Associação Empresarial de Migrantes e Refugiados quer ajudar quem quer investir e viver em Portugal

Da Redação
Com Lusa

Estimular o empreendedorismo migrante, ajudando quem quer investir e viver em Portugal, e defender os interesses de imigrantes e refugiados são os principais objetivos da Associação Empresarial de Migrantes e Refugiados de Portugal, apresentada no último domingo em Lisboa.

Em declarações à agência Lusa, o atual responsável da Associação Empresarial de Migrantes e Refugiados de Portugal (AEMIREP) explicou que a ideia de criar esta associação surgiu em 2018 na sequência da primeira Feira do Empreendedorismo Migrante (FEM).

“Foi um sucesso e acabamos por, em reuniões com 48 empresários, ter oportunidade de os ouvir para perceber preocupações e chegou-se à conclusão que era fundamental que existisse uma associação que defendesse os seus interesses”, adiantou Fidélio Guerreiro.

A AEMIREP foi apresentada no decorrer da segunda edição da FEM, que procura dar “uma resposta mais qualitativa” ao que foi feito na edição do ano passado, ajudando a consolidar o processo para que a associação venha a ter “um papel determinante na vida destes empresários”.

Fidélio Guerreiro sublinhou que há mais de 420 mil imigrantes a viver em Portugal e mais cerca de 1.600 refugiados dispersos pelo território, o que torna difícil encontrar uma solução comum para estas pessoas, seja para ajudar nos processos de legalização, seja meramente para ter acesso a uma informação.

Especificamente em relação aos refugiados, o responsável frisou que “ainda são quase uma amostra” e que estão muito dispersos pelo país, mas comprometeu-se a também trabalhar com todas as associações de refugiados para ajudar estas pessoas, apoiando todos os que demonstrarem essa vontade.

Depois da primeira fase, em que foi identificada a dimensão e a tipologia do problema, a associação propõe-se agora a encontrar uma solução para responder às motivações e às necessidades tanto de imigrantes como de refugiados.

Fidélio Guerreiro adiantou que já contataram a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação Oriente e a Fundação Aga Khan, porque têm todas trabalho desenvolvido nesta área.

Por outro lado, referiu que as embaixadas “pouco fazem pelos seus emigrantes a não ser tratar da documentação e facilitar condições de legalização” e que as câmaras de comércio só se preocupam com “os grandes projetos” porque não têm meios para mais.

“A AEMIREP vai tentar criar uma rede com todas estas instituições de maneira a definir um plano conjunto em que se complementem umas às outras naquilo que deve ser feito”, adiantou, acrescentando que também serão incluídas as autarquias, sobretudo as do interior do país, mais penalizadas com a despovoamento.

O responsável salientou que há oportunidades para o investimento destas pessoas em vários setores de atividades e destacou o impacto que isso pode vir a ter no país.

“Se nós tivermos em Portugal uma organização que tenha a tal rede, trabalhando em conjunto com outras organizações, nós podemos ter a ambição de talvez resolver o maior problema que o país vai ter nos próximos 30 anos, que é o problema demográfico”, defendeu.

Fidélio Guerreiro apontou que as estatísticas atuais apontam para menos 20% de população em 2050, ou seja, menos dois milhões de portugueses, e sublinhou que ainda há tempo de criar um quadro de atração, salientando que a natalidade entre os imigrantes “é muito superior” à dos nacionais.

O responsável disse que depois da FEM deste fim de semana será feito um balanço e um trabalho de sensibilização junto dos empresários para aderirem à associação, acrescentando que neste momento a AEMIREP tem apenas uma comissão instaladora e que serão convocadas eleições em breve.

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