Atual gestão chega ao fim com gastronomia, cultura e casa cheia na Casa de Portugal Campinas

Por Odair Sene

José dos Santos Antonio, o popular “Jota Santos” encerrou sua contribuição como presidente da Casa de Portugal de Campinas no último sábado, dia 09 de novembro, em jantar que marcou também o último evento do ano na entidade.
Para encerrar em alto estilo a Casa de Portugal de Campinas encerrou o ano com uma animada “Noite na Europa”, com danças e pratos típicos de Portugal, Espanha e Itália. Músicas e danças garantiram a alegria do ótimo público presente, com apresentações, primeiro do grupo espanhol, depois do italiano e por fim do português mostrando o folclore da casa, além de uma palhinha da cantora Fátima Fonseca que esteve presente. Como também das cantoras Dinah e Darcy, que acompanhavam o grupo italiano e cantaram entre outras a clássica portuguesa “heróis do mar”.
O evento ofereceu ao público diversas opções gastronômicas e culturais. Teve exposição de arte na entrada (com pinturas à venda), como venda do livro da Michelle Sauan (Lisboa: Uma Escrit(ur)a Sobre a Minha Pele-Papel), teve ainda exposição de manequins vestidos de folcloristas e principalmente as apresentações de grupos de três culturas europeias muito marcantes na Europa e no Brasil (Portugal, Espanha e Itália).
Ao Mundo Lusíada o presidente Jota Santos disse que gostou muito porque isso ele sempre quis fazer. “Eu sempre quis. Aliás foi uma das vertentes da minha gestão, porque quando assumi disse que bateria em duas vertentes, na gastronomia portuguesa e na cultura de Portugal, então acho que isso vem somar para aquilo que nós somos, a Península Ibérica, a Europa de uma maneira geral, não há que ter aquele rancor de Espanha, ou de Itália, da Alemanha, etc. E eu queria trazer aqui as culturas de toda a Europa e hoje temos uma pequena amostra com o tablado flamenco, uma tarantela, o nosso bailarico português, então eu me sinto realizado”.
Destaca-se que essas e muitas outras culturas e etnias – de pelo menos quatro continentes (América, Europa, África, Ásia) – estão presentes na própria cidade de Campinas, o que daria para realizar (por exemplo) um grande festival cultural como a já conhecida “Festa das Nações” realizada anualmente pela Prefeitura, conforme comentou o presidente.
“E isso que é cultura, isso da gente poder interagir entre as diversas etnias para que saibamos como os nossos vizinhos vivem, os usos e costumes e nos ensinarem um pouco disso também, até para não ficarmos somente na cultura de Portugal, todos tem suas culturas e eu gostaria de trazer todos aqui, então encerro neste final de ano os meus três anos de gestão e como disse lá na minha posse, sou contra reeleição, e também eu não quero mais continuar como presidente”, disse ele revelando que foi “fantástico” ser presente de uma entidade dessa, com 61 anos promovendo cultura e gastronomia.
“Eu só tenho que agradecer a todos os presidentes que passaram por aqui antes de mim, por terem deixado este caminho para que eu seguisse e pudesse levar a minha bandeira também até o final, mesmo sentido aqui uma preocupação pelo que poderá vir depois de mim, vou torcer para que venha um novo presidente, com novas idéias, melhores que as minhas, porque é muito gostoso ser presidente, mas é muito difícil comandar uma entidade portuguesa no Brasil”, disse ele justificando que não há incentivos do Governo Português, nem moral, muito menos financeiro, “então vivemos como uns heróis levando nossa cultura, nossa gastronomia, enfim, promovendo nosso Portugal e se tivermos um ‘obrigado’ eu fico até feliz”, disse o presidente que espera que a casa tenha uma diretoria forte e coesa “porque a casa merece”.

Isabel Lopes, braço direito deixou legado para a casa

Braço direito do presidente, a esposa Isabel Lopes foi responsável pela qualidade da gastronomia durante todo o trajeto do marido à frente da casa. Elogiada por todos, ela sempre ficou na retaguarda e foi uma das pessoas que mais trabalharam para manter a casa em alta na questão gastronômica.
Por tudo, Isabel Lopes disse ao Mundo Lusíada que é hora de saber agora se desligar um pouco. “É assim, teve um começo, um meio e agora o fim, até porque você tem que dar espaço para outras pessoas poderem mostrar suas qualidades também, seu amor pela casa, porque isso não é uma propriedade de uma pessoa, é da coletividade. E como a cultura também se expressa pela culinária, e disso eu até entendo um pouco, tive aqui uma equipe que me ajudou muito, eu aprendi bastante com eles, e elas comigo e deu muito certo, então hoje eu passei aqui a tarde, só provei [o cardápio] e nem entrei mais na cozinha, então é isso, você tem que saber ensinar e não achar que só você sabe, porque eu ensinei mais, e com isso também eu não fiquei exaustivamente na cozinha, achando que só eu sabia fazer”, disse ela que deixa com isso um grande legado para a casa: uma equipe que sabe preparar o tão elogiado cardápio da casa, que é, em todas as casas portuguesas, o principal cartão de visitas e que garante a presença de público. “A gestão foi muito cansativa mas valeu muito a pena. Fizemos muitas amizades e é muito gostoso isso tudo, mas tudo tem um final, temos apenas que deixar que outras pessoas venham dar continuidade”, finalizou.

Peixoto, o responsável pelas festas, disposto a ajudar a próxima gestão

Outro braço direito do presidente, claro, foi seu vice Pedro Peixoto, que fez uma grande parceria e encerrou uma grande e elogiada gestão. “Eu acredito que nossa gestão foi muito boa, o Zé deu uma outra dinâmica, ele valorizou muito mais e priorizou a questão da gastronomia, enquanto diretorias anteriores fizeram muitas obras, nós nos dedicamos à gastronomia e as festas como um todo”, disse ele que sempre cuidou mais dos detalhes dos eventos, que foram sempre muito bons e trouxeram muita gente a frequentar a casa.
“Os três anos foram ótimos, e tem um fim, sim, mas deve continuar com alguém, assim esperamos. Não sei que virá, mas desejamos toda a sorte do mundo, logicamente que se a próxima diretoria precisar eu estarei aqui à disposição para ajudar”, disse Peixoto revelando inclusive que está disposto a seguir como vice na próxima gestão. “Dependendo de quem entrar, e se gostar do meu trabalho, e eu também, enfim, vou estar à disposição sim”, completou.
Jota Santos e Pedro Peixoto encerram mandato entregando a Casa de Portugal de Campinas em alta, muito em alta, com grande frequência de público, com um belíssimo grupo folclórico, com receitas (sem dívidas) e ainda com o cartão de visitas principal: uma equipe de primeira qualidade na cozinha, o que garante o público para o próximo ano. Não a toa, o Rancho Folclórico da casa, representado pela Andréia Gomes, fez questão de chamar o presidente durante a apresentação, para uma despedida, para agradecimentos, para o devido e merecido reconhecimento pela importante dedicação de Jota Santos não só pela casa mas muito pelo que fez ao folclore, que teve até investimento em trajes novos, e gravação de disco. O presidente foi ao palco e agradeceu pelo reconhecimento.

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