Pero Vaz de Caminha Mestre jornalístico da Descoberta do Brasil

Hoje em dia, todos nós temos à disposição todos tipos de jornais, revistas, mensageiros, canais de Tvs, e emissoras de rádios e num instante sabemos tudo que ocorre em todas partes do mundo, porém, em pleno século 15, havia necessidade de que, algum literato tivesse sido nomeado pelo Rei de Portugal, para escrever sobre as riquezas das descobertas dos maravilhosos navegadores lusitanos, pelos mares nunca navegados antes das suas gloriosas descobertas.

Pero Vaz de Caminha escreveu ao Rei de Portugal a carta que hoje nós a temos como uma jóia jornalística e a carta-mór da descoberta do Brasil, a qual por ser extensiva em detalhes ocupa umas 7 páginas, o que dificulta a sua divulgação e portanto, boa parte do mundo português, embora saiba da existência da mesma, não tem conhecimento da riqueza que ela representa.

Com uma técnica própria da época, Pero Vaz de Caminha descreve tudo o que aconteceu naquela maravilhosa viagem que concretizou a "Descoberta do maravilhoso Brasil", pólo grandioso da lusitanidade, que a fibra lusitana conseguiu transformá-lo num dos maiores países do mundo, concretizando o sonho maior desse povo desbravador, como sendo os maiores navegadores de todos os tempos.

Com sua maestria, Pero Vaz de Caminha descreveu desde a saída de Lisboa até a chegada na Bahia, ao local que denominou de "Porto Seguro", toda a viagem com detalhes significantes, mostrando tudo como uma viagem da época poderia ser feita, detalhando fantasticamente a viagem, a passagem por ilhas, os acontecimentos nos barcos, a chegada, os locais, os habitantes, enfim fantásticos acontecimentos dessa viagem lendária, que até podemos destacar alguns detalhes, como seu início:

"Senhor: Posto que o Capitão-mór desta vossa frota, e assim os outros capitães escrevem à Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que ora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar disso minha conta a Vossa Alteza, como eu melhor puder, ainda que- para o bem contar e falar- o saiba pior que todos fazer-".

Como vemos, além de tudo, mostrando uma humildade fantástica, própria de um mestre jornalístico, e continuando na sua brilhante humildade disse ainda: "Tome Vossa Alteza, porém, minha ignorância por boa vontade, e creia bem por certo que, para aformosear nem afear, não porei aqui mais do que aquilo  que vi e me pareceu".

No dia 09 e Março de 1500, foi a partida de Belém, e já no dia 14 estavam beirando as ilhas Canárias, no dia 22 já nas ilhas de Cabo Verde, sendo que, no dia 21 de Abril avistaram o Monte Pascoal, e finalmente no dia 22 de Abril de 1500 aportaram, e avistando o grandioso monte o batizaram de "Monte Pascoal", denominaram de "Terra de Vera Cruz", dando finalmente início ao grande país, orgulho da lusitanidade, onde hoje 200 milhões falam e escrevem a maravilhosa Língua Portuguesa.

Após descerem à terra descoberta, Pero Vaz de Caminha descreve o que eram os habitantes locais, com feições pardas, avermelhadas, bons rostos, bons narizes e bem feitos e outros pormenores interessantes, como nos cabelos penas, etc. e um deles, após ver um colar no capitão, fez menção que, além praias tinha também ouro.

No dia de Páscoa, mandou o capitão montar um altar para a reza da missa e todos capitães foram juntos, e após a missa e a pregação, alguns começaram a cantar e dançar e após diversas ordens, autorizaram os degradados que foram na viagem, que eles tomasse conhecimento dos nativos e aprendessem a falar a sua língua.

Passando alguns dias, e após descrever o encontro com os indígenas locais, alguns portavam flechas e arcos, e mulheres com crianças ao colo, com pouca roupa a cobrirem-se, e então escreveu o seguinte:

"Ora veja Vossa Alteza se quem em tal inocência viu-se, se converterá ou não, ensinando-lhes o que pertence à sua salvação, acabado isto, fomos assim beijar a Cruz despedindo-nos e viemos comer. Creio Senhor, que com estes dois degredados ficam mais dois grumetes, que esta noite se sairam desta nau no esquife, fugidos para terra. Não vieram mais. E cremos que ficarão aqui, porque de manhã, prazendo a Deus, fazemos daqui nossa partida. Essa terra Senhor, me parece que da ponta que é mais contra o sul vimos até à outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas brancas e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos, De ponta a ponta, é toda praia parma, muito chã e muito formosa. Nela, até agora, não podemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro, nem lhe vimos. Porém a terra em si é tão muito bons ares, frios e temperados como os de Entre Douro e Minha, porque neste tempo de agora os achamos como os de lá. Águas são muitas, infindas, E em tal maneira é graciosa que querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem. É desta maneira Senhor, dou aqui a Vossa Alteza do que nesta terra vi. E por um pouco se alonguei. Ela me perdoe, que o desejo que tinha de vos dizer tudo. Beijo as mãos de Vossa Alteza. Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje sexta-feira, primeiro de Maio de 1500. PERO VAZ DE CAMINHA."

Como vemos, realmente um espetacular feito jornalístico, aqui só espelhado em pouca parte de todo seu relato, todavia, para pelo menos termos uma idéia do que foi esse feito espetacular de uma das mais fantásticas viagens empreendidas pela maravilhosa esquadra de Pedro Álvares Cabral, com 13 navios, aonde só chegaram 12 e doando para a posteridade essa façanha fantástica do povo português, para honra e glória do nosso querido e eterno PORTUGAL.

 

 

Adriano da Costa FilhoMembro da Casa do Poeta de São Paulo, Movimento Poético Nacional, Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores, Academia Virtual Poética do Brasil, Ordem Nacional dos Escritores do Brasil, Associação Paulista de Imprensa, Associação Portuguesa de Poetas/Lisboa e escreve quinzenalmente para o Jornal Mundo Lusíada.

 

5 Comments

  1. Quanta lusobobagem junta! É a cara de quem gosta de distorcer a História e fingir não aconteceu nada de ruim durante a roubalheira que Portugal fez no Brasil durante o período colonial. E esses idiotas que nem se quer usam o senso crítico para lerem.Pelo jeito esses bobões ficam entre 12 e 18 anos. Adolescentes burros são o pior que pode haver. Af!

  2. Realmente a Certidão de Nascimento do Brasil, lavrada em um porto seguro onde Cabral “tomou posse com padrão em pedra lioz, com a Cruz de Cristo e Armas do Rei” segundo sua carta de alvissaras ao Rei D. Manuel I. Há apenas 2 no Brasil, o primeiro na Praia do Marco (RN) e o segundo em Cananeia (SP), o de Porto Seguro (BA) foi chantado em 1535 e não tem as armas.
    A carta de Caminha é bela e factual entrando em detalhes, mas sem falar mais detalhadamente sobre o trajeto.

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