temos, em que todos votemos nas eleições em Portugal. Nós só teremos apoio das autoridades portuguesas se tivermos um número grande de eleitores” disse ele, afirmando ainda que este é um trabalho que denota tempo. Mas com a “cabeça do empresário é mais fácil gerir estas coisas e motivar as pessoas a virem conosco para que possamos ter representatividade junto às autoridades portuguesas”.

Para o deputado do CCP (Conselho das Comunidades Portuguesas) e presidente da Sociedade União Portuguesa, José Duarte, um dos objetivos dos dirigentes de Santos é também a eleição de um deputado da região. “Se nós tivéssemos uns 10 mil votos dos 30 mil, com certeza que faríamos um deputado pela imigração aqui. Então nosso objetivo é esse e vamos lutar por isso, é a Baixada Santista eleger um deputado, já que tiraram nosso Consulado de carreira, mas que felizmente tivemos muita sorte porque o Armênio Mendes aceitou o Consulado-honorário e acho que está correndo tudo muito bem. É uma pessoa muito íntegra que pode, pelo seu trabalho e dignidade, levar este Consulado-honorário ao caminho que sempre esteve o Consulado de carreira”.

Duarte, juntamente com os conselheiros do CCP Juliana e Vasco Monteiro, colocaram-se a disposição para alcançar “muito em breve” uma marca significativa de inscritos, “muito além daquilo que hoje estão recenseados entre os portugueses no Consulado”, disse José Duarte, finalizando com agradecimento ao Mundo Lusíada pelas reportagens em prol do Consulado de Portugal em Santos. “Os portugueses da Baixada Santista devem muito ao Mundo Lusíada e esperamos que possamos retribuir”.

Consulado: melhor atendimentoSegundo o cônsul-honorário, não falta nada para o funcionamento do Consulado da parte da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, citando a recente visita das três maiores autoridades da imigração portuguesa, do Cônsul-Geral de Portugal em São Paulo, do Embaixador de Portugal em Brasília, e do Secretário de Estado das Comunidades. “Eles têm nos dado todo o apoio e eu sinceramente estou impressionado” afirmou Armênio Mendes ao Mundo Lusíada.

Apesar de não comentar sobre o serviço no Consulado de Santos em respeito aos que trabalharam até agora, Armênio Mendes disse que atualmente não vai ninguém no Consulado que não seja atendido, citando ainda a importância de motivar os funcionários. “Havia talvez a falta de capacidade empresarial para gerir o Consulado, não havia má vontade, não vejo por aí. Mas eu estou satisfeito, nós contratamos uma pessoa que realmente está me surpreendendo, eu digo a ele que o cônsul é ele, eu apenas venho assinar” disse o cônsul-honorário referindo-se ao seu assistente José Augusto do Rosário.

“As pessoas têm elogiado o serviço, estão felizes com o atendimento que têm recebido ali. Chegam cartas, que nunca chegaram ao Consulado, elogiando o serviço consular”, afirmou Mendes, que assumiu a função em respeito ao povo mais carente da região, que tem mais dificuldade do que aqueles com poder econômico para se deslocar à São Paulo para serem atendidos.

“No dia que eu assumi disse que era um momento de alegria e de preocupação muito grande pelo que talvez tivesse que enfrentar pela frente. O sr. Cônsul-Geral de Portugal de São Paulo disse que não havia preocupação com relação a isso. E hoje devo dizer, em um mês de funcionamento, que não tenho mais essa preocupação e ele estava certo. Quando você é comandante, você tem que saber comandar e ter seu dever e direito de comando. Se o fizer, com certeza as coisas acontecem de contento para todos, para quem indicou, para quem precisa ser atendido e para quem assumiu o cargo”.

O que é RecenseamentoO recenseamento é uma outra inscrição feita na Consulado de Portugal que permite ao cidadão constar numa “lista de votantes” no dia das eleições. Todos os cidadãos portugueses maiores de 18 anos, ou com 17 anos mas que completem 18 anos até ao dia das eleições, podem fazer a sua inscrição no recenseamento eleitoral, preenchendo um formulário que é gratuito. O recenseamento é voluntário para os cidadãos residentes no estrangeiro, e só podem votar aqueles que estão inscritos no recenseamento, ao contrário das eleições para o Conselho das Comunidades Portuguesas, em que todos os inscritos no Consulado de Portugal podem votar.

“Nós temos que ter as pessoas inscritas que querem votar de verdade. Elas passam a figurar numa relação de votantes, ou seja, uma relação de eleitores. São estas pessoas recenseadas a quem exatamente vamos mandar uma cartinha lembrando da eleição e convidando-as a votar, dizendo qual a importância de darmos o voto no momento da troca de um governo do nosso país” diz Armênio Mendes.

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