Conselho tem sessão histórica presidida pelo Secretário das Comunidades

Odair Sene Do Jornal Mundo Lusíada

Foto Conselho da Comunidade/Divulgação

>> Membros do Conselho com autoridades presentes durante a reunião promovida pelo Conselho da Comunidade.

O Conselho da Comunidade promoveu uma reunião histórica, nas suas dependências, com a participação expressiva da comunidade portuguesa. Sua última Assembléia teve (pela primeira vez) a participação e a presidência do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Antonio Braga, pasta do governo de Portugal responsável pelos assuntos das comunidades lusas em todo o mundo.

De acordo com o presidente do Conselho da Comunidade, a Assembléia já estava convocada, com intuito de aprovar as contas e o relatório de atividades de 2008. Quando o órgão soube que o Secretario de Estado participaria da reunião, foi proposto para que ele a presidisse. “Ele aceitou e nós tivemos uma presença imensa de pessoas, apesar de ser uma semana de Carnaval”, comentou ao Mundo Lusíada o presidente Antonio de Almeida e Silva.

Segundo ele, estiveram na reunião personalidades participativas da colônia portuguesa, como presidentes de associações e dirigentes associativos. “A Assembléia acabou por ser histórica porque teve uma participação efetiva dos presentes, com assuntos importantes, questionaram o sr. Secretário, ele respondeu a todas as questões, foi realmente uma prestação de serviço que o Conselho fez à comunidade”, disse Almeida e Silva, descrevendo uma reunião como nunca viu acontecer antes no Conselho. “Para mim foi a Assembléia mais intensa, mais participativa, e até numericamente falando”.

Reunião produtiva Para o Secretário de Estado, Antonio Braga, a reunião foi muito “interessante e produtiva” segundo disse ao Mundo Lusíada, descrevendo que pessoas com funções em diferentes associações luso-brasileiras puderam “representar muito bem” a comunidade.

Os assuntos tratados, segundo Braga, se referem ao dia-a-dia da própria comunidade, com as relações entre Portugal e as autoridades do Estado de São Paulo e Governo. “O que posso dizer é que tivemos oportunidade de refletir em conjunto sobre temas importantes da língua, da cultura, do relacionamento entre Portugal e Brasil, mas também questões associadas ao serviço que estão disponíveis para a comunidade portuguesa, e também a responsabilidade cívica dos portugueses em participar dos atos eleitorais”.

Sobre as eleições, Antonio Braga disse que o governo estimula a participação cívica e neste âmbito tem criado campanhas de mobilização para inscrição do recenseamento eleitoral, uma vez que fora de Portugal não é obrigatório. “Nomeadamente em São Paulo isso tem tido resultados muito positivos, eu congratulo muito porque há já 32 mil portugueses inscritos no recenseamento, o que não é, ainda, um resultado ótimo, é já muito bom porque no contexto da comunidade portuguesa que vive fora de Portugal, é de fato uma participação exemplar”, disse Braga. Dos mais de cinco milhões de portugueses no estrangeiro, cerca de dois milhões estão aptos a votar, mas apenas 190.000 fizeram o recenseamento, 32.500 em São Paulo.

Crítica sem conhecimento Um dos itens citados pelo Secretário de Estado foi as críticas, feitas muitas vezes sem conhecimento, dos projetos que o governo português desenvolve em prol das comunidades.

Segundo Antonio de Almeida e Silva, o Conselho respondeu ao Secretário que a comunidade portuguesa entende perfeitamente quando é bem informada. “É importante que o governo informe, muitas vezes há um silêncio, o governo está trabalhando mas não há uma comunicabilidade efetiva, então não podemos aplaudir o que não conhecemos”, diz o presidente do Conselho, informando ainda que Antonio Braga entendeu e prometeu um maior intercâmbio entre a comunidade e o governo.

“Eu propus e ele entendeu que sua presença entre nós é muito importante. Ele esteve aqui duas vezes nos dois últimos meses, então deu a conhecer à comunidade muitos dos projetos e isso está resultando, se continuar acontecendo, vamos ter uma compreensão maior do que ele fez”, defendeu.

Apoio maior Para o Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo, o que a colônia hoje precisaria do governo português pode ser resumida em um maior apoio, a começar pela Provedoria da Comunidade Portuguesa que mantém um lar para idosos carenciados e que, segundo Almeida e Silva, é um “hífen da comunidade de São Paulo”.

“De modo geral, nós gostaríamos que nossas associações tivessem um apoio maior, os nossos profissionais de imprensa, nossos artistas, todos aqueles que fazem a divulgação de Portugal de alguma maneira, precisavam de um pouco mais de apoio do Estado português. São pessoas que lutam sozinhas, muitas vezes sem recursos mesmo, um trabalho mais do que profissional, é um trabalho abnegado. Então nós pedimos a ele que o Estado tenha uma visão mais generosa sobre as pessoas que divulgam e trabalham por Portugal”, diz.

Com relação às associações portuguesas, o presidente do Conselho acredita que seria necessária uma relação mais voltada ao reconhecimento moral. “Veja lá em Santos, o atual cônsul-honorário é um homem mais do que bem sucedido, ele não precisa de nada de Portugal, mas é importante que Portugal acarinhe o trabalho dele. E assim como ele, vários dirigentes associativos”.

De acordo com Almeida e Silva, o Secretário entendeu e deu um aceno positivo quanto a questão. “Eu mesmo fui muito crítico em relação ao Antonio Braga e depois de conhecer melhor os projetos passei a compreender melhor a ação dele. É preciso que a comunidade também procure o diálogo agora”, disse.

Finalizando, o presidente do Conselho afirmou que a reunião foi excelente em todos os aspectos e que o órgão já recebeu muitos elogios pela iniciativa. “Houve uma discussão sobre Portugal e sobre as comunidades como há muito nós não víamos”.

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